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Apoio ou Ameaça na Relação Terapêutica: Entenda a Importância dessa Dinâmica.

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Saúde já é um dos usos mais comuns do ChatGPT, com centenas de milhões de pessoas fazendo perguntas sobre saúde e bem-estar toda semana

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Saúde já é um dos usos mais comuns do ChatGPT, com centenas de milhões de pessoas fazendo perguntas sobre saúde e bem-estar toda semana

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A OpenAI lançou em janeiro de 2026 o ChatGPT Health, iniciativa que marca sua entrada oficial na saúde digital com foco no bem-estar emocional. O produto traz recursos como alertas para pausas em interações prolongadas e mecanismos capazes de identificar sinais de sofrimento psicológico. Assim, posiciona-se como ferramenta de apoio inicial em saúde mental.

O lançamento ocorre em meio ao crescimento do uso da inteligência artificial em contextos terapêuticos e de bem-estar. Pesquisas revelam que o aconselhamento emocional já figura entre os principais motivos para adoção de IA generativa no mundo, tendência que também se reflete no Brasil.

O ChatGPT Health marca um avanço na integração entre inteligência artificial e saúde mental, mas reacende dilemas éticos e clínicos. Especialistas concordam que a tecnologia pode servir como apoio inicial e ferramenta de monitoramento, desde que não substitua a complexidade da relação terapêutica humana.

Avanços e promessas do ChatGPT Health

O ChatGPT Health responde a um cenário de escassez de profissionais e longas filas de espera em serviços de saúde mental. Além disso, amplia a acessibilidade ao oferecer suporte fora do expediente clínico. A operação contínua, 24 horas por dia, transforma-se em diferencial relevante para quem enfrenta crises em horários não convencionais.

A disponibilidade contínua é um diferencial, principalmente para quem enfrenta crises fora do horário de funcionamento das clínicas tradicionais”, afirma Rui Brandão, vice-presidente de saúde mental da Conexa.

Alertas dos especialistas

Apesar dos avanços, especialistas pedem cautela. Brandão destaca que estudos comprovam falhas da IA na interpretação de nuances emocionais. “Já existem evidências de que modelos como o ChatGPT podem falhar na interpretação do sofrimento humano, deixando escapar nuances emocionais ou até oferecendo respostas inadequadas em contextos sensíveis”, explica.

Ele cita pesquisa publicada no arXiv: “Enquanto terapeutas humanos responderam de forma adequada em 93% dos testes, sistemas de IA acertaram, em média, apenas 50% das respostas dentro dos padrões terapêuticos básicos”. Para o executivo, a tecnologia pode apoiar no acolhimento inicial e no monitoramento de sintomas, mas “jamais substituir a relação terapêutica humana”.

Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil, reforça o alerta. “Existe um perigo real quando tentamos resolver questões profundamente humanas com ferramentas que não vivenciam emoções, contexto ou vínculo. Bem-estar emocional exige empatia, confiança e conexão genuína”, pontua.

Limitações estruturais

A ausência da linguagem não verbal permanece como barreira. Gestos, silêncios e expressões compõem a prática terapêutica e não podem ser reproduzidos por sistemas automatizados. Além disso, o processo de cura é não linear e muitas vezes eficaz justamente por suas imperfeições.

Muitas vezes, o que torna a terapia humana eficaz são justamente suas ‘imperfeições’. O processo de cura exige tempo e construção de vínculo. Torná-lo excessivamente eficiente por meio da IA pode eliminar os próprios elementos que sustentam o cuidado”, reforça Oliveira.

No ambiente corporativo, o alerta se repete. “A inteligência artificial pode otimizar processos, mas não substitui os pequenos gestos que constroem cultura organizacional, como escuta ativa, trocas espontâneas e criatividade coletiva”, acrescenta.

Privacidade e segurança de dados

A proteção de informações sensíveis surge como outro desafio. Conversas sobre saúde mental envolvem dados altamente confidenciais, o que aumenta os riscos de vazamentos ou uso indevido.

Para Brandão, o futuro da IA na saúde depende de modelos híbridos e seguros. “A tecnologia pode apoiar terapeutas no acompanhamento entre sessões e em processos de psicoeducação, desde que exista governança robusta, transparência e proteção de dados. O objetivo não deve ser tornar profissionais mais parecidos com máquinas, mas usar as máquinas para que eles possam ser ainda mais humanos”, conclui.



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