A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promoveu, no dia 5/12/2025, o workshop online Autoria Científica e Responsabilidade Autoral em Monografias, Dissertações e Teses: Pensando a Integridade Acadêmica na Produção Intelectual Entremeada com a IA Generativa, organizado pela Câmara Técnica de Ética em Pesquisa (CTEP) da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2). Realizado em formato de webinário pela plataforma Zoom, o evento reuniu cerca de 230 participantes, entre docentes, pesquisadores, gestores e estudantes da graduação e pós-graduação.
O encontro teve como objetivo central discutir os impactos do uso crescente da Inteligência Artificial Generativa (IA Gen) na produção acadêmica, com foco na preservação da integridade científica, da autoria humana e da responsabilidade ética no contexto universitário. A abertura contou com a participação de representantes da administração central da UFRJ, que ressaltaram a importância de enfrentar o tema de forma crítica, transparente e institucional.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, participou do evento e reforçou que a autoria científica é uma responsabilidade exclusivamente humana, firmada em um pacto de confiança com a sociedade. “A IA deve ser utilizada apenas como ferramenta de apoio, jamais como substituta do pensamento crítico, da criatividade ou da análise científica. A responsabilidade recai sobre quem assina o trabalho. A integridade acadêmica é um valor inegociável da universidade”, destacou o reitor.
Durante a sessão inicial, a coordenadora da CTEP, Sonia Vasconcelos, afirmou que a IA generativa já atravessa todas as etapas da pesquisa, da elaboração de projetos à comunicação dos resultados, o que amplia a responsabilidade de pesquisadores, orientadores e instituições. Segundo ela, a atualização das Diretrizes de Integridade Acadêmica da UFRJ já incorpora o uso responsável dessas tecnologias, reforçando a necessidade de preservar a confiança entre pares e da sociedade na ciência produzida pela Universidade.
“Todo esse ciclo está sendo, gradativamente, entremeado com Inteligência Artificial Generativa. Apesar de o evento ter como foco a produção de monografias, dissertações e teses, é fundamental considerarmos como nossa responsabilidade, como pesquisadores e orientadores, se intensifica”, disse Sônia.
As discussões ressaltaram que a IA não deve ser encarada apenas como ameaça ou “ferramenta de trapaça”, mas como recurso que exige uso consciente, crítico e declarado. A superintendente-geral de Graduação, Geórgia Atella, e a pró-reitora de Extensão, Ivana Bentes, enfatizaram a importância da transparência sobre onde e como a IA é utilizada na produção do conhecimento, incluindo atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Também participaram do evento, a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci; Edmundo de Souza e Silva, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe); Kone Furtunato, da Faculdade Nacional de Direito (FND); o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da UFRJ, João Torres de Mello Neto; Marcus Oliveira, do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) Leopoldo de Meis; Marisa Palácios, do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada; Maria Carlota Rosa, da Faculdade de Letras; Edson Watanabe, também da Coppe; Danilo Oliveira, da Faculdade de Farmácia; e o vice-coordenador da CTEP, Renan Almeida.
Ao longo do workshop, eles abordaram diferentes dimensões do tema, como a evolução dos modelos de linguagem e os riscos do uso passivo e acrítico dessas ferramentas, os desafios jurídicos e autorais, além da escrita acadêmica e seu valor formativo. O debate aprofundou ainda questões como avaliação acadêmica, dificuldades de detecção de textos gerados por IA, necessidade de capacitação docente e reformulação de práticas pedagógicas. Também foram discutidos os impactos culturais da tecnologia, a crise de autoridade docente e a urgência fortalecer a construção de uma cultura institucional pautada na ética, na honestidade intelectual e no diálogo.
No encerramento do evento, os participantes defenderam que a discussão sobre IA generativa deve ultrapassar a pós-graduação e alcançar toda a comunidade universitária. Também enfatizaram que o enfrentamento dos desafios impostos pela IA exige aprendizado coletivo, sensibilização ética contínua e fortalecimento das estruturas institucionais de governança da pesquisa. O workshop reafirmou o compromisso da UFRJ com a integridade acadêmica e a centralidade da autoria humana na produção do conhecimento em um cenário marcado por rápidas transformações tecnológicas e novos dilemas éticos.

