Um investigador português desenvolveu um sistema pioneiro que utiliza Inteligência Artificial para monitorizar continuamente a saúde cerebral através de dados recolhidos por telemóveis e relógios inteligentes. O estudo acompanhou mais de 80 participantes entre os 46 e 78 anos durante 10 meses
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Com a ajuda da Inteligência Artificial, já é possível acompanhar a saúde do cérebro de forma contínua e personalizada, com base em dados recolhidos por telemóveis e relógios inteligentes. As conclusões de um estudo liderado por um investigador português, a fazer doutoramento na Suíça, foram agora publicadas numa revista científica de referência. Em entrevista exclusiva à SIC, Igor Matias explica como estes modelos podem vir a mudar o acompanhamento da saúde mental e cognitiva.
Apresenta-se como o primeiro, ou um dos primeiros, projetos a nível mundial que segue a população a nível mental e cognitivo a toda a hora e a todo o segundo.
São recolhidos milhões de dados a partir de telemóveis e dos chamados relógios inteligentes e conseguir assim estimar com elevado grau de certeza o estado cognitivo e o estado mental de cada pessoa a cada momento da vida.
Os telemóveis estão equipados com aplicações de forma a recolher dados cognitivos ou o estado afetivo para medir o pulso à memória e sinais de depressão e a acompanhar o estado tempo e a qualidade do ar.
Quanto ao relógio regista tudo o que são informações do comportamento do utilizador.
Igor Matias, cientista português a estudar doutoramento em Genebra, está há quase dois anos a recolher dados.
Estudou uma amostra de mais de 80 participantes entre os 46 e os 78 anos, maioritariamente europeus.
A cada três meses foram recebendo indicações para realizar diferentes tipos de tarefas, incluindo testes cognitivos e de memória.
Resultados publicados em revista científica
Os primeiros resultados, a partir de uma análise feita a um período de 10 meses, foram agora publicados na Digital Medicine, conceituada revista científica ligada ao universo da Nature.
Foram analisados parâmetros como a memória a longo e curto prazo, a memória funcional, a capacidade para alternar entre tarefas, a fluência verbal e o declínio cognitivo.
Os milhões de dados recolhidos a cada instante permitem criar modelos que vão assinalar possíveis variações, ou desvios, de certos parâmetros.
A Inteligência Artificial é, assim, determinante. Sem ela seria impossível encontrar de forma rápida e tão eficaz esses padrões de mudanças e as alterações que podem assinalar que algo está errado.
O futuro desta inovação
No futuro este estudo poderá ajudar a abrir a porta da ciência para um diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.
Este diagnóstico é feito apenas quando surgem sintomas, na maior parte dos casos por volta dos 65 anos.
Sendo que 20 a 25 anos antes há variações que podem assinalar a doença, mas que não se sentem.
Para já, este estudo ainda não permite criar uma ferramenta que consiga determinar uma pré-disposição para uma doença, mas é um passo rumo a esse objetivo.
É preciso recolher mais dados e, acima de tudo, dados de populações diferentes
Por isso, até lá chega o caminho será longo e bastante demorado.
Um estudo realizado por um cientista português utilizou a Inteligência Artificial para detectar precocemente o declínio cognitivo. Essa inovação tem o potencial de trazer benefícios significativos para a sociedade, uma vez que pode ajudar a identificar problemas de saúde mental em estágios iniciais, permitindo um tratamento mais eficaz e melhor qualidade de vida para os indivíduos afetados. A aplicação da IA na área da saúde é uma tendência crescente e que promete revolucionar nosso modo de viver. Vale a pena refletir sobre como podemos aproveitar ao máximo essa tecnologia para melhorar nossa sociedade e garantir um futuro mais saudável e próspero para todos.

