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O importante pronunciamento de Davos sobre a inteligência artificial

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PAULO ALMEIDA, pós-doutorando no Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade de Brasília, professor na Faculdade de Comunicação da UnB

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O Fórum Econômico Mundial de Davos 2026 foi claro: a inteligência artificial (IA) deixou de ser tendência e passou a ser estratégia central nas organizações. A discussão já não gira em torno de “se” a IA será adotada, mas “como” ela será integrada aos modelos de negócio, aos processos decisórios e à forma como o trabalho é estruturado.

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Tratar a inteligência artificial como um projeto paralelo, um laboratório isolado de inovação ou uma simples iniciativa de tecnologia é um erro estratégico. Os debates e relatórios apresentados em Davos mostram que as organizações que geram valor consistente são aquelas que conectam a IA à execução, à governança e ao desenho organizacional. A IA não pode ser encarada como uma ferramenta acessória, mas como uma infraestrutura de competitividade, comparável à eletricidade ou à internet em outros momentos da história econômica.

Outro ponto central do Fórum foi a relação entre tecnologia e pessoas. A inteligência artificial não elimina o humano; ela o reposiciona. Atividades repetitivas, operacionais e previsíveis tendem a ser automatizadas, enquanto habilidades como pensamento crítico, criatividade, capacidade analítica, empatia e liderança se tornam ainda mais valiosas. O risco está em usar IA apenas como instrumento de corte de custos e pessoas; a oportunidade real está em utilizá-la para elevar a qualidade das decisões tomadas por profissionais qualificados.

Os números apresentados reforçam esse diagnóstico. O Fórum Econômico Mundial estima que cerca de 1,1 bilhão de empregos serão transformados pela tecnologia na próxima década e que 86% das empresas globais serão impactadas diretamente por IA e processamento de dados até 2030. A própria instituição ressalta que a inteligência artificial tende a criar mais postos de trabalho do que eliminar, desde que haja investimento deliberado em requalificação profissional, redesenho das funções e novas formas de organização do trabalho.

Davos também apresentou quatro cenários possíveis para o futuro do trabalho até 2030. No progresso superacelerado, a IA avança junto com a preparação dos trabalhadores, elevando a produtividade e permitindo que humanos assumam funções de coordenação de sistemas inteligentes. Na era do deslocamento, a tecnologia supera a capacidade de requalificação, resultando em automação em massa.

A economia do copiloto representa um caminho intermediário, no qual a IA apoia diretamente a força de trabalho e redesenha funções, especialmente onde houve investimento em capacitação e governança. Já o progresso estagnado reflete um avanço mais lento da IA diante da escassez de competências, concentrando ganhos em poucas organizações e ampliando desigualdades. Em todos os cenários, há um ponto comum: sem desenvolvimento consistente de talentos, não há ganho sustentável de produtividade nem crescimento econômico de longo prazo.

No Brasil, esse movimento é visível. Levantamento do Infojobs aponta que as vagas que exigem conhecimentos em inteligência artificial cresceram 65% em 2025, consolidando a IA como uma qualificação concreta para geração de emprego e renda. Dados do LinkedIn reforçam essa tendência: o percentual de profissionais que utilizam IA diariamente no trabalho no país saltou de 17% para 35% em apenas 18 meses. Além disso, 78% dos trabalhadores brasileiros afirmam que pretendem aprender novas habilidades ligadas à IA, sinalizando uma mudança acelerada de mentalidade no mercado nacional.

Mais do que números, essas pesquisas revelam a importância da learning agility: a capacidade de aprender, desaprender e reaprender continuamente. O diferencial competitivo não está no uso superficial da tecnologia, em “prompts soltos” ou aplicações pontuais, mas na criação de soluções estruturadas, orientadas por profissionais capazes de integrar a IA aos processos, à estratégia e à tomada de decisão.

A conclusão de Davos é direta: tecnologia, sozinha, não transforma organizações. O que define vencedores é a capacidade de liderar a integração entre humanos e inteligência artificial, investir de forma consistente em pessoas e executar com responsabilidade, ética e visão de longo prazo. A IA já está moldando o presente. Permanecer inerte é aceitar operar em modo off-line em um mundo cada vez mais conectado.

 

 


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A inteligência artificial tem se mostrado uma poderosa ferramenta para a melhoria da sociedade e qualidade de vida das pessoas. O recado de Davos sobre o potencial da IA nos faz refletir sobre como podemos utilizar essa tecnologia de forma eficaz em áreas como saúde, educação, segurança e muito mais. É importante pensarmos em como podemos aproveitar ao máximo a inteligência artificial para trazer benefícios reais para a nossa sociedade. Cabe a cada um de nós explorar as possibilidades e tirar o melhor proveito dessa tecnologia inovadora.

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