A infração 5002 é a multa aplicada à pessoa jurídica proprietária do veículo quando, após ser notificada de uma infração de trânsito, não indica quem era o condutor responsável no momento do fato. Ela decorre do artigo 257, § 8º, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e tem natureza exclusivamente pecuniária: não gera pontos na CNH, mas pode ter valores elevados, com forte impacto na gestão de frotas e no caixa das empresas.
A partir dessa resposta direta, é fundamental entender em detalhes o que é exatamente a infração 5002, quando ela é aplicada, como funciona a responsabilidade da empresa, quais são os valores envolvidos, como recorrer e, principalmente, quais cuidados adotar para evitar que essa multa se torne um problema recorrente na rotina da pessoa jurídica.
O que é a infração 5002
A infração 5002, também referida em algumas tabelas de enquadramento como “multa NIC” ou “multa por não identificação do condutor infrator”, corresponde à penalidade aplicada à pessoa jurídica que, sendo proprietária do veículo autuado, deixa de indicar o condutor no prazo legal.
Em termos práticos, a situação típica é a seguinte:
Veículo está registrado em nome de pessoa jurídica
Esse veículo comete uma infração de trânsito que gera pontos na CNH
O órgão de trânsito emite e envia a notificação de autuação ao proprietário
A notificação abre prazo para a indicação do condutor responsável pela infração
A empresa não realiza essa indicação dentro do prazo ou de forma válida
Diante dessa omissão, o CTB autoriza a aplicação de uma multa específica, de natureza administrativa, dirigida diretamente ao CNPJ, com código de enquadramento próprio: a infração 5002.
Não se trata, portanto, da infração originária (excesso de velocidade, avanço de sinal, uso de celular ao volante, etc.), mas de uma nova infração, autônoma, ligada ao descumprimento do dever de colaborar com o sistema de trânsito.
Base legal e lógica da infração 5002
A base legal da infração 5002 está no artigo 257 do CTB, especialmente nos parágrafos que tratam da responsabilidade pelo pagamento de multas e da indicação de condutor.
Em síntese, a lógica é a seguinte:
Quando uma infração é cometida, a regra geral é que a responsabilização seja pessoal do condutor (inclusive com pontos na CNH)
Se o condutor não é identificado no momento do flagrante (por exemplo, infrações por radar, lombadas eletrônicas, câmeras de semáforo), o proprietário do veículo é notificado para indicar quem dirigia
Quando o proprietário é pessoa jurídica e não indica o condutor, a lei cria uma penalidade própria, justamente para evitar que a responsabilidade fique “sem dono”
Ou seja