A OpenAI começou a testar anúncios no ChatGPT como parte de uma nova estratégia para ampliar sua receita e sustentar os altos custos da inteligência artificial. A iniciativa, anunciada nesta sexta-feira, prevê a exibição de publicidade para usuários da versão gratuita e do plano Go nos Estados Unidos, enquanto as assinaturas mais caras seguem livres de anúncios.
A mudança marca um ponto de inflexão no modelo de negócios da empresa responsável por um dos chatbots mais populares do mundo e ocorre em um momento de forte expansão de investimentos em infraestrutura de IA.
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Os anúncios no ChatGPT serão exibidos inicialmente apenas para usuários logados na versão gratuita e para assinantes do plano Go, opção mais barata da plataforma, com custo mensal de US$ 8. Segundo a OpenAI, os planos mais caros, voltados a usuários avançados e empresas, continuarão sem qualquer tipo de publicidade.
O plano Go foi lançado inicialmente na Índia e agora começa a ser expandido para os Estados Unidos. A empresa avalia o formato como uma alternativa intermediária entre o acesso gratuito e as assinaturas premium.
Como a publicidade será exibida no ChatGPT
De acordo com a OpenAI, os anúncios no ChatGPT aparecerão, ao menos nesta fase inicial, como recomendações patrocinadas de produtos e serviços, exibidas na parte inferior de respostas consideradas relevantes para o tema pesquisado pelo usuário.
A empresa afirma que haverá uma separação visual clara entre o conteúdo gerado pela inteligência artificial e a publicidade, com o objetivo de evitar confusão ou perda de credibilidade. Segundo a companhia, o modelo busca ajudar usuários a tomar decisões de compra, sem interferir no conteúdo principal das respostas.
Estratégia de receita e contexto financeiro
A introdução de anúncios no ChatGPT faz parte de um esforço mais amplo da OpenAI para diversificar suas fontes de receita, especialmente diante de um cenário de investimentos bilionários em infraestrutura. A empresa não espera atingir a lucratividade nos próximos anos e já se comprometeu com gastos estimados em cerca de US$ 1,4 trilhão em data centers, chips e capacidade computacional voltada à IA.
Esse movimento ocorre também em meio a especulações sobre um possível IPO da companhia no futuro, o que aumenta a pressão por modelos de negócios mais sustentáveis.
Mudança de postura da OpenAI sobre publicidade
A adoção de anúncios representa uma mudança significativa na postura da OpenAI. O CEO Sam Altman já havia declarado publicamente seu desconforto com publicidade, classificando-a como um “último recurso”. Em ocasiões anteriores, ele alertou para o risco de os usuários passarem a enxergar o chatbot como um vendedor de produtos, o que poderia comprometer a confiança na ferramenta.
Ainda assim, a pressão financeira e a necessidade de ampliar o acesso à tecnologia levaram a empresa a reconsiderar sua posição.
OpenAI segue caminho adotado por outras big techs
Com a introdução dos anúncios no ChatGPT, a OpenAI passa a seguir um modelo já adotado por outras grandes empresas de tecnologia, como Google e Meta, que utilizam publicidade para subsidiar produtos gratuitos ou de baixo custo.
Hoje, o ChatGPT conta com mais de 800 milhões de usuários semanais, o que torna a plataforma altamente atrativa para anunciantes. Além disso, vários executivos da OpenAI possuem experiência prévia em negócios de publicidade digital, incluindo a própria Fidji Simo, CEO de aplicações da empresa.
Garantias sobre privacidade e conteúdo sensível
Em comunicado oficial, a OpenAI reforçou que os anúncios no ChatGPT não influenciarão as respostas geradas pela inteligência artificial. A empresa também afirmou que não compartilhará conversas com anunciantes.
Além disso, a plataforma não exibirá anúncios relacionados a temas sensíveis, como saúde mental e política, para usuários identificados como menores de 18 anos. Segundo a companhia, a proteção da privacidade e da confiança dos usuários continua sendo prioridade.
Avaliação contínua e possíveis ajustes
A OpenAI informou que o formato de anúncios no ChatGPT será avaliado continuamente e poderá passar por ajustes com base no feedback dos usuários. A empresa destaca que o objetivo é equilibrar geração de receita e qualidade da experiência.
“À medida que introduzimos anúncios, é essencial preservar o que torna o ChatGPT valioso”, afirmou Fidji Simo em post no blog da companhia. Segundo ela, as respostas da ferramenta devem continuar sendo guiadas pelo que é objetivamente útil ao usuário, e não por interesses comerciais.
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