A RT-One, multinacional de tecnologia que planeja construir data centers dedicados à Inteligência Artificial (IA) no Brasil, já costura contratos com potenciais clientes, incluindo hyperscalers (grandes provedores de nuvem) e operadoras de telecomunicações.
A empresa também espera contar com incentivos fiscais, incluindo os previstos no Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), para tirar os planos do papel – os quais contemplam a edificação de três centros de dados em um investimento total de R$ 15 bilhões.
Do contrário, caso o Redata não seja aprovado pelo Congresso, a empresa pode remanejar parte dos investimentos para outros países da América Latina.
É o que afirma o CEO da RT-One, Fernando Palamone, em entrevista ao TELETIME. Segundo o executivo, a construção dos sites de Uberlândia (MG) e Maringá (PR) – ambos com capacidade de 100 megawatts (MW), com arquitetura modular que permite escalar cada campus para mais de 400 MW – está para começar, uma vez que quase 70% da capacidade de cada um já estão sob contrato.
“As duas cidades, em nível de tecnologia, têm uma base excelente. Para atrair talentos, há universidades ao redor, profissionais especializados e comunidades de startups”, ressalta Palamone, sobre a escolha por localidades fora dos grandes centros.
O executivo também informou que a localidade do terceiro data center deve ser definida em até quatro meses. A capacidade do complexo vai depender da disponibilidade de energia elétrica da região.
De qualquer forma, a RT-One trabalha com a intenção de iniciar as atividades ainda este ano, por meio de uma oferta limitada a partir do data center de Uberlândia.
Segundo o CEO, na etapa inicial, a empresa planeja convidar alguns clientes para inaugurar os servidores, antes de lançar uma oferta comercial ampla. É possível que operadoras de telecom também façam uso dos data centers de IA da empresa.
“Com telecom, vamos trabalhar em dois níveis. É muito importante para a gente ter múltiplos acessos, quatro ou cinco, para prover a comunicação mais confiável possível”, asseverou.
“Agora, do outro lado, cada vez mais as operadoras estão incluindo capacidades de inteligência artificial e segurança [cibernética] em seus próprios serviços, que são justamente o que a gente oferece”, salientou Palamone, complementando que há negociações em andamento com teles.
Déficit de processamento
Segundo Palamone, a RT-One – que tem negócios em países como Estados Unidos, México e Suíça – decidiu investir no Brasil após avaliar o mercado nacional ao longo de 2024.
A constatação foi de que, além de o Brasil ser um dos principais alvos de ataques cibernéticos do mundo, ainda há pouco investimento em IA por aqui.
Também pesou o fato de cerca de 60% dos dados de brasileiros serem processados em data centers localizados no exterior. De acordo com o executivo, em potência de processamento, isso significa que há um déficit de 1 GW no País.
“É um número altíssimo. E com a perspectiva de crescimento, por exemplo, dos serviços de inteligência artificial e segurança cibernética nos próximos cinco ano, estimamos que esse déficit vai chegar a 3,5 GW só no Brasil“, pontuou.
Redata ou exterior
Palamone, de todo modo, salientou que o planejamento da RT-One conta com os incentivos de redução de impostos previstos no Redata, cuja medida provisória depende de aprovação do Congresso Nacional até o dia 25 de fevereiro.
Se o texto caducar, a empresa trabalha com alternativas, como classificar o empreendimento em Maringá como Zona de Processamento de Exportação (ZPE), embora isso limite consideravelmente o volume de operações dedicadas ao mercado interno.
Além do mais, a RT-One já estuda investimentos em países vizinhos ao Brasil e não descarta transferir, eventualmente, projetos para outros mercados.
“Dé pé ainda não [temos data centers], mas já temos localidades em outras áreas próximas. A questão é, por exemplo, no caso de o Redata não ser aprovado, a gente priorizar uma das outras localidades”, sinalizou. “É um risco que o Brasil pode correr: outros países podem ter ambientes mais favoráveis”, frisou.
Como servidor público há mais de 16 anos, vejo a importância da Inteligência Artificial (IA) para melhorar nossa sociedade e qualidade de vida. A RT-One, empresa de tecnologia, lançou o Redata, uma solução que visa melhorar a eficiência das operadoras em data centers de IA. Com o uso da IA, é possível otimizar processos, reduzir custos e aumentar a produtividade. Acredito que a tecnologia deve ser usada de forma inteligente para trazer benefícios reais para a sociedade. A RT-One está no caminho certo ao investir nesse setor e espero que outras empresas sigam seu exemplo.É importante refletir sobre como podemos aproveitar ao máximo o potencial da IA para criar um mundo melhor.

