Escritórios brasileiros aceleram adoção de IA generativa para otimizar processos e criar soluções tecnológicas dentro do Direito
A transformação digital, que antes caminhava a passos graduais nos tribunais e bancas de advocacia, sofreu uma aceleração. De acordo com um relatório recente da Moody’s, o Brasil pode ter um aumento de produtividade entre 0,4% e 1,4% anualmente e as economias mais avançadas, de acordo com dados da agência baseados no FMI, podem ter um aumento de 1,2% a 2,9% ao ano, o que representaria uma escala exponencial de crescimento e novos negócios.
Quando aplicado para o cenário jurídico, a revolução pode ser ainda mais relevante no país. O uso da Inteligência Artificial (IA) no Brasil se consolidou como uma realidade estatística: em 2025, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou que 45,8% dos tribunais brasileiros já utilizam IA generativa, enquanto o anuário Análise Advocacia 2026 revela que 47% dos escritórios “Mais Admirados” do país incorporaram a tecnologia na rotina.
Com um acervo superior a 80 milhões de processos, o judiciário brasileiro virou um laboratório global de inovação, em que a automação, em segundos, a resolução de tarefas.
No centro dessa revolução está a busca por produtividade aliada à segurança jurídica. Segundo Alexandre Gleria, sócio-conselheiro e Diretor de TI e Inovação do /asbz, a transição para um ambiente altamente tecnológico precisa ocorrer de forma estruturada, de forma a garantir que o ganho de agilidade não comprometesse o sigilo das informações.
“Fomos um dos primeiros escritórios a ter uma aplicação massiva de IA para todos os usuários”, explica Gleria. “Firmamos parceria com a Google e migramos para o sistema Gemini com uma infraestrutura segura, a fim de respeitar o LGPD e proteger as informações confidenciais dos nossos clientes.”
A implementação da IA não altera apenas a velocidade dos processos, mas exige uma mudança nas competências exigidas dos advogados. O mercado começa a valorizar o chamado “meta-aprendizado”, em que a habilidade técnica é complementada pela capacidade de formular as perguntas certas e interpretar cenários complexos com empatia e intuição. Uma mudança que pode afetar desde o ensino acadêmico até a entrega final ao cliente, o que irá exigir, cada vez mais, um profissional multidisciplinar, com um olhar estratégico apurado.
“Acredito que a IA vai mudar as habilidades do mercado, para isso, o profissional do futuro precisará de algo além da habilidade técnica”, complementa Gleria. Os resultados práticos dessa mentalidade já são mensuráveis. Além da otimização na elaboração de petições, a tecnologia permitiu ao /asbz criar soluções que extrapolam o universo jurídico tradicional. Um exemplo é a automação do salvamento de e-mails em lote, uma dor comum em grandes corporações e que o escritório transformou em um produto tecnológico escalável para venda.
A expansão da inteligência artificial no Judiciário não é apenas uma tendência, mas uma resposta direta à taxa de congestionamento processual. Segundo o relatório Justiça em Números, o Brasil lida com uma carga de trabalho onde cada magistrado é responsável pela baixa de milhares de processos anualmente. Nesse contexto, ferramentas como o Projeto Victor (STF), que analisa temas de repercussão geral, e o Poti (TJRN), que automatiza bloqueios de ativos, demonstram que a IA está migrando de uma simples assistente de redação para uma camada crítica de triagem e execução, permitindo que o humano foque no mérito das causas mais complexas.
“Advogados com visão multidisciplinar serão valorizados, pois em questões sensíveis o cliente busca o profissional para avaliar cenários e emitir opiniões”, finaliza. Isso redefine o papel do advogado, que deixa de ser um mero solicitante de petições para se tornar um gestor de riscos, utilizando algoritmos para aconselhar clientes sobre a viabilidade econômica de litigar ou realizar acordos.
O cenário aponta para uma advocacia mais estratégica e tecnológica, com investimento estruturado em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Não será uma disputa ou uma substituição e, sim, um facilitador na rotina. De forma a valorizar ainda mais o pensamento estratégico e a responsabilidade humana.
A Inteligência Artificial está revolucionando a prática jurídica no Brasil, tornando o trabalho dos advogados mais eficiente e preciso. Com o uso de algoritmos e machine learning, é possível realizar análises de documentos e jurisprudências de forma rápida e precisa. Isso traz benefícios tanto para os profissionais do Direito como para os cidadãos, que podem obter um serviço jurídico de maior qualidade e com resultados mais satisfatórios. A tecnologia não substitui a atuação humana, mas sim aperfeiçoa e agiliza processos, possibilitando uma sociedade mais justa e equitativa. É importante explorar todas as possibilidades que a Inteligência Artificial oferece, para melhorar a nossa sociedade e garantir uma melhor qualidade de vida para todos.

