Em um ano marcado por empresas despejando somas impressionantes de dinheiro em inteligência artificial, mais um grande negócio foi fechado nos últimos instantes antes de 2026.
A Meta acaba de fazer uma aposta com a compra da Manus, a badalada startup sediada em Singapura, mas com raízes chinesas. Ela chamou atenção no início deste ano ao demonstrar seus agentes de IA executando tarefas complexas, como buscar imóveis e analisar currículos.
A Manus e sua empresa controladora, a Butterfly Effect, têm sede em Singapura, mas foram fundadas na China, país que mantém uma relação delicada com a indústria de tecnologia dos Estados Unidos, e ainda mantêm operações em território chinês.
Segundo informações, a controladora do Facebook pagará mais de US$ 2 bilhões para adquirir a startup, na expectativa de fortalecer suas próprias capacidades em IA, que vêm ficando para trás.
Em um cenário repleto de fabricantes de chips em rápida ascensão, startups ágeis totalmente focadas em IA e gigantes da tecnologia, como a Microsoft, que se reinventaram com grandes apostas no setor, a Meta está longe de liderar a tropa – um fato do qual a própria empresa parece bem ciente.
A aquisição levará para dentro da Meta a tecnologia de IA baseada em agentes da startup, permitindo que ela seja potencialmente integrada ao vasto conjunto de produtos da empresa, incluindo Facebook, Instagram, WhatsApp e o chatbot de IA da Meta.

O acordo com a Manus ocorre após o investimento de US$ 14,3 bilhões feito pela Meta, no início deste ano, na Scale AI, empresa especializada em dados para treinamento de modelos de inteligência artificial.
“Entrar para a Meta nos permite construir sobre uma base mais forte e sustentável, sem mudar a forma como a Manus opera ou como as decisões são tomadas”, afirmou o CEO da startup, Xiao Hong, em um post anunciando a notícia.
CORREÇÃO DE ROTA
A maratona de gastos da Meta com inteligência artificial está se intensificando. Depois de renomear a empresa para Meta e declarar, há menos de cinco anos, que estava totalmente comprometida com o metaverso, a companhia abandonou esse rumo – e seus investimentos bilionários – para tentar alcançar os concorrentes na área de IA.
Em novembro, Mark Zuckerberg declarou que a Meta planeja investir a impressionante cifra de US$ 600 bilhões em tecnologia e infraestrutura de IA nos Estados Unidos até 2028.
O diretor de IA da Meta, Alexandr Wang, ex-Scale AI, deu as boas-vindas à equipe da Manus em uma publicação no X. “Animado em anunciar que a @ManusAI se juntou à Meta para nos ajudar a construir produtos de IA incríveis”, escreveu Wang.
Segundo o executivo, a equipe do Meta Superintelligence Labs pretende contratar profissionais em Singapura. “A equipe da Manus em Singapura é de classe mundial na exploração do excesso de capacidade dos modelos atuais para estruturar agentes poderosos”, afirmou.

A Manus não é uma DeepSeek, mas ainda assim se destaca como uma importante empresa asiática de IA passando a operar sob a asa de um gigante da tecnologia dos EUA.
Em abril, a Manus levantou US$ 75 milhões em uma rodada de investimentos liderada pela gestora de venture capital Benchmark, de San Francisco. A startup também conta com investidores asiáticos, incluindo o conglomerado chinês Tencent e o HongShan Capital Group, que era o braço focado na China da norte-americana Sequoia, conhecida por investir com frequência em startups chinesas.
a Meta planeja investir US$ 600 bilhões em tecnologia e infraestrutura de IA nos EUA até 2028.
A Meta informou à Fast Company que planeja “encerrar gradualmente” as operações comerciais da Manus que ainda permanecem na China. Esse processo vai incluir a realocação dos funcionários remanescentes da Manus e o rompimento de quaisquer vínculos comerciais com o país.
A empresa também enfatizou que os funcionários da Manus que passarem a integrar a Meta não terão acesso a dados primários de usuários dos produtos existentes da companhia.
“Não haverá participação acionária chinesa contínua na Manus AI após a transação e a Manus AI vai descontinuar seus serviços e operações na China”, afirmou um porta-voz da Meta.

