Em tempos de grandes mudanças, o exercício da consciência crítica é essencial para o discernimento e a preservação dos valores que conferem dignidade e esperança à vida, rejeitando aqueles que a degradam.
Diác. Adelino Barcellos Filho – Diocese de Campos/RJ.
Esses benefícios devem estar intrinsecamente ligados à educação familiar e à sólida formação catequética (em conformidade com o CIC – CDC), evitando superficialidades e desvios doutrinários. A educação familiar deve incluir a observância de preceitos de civilidade, como o uso de expressões como “com licença”, “por favor” e “obrigado”. “Porque meu povo se perde por falta de conhecimento; por teres rejeitado a instrução, te excluirei de meu sacerdócio; já que esqueceste a Lei de teu Deus, também eu me esquecerei dos teus filhos” (Oséias 4, 6).
O tema do 35º Curso para Bispos, realizado de 26 a 30 de janeiro, foi “A Transmissão da Fé num mundo em Transformação”. Para compreender melhor o assunto, é útil analisar a etimologia de “transformação”. A palavra deriva do latim transformatĭo, -onis, que é um substantivo formado a partir do verbo transformare, significando “mudar de forma” ou “mudar de aspecto”. Sua composição inclui o prefixo trans- (“através de”, “além de”) e formare (“dar forma”, derivado de forma), indicando, assim, uma alteração profunda na configuração ou estrutura.
Dom C. M. Polvani define a Inteligência Artificial (IA) como “instrumentos que solucionam problemas por meio de cálculo”. Além da IA, o conjunto de tecnologias conhecido como NBICs é relevante e engloba: nanotecnologia (produtos em escala nanométrica), biotecnologia (produtos e processos de origem biológica), Tecnologia da Informação (TI) (gestão e processamento de dados) e Ciências Cognitivas (relacionadas à percepção da realidade e que também são consideradas ciências sociais).
Em tempos de grandes mudanças, o exercício da consciência crítica é essencial para o discernimento e a preservação dos valores que conferem dignidade e esperança à vida, rejeitando aqueles que a degradam. Essa consciência abrange dimensões fundamentais, como a ética, a bioética e a moral, além da dimensão noética (o estudo das leis do pensamento lógico: identidade, contradição, terceiro excluído e razão suficiente).
É crucial firmar valores que sejam claros e inegociáveis. É preciso buscar a ajuda divina para vivenciar esses valores nas relações interpessoais, pois eles só se tornam reais e palpáveis quando são colocados em prática, manifestados na conduta, indo além da simples retórica. A manifestação dos Valores Humanos está intrinsecamente ligada a Deus.
Sem a Sua presença, Sua Revelação e a genuína Liberdade inerente aos filhos de Deus (conforme Romanos 8, 21), o resultado é a escravidão, a negação, a rejeição, a morte espiritual e a completa ausência divina (o inferno). É motivo de preocupação o fato de a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), que se fundamenta em princípios bíblicos, completar 78 anos com uma notável carência de resultados efetivos.
Este texto serve de referência apenas para alguns “profetas do nosso tempo”, corajosos, mas frequentemente marginalizados, vistos como loucos, antissociais, problemáticos ou lunáticos, e silenciados por covardes e demônios auspiciosos.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) estabelece que o reconhecimento da dignidade inerente e dos direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana é o alicerce da Liberdade, da Justiça e da Paz. De acordo com a DUDH, “Todas as pessoas nascem livres, iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir umas para com as outras em espírito de fraternidade.”
O Papa Leão XIV, durante a Audiência Geral de 4 de fevereiro de 2026, fez um apelo aos fiéis, sublinhando a importância da Palavra de Deus: “Em cada época, a Igreja é chamada a reapresentar a Palavra de Deus com uma linguagem capaz de se encarnar na história e de chegar aos corações. Queridos irmãos e irmãs, demos graças ao Senhor porque, em sua bondade, não permite que nossas vidas fiquem sem o alimento essencial da sua Palavra”.
A Inteligência Artificial, apesar de sua velocidade de operação, jamais alcançará a magnitude e a plenitude da Inteligência Humana. Esta última é vista como reflexo da Inteligência Infinita de Deus PAI, manifestada no FILHO (verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, gerado e não criado, que revela a Vontade da Inteligência Infinita e compartilha Sua substância), e perpetuada pelo ESPÍRITO SANTO, que procede do PAI e do FILHO. Essa é a Unidade perfeita: Três Pessoas em um Único Deus. Por isso, somos a Imagem e Semelhança divina.
