A OpenAI acaba de atingir um marco que redefine o jogo da inteligência artificial: US$ 20 bilhões em receita anualizada em 2025, um salto de 233% em apenas um ano. Em dois anos, a empresa multiplicou sua receita por dez — de US$ 2 bilhões em 2023 para US$ 20 bilhões agora.
É crescimento em velocidade raríssima, mesmo para padrões de Big Tech. Mas também é crescimento que cobra um preço alto.
Segundo a CFO Sarah Friar, a demanda por serviços de IA segue em aceleração máxima, mesmo com a pressão crescente de concorrentes como Anthropic e Google. O mercado quer IA. E quer agora.
Receita e computação cresceram juntas — e isso muda tudo
O motor por trás desse faturamento é claro: infraestrutura computacional em escala industrial. A OpenAI aumentou sua capacidade de computação de 0,2 gigawatts em 2023 para cerca de 1,9 gigawatts em 2025 — energia suficiente para abastecer aproximadamente dois milhões de residências.
A lógica é simples e brutal: mais computação → modelos maiores → mais clientes → mais receita.
Mas também: custos gigantescos e recorrentes.
A própria empresa admite que a receita seguiu exatamente a mesma curva de crescimento da capacidade computacional. Ou seja: o faturamento cresce porque o gasto cresce.
Para sustentar o ritmo, o caixa precisa ser quase infinito
Esse modelo exige capital em escala histórica. A OpenAI buscou levantar US$ 100 bilhões com uma avaliação estimada em US$ 830 bilhões, enquanto o SoftBank teria fechado um aporte de US$ 40 bilhões para financiar a expansão da infraestrutura.
Isso não é operação tradicional de software. É IA como infraestrutura pesada.
Enquanto fatura mais, a OpenAI perde terreno em participação
O paradoxo é evidente: mesmo com receita recorde, a OpenAI já não domina o mercado como antes.
No segmento corporativo de APIs de LLM, sua participação caiu de 50% para 25% entre 2023 e 2025. A Anthropic assumiu a liderança, com 32%, enquanto o Google já soma cerca de 20%.
Em tarefas de programação, o cenário é ainda mais simbólico:
Claude (Anthropic) lidera com 42% — o ChatGPT ficou em 21%.
No consumo, a tendência se repete.
O ChatGPT saiu de quase 87% do tráfego global no início de 2025 para cerca de 64,5% em 2026. O Gemini, do Google, ultrapassou 20% pela primeira vez.
A OpenAI continua crescendo — mas o mercado está ficando mais competitivo, mais caro e menos concentrado.
Publicidade entra em cena, com anúncios no ChatGPT — algo impensável até pouco tempo atrás
Como resposta, a OpenAI anunciou testes de anúncios no ChatGPT gratuito e no plano Go (US$ 8/mês) nos EUA. Usuários premium ficam de fora.
É uma mudança simbólica. Sam Altman já chamou publicidade de “último recurso”. Agora, virou alternativa concreta de monetização.
Quando até a líder da IA recorre a anúncios, o sinal é claro: o custo da inteligência artificial ainda supera sua capacidade de gerar lucro sustentável.
Análise: com US$ 20 bilhões em receita, a OpenAI dá lucro?
Resposta curta: não. Ainda não.
Apesar do faturamento impressionante, a OpenAI não é lucrativa. O modelo atual é de crescimento acelerado com queima massiva de caixa.
Os principais motivos:
- Custo de computação extremamente alto:
Treinar, rodar e escalar modelos de ponta exige bilhões em energia, chips, data centers e contratos de infraestrutura. - Margens pressionadas:
Diferente de software tradicional, cada nova interação relevante gera custo marginal significativo. - Investimentos contínuos e obrigatórios:
Parar de investir significa ficar para trás tecnologicamente. O gasto não é opcional. - Concorrência reduz poder de precificação:
Com Anthropic, Google e outros avançando, manter preços altos se torna mais difícil.
Relatórios de mercado indicam que a OpenAI deve continuar no prejuízo até o fim da década, com expectativa de fluxo de caixa positivo apenas entre 2029 e 2030, se — e somente se — conseguir equilibrar escala, eficiência e novas fontes de receita (como publicidade e planos corporativos avançados).
Em resumo:
A OpenAI já provou que sabe criar demanda. Agora precisa provar que consegue transformar IA em um negócio estruturalmente lucrativo.
Na economia da inteligência artificial, faturar bilhões é só o começo.
O desafio real é fazer algo sobrar desses bilhões.

