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Conheça o país da Europa onde sobram vagas de emprego e faltam profissionais

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Envelhecimento acelerado e baixa natalidade fazem esse país buscar 300 mil trabalhadores qualificados por ano

(Foto: Ilustração/Unsplash)

Em uma sala de aula no sul da Índia, cerca de 20 enfermeiras estudam fervorosamente seu futuro novo idioma. Elas têm seis meses para alcançar fluência suficiente e disputar vagas de trabalho em hospitais europeus.

O destino é a Alemanha, que enfrenta uma escassez estrutural de profissionais qualificados. Em diversos setores, há mais vagas abertas do que candidatos disponíveis.

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A situação reflete um desequilíbrio demográfico que pressiona a maior economia da Europa. Para manter o ritmo produtivo, o país precisa recorrer cada vez mais à imigração.

Envelhecimento e déficit de mão de obra

A aposentadoria em massa da geração baby boomer, combinada com décadas de baixa taxa de natalidade, reduziu a força de trabalho ativa. O impacto já é visível em hospitais, escolas e empresas de tecnologia.

Estimativas do Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB) apontam que o país precisa atrair cerca de 300 mil trabalhadores qualificados por ano apenas para manter o atual nível econômico.

Sem essa reposição, a tendência é de jornadas mais longas, aposentadorias tardias e possível redução do padrão de vida. Especialistas alertam que a escassez compromete a competitividade internacional.

O recurso a trabalhadores estrangeiros não é novidade. No pós-guerra, a então Alemanha Ocidental recrutou milhões de imigrantes para sustentar o crescimento econômico, política que marcou a formação da sociedade alemã contemporânea.

Burocracia trava entrada de estrangeiros

Apesar da demanda urgente, o processo migratório ainda é considerado lento. Profissionais relatam dificuldades na validação de diplomas e na obtenção de autorizações permanentes de trabalho.

Dados do Escritório Alemão para Migração e Refugiados mostram que cerca de 160 mil estrangeiros com autorização de residência são classificados como trabalhadores qualificados. O número, porém, não supre a necessidade do mercado.

Advogados especializados afirmam que solicitações podem levar meses ou até um ano para serem analisadas. A falta de digitalização e de pessoal nas autoridades migratórias é apontada como um dos principais entraves.

Integração cultural é outro desafio

Hospitais alemães têm contratado profissionais da Índia e do Sri Lanka por meio de agências de recrutamento. Cada contratação pode custar milhares de euros às instituições.

Mesmo com apoio no ambiente de trabalho, barreiras linguísticas e adaptação cultural continuam sendo obstáculos. Relatos apontam que saudade da família e episódios de preconceito dificultam a permanência no país.

Para agilizar o processo, algumas clínicas criaram programas de estágio voltados a jovens estrangeiros recém-formados. A estratégia busca reduzir o tempo de reconhecimento de qualificações, que varia entre os 16 estados alemães.

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