Esses valores fundamentam nossa consciência e orientam nossas ações, definindo nossa visão de mundo e a ordem de prioridades cristãs católicas. Eles vão além de declarações superficiais ou raciocínios vazios, impedindo a minimização de pecados, sejam eles leves ou graves (“Vai, e não peques mais” – João 8, 11), para não comprometer o sentido salvífico da Cruz de Jesus Cristo.
A Misericórdia Divina é obtida por meio do arrependimento autêntico e sincero das transgressões (leves ou graves, contra a Lei de Deus e da Igreja). Este arrependimento deve ser seguido pela Confissão auricular ou, em situações extraordinárias, pela contrição perfeita. No entanto, a contrição perfeita é algo raro de se alcançar imediatamente, requerendo um exercício contínuo ao longo de toda a vida.
O Coração Misericordioso de Jesus Cristo permanece incorruptível, resistindo a quaisquer intenções ou tentativas de corrupção. É fundamental estarmos vigilantes, pois o inimigo é astuto e utiliza o engano (1Pedro 5, 8). Somos chamados à dedicação no trabalho, ao jejum e à oração, oferecendo sacrifícios pela unidade dos cristãos e por aqueles que traem a Fé de Jesus Cristo. Nossa vida deve ser um testemunho destemido da ressurreição de Cristo (Mateus 10, 28; 14, 27). Tenhamos coragem: Ele venceu o mundo e jamais nos abandona (João 16, 33).
A Palavra de Deus é clara: “Seja o vosso ‘sim’, sim, e o vosso ‘não’, não. O que passar disto vem do Maligno” (Mateus 5, 37). Deus é incorruptível. É fundamental lembrar a plenitude que nos foi dada para a união com o Pai. Deus Pai nos chama a seguir Seus ensinamentos para chegarmos à Luz (Jesus Cristo), abandonando as trevas sem temor.
Ele nos orienta em direção à caridade, transformando o coração em uma fonte de misericórdia e verdade, e a vida em um instrumento de justiça e paz. Assim, Ele soluciona conflitos e nos torna receptivos à vontade de Deus, que é Uno e Trino, na busca pela santidade. Em um contexto atual de desequilíbrio, provocado pela escassez de amor e de confiança em Deus, torna-se essencial o testemunho daqueles que O contemplam, para que possam servir ao próximo com o Seu Amor gratuito e misericordioso.
O documento eclesial “Antiqua et Nova” (Nota sobre a relação entre a inteligência artificial e a inteligência humana) estabelece a distinção fundamental entre a inteligência artificial (IA) e a inteligência humana. A IA processa dados e imita padrões, sendo puramente funcional, sem capacidade de pensar, sentir ou ter autoconhecimento. A inteligência humana, singular, é um dom criado à imagem e semelhança de Deus, Eterno e Todo Poderoso.
Sob a perspectiva da Sabedoria, os fiéis são chamados a exercer um papel de agentes responsáveis, utilizando a tecnologia para promover uma visão autêntica da pessoa humana e da sociedade [215]. Isso se baseia no entendimento de que o avanço tecnológico se insere no plano divino para a criação, constituindo uma atividade que a humanidade deve orientar rumo ao Mistério Pascal de Jesus Cristo, em uma busca incessante pela Verdade e pelo Bem (117).
Ó Virgem Mãe Imaculada, ajudai-nos a amar e a defender a Verdade, custe o que custar! Agradecemos. Louvado seja Deus sempre!
A Inteligência Artificial vem se tornando cada vez mais presente em nosso cotidiano, trazendo inúmeras facilidades e possibilidades de avanço tecnológico. Como servidor público há mais de 16 anos, vejo como essa tecnologia pode ser utilizada de forma ética e moral para melhorar a qualidade de vida da sociedade. É importante pensarmos em como podemos tirar o melhor proveito da Inteligência Artificial, garantindo que ela seja utilizada para o benefício de todos. É fundamental refletirmos sobre os aspectos morais envolvidos, buscando sempre o equilíbrio entre avanço tecnológico e valores éticos. Acredito que, se utilizarmos a Inteligência Artificial de maneira responsável, podemos transformar positivamente nossa sociedade e alcançar um futuro mais sustentável e inclusivo.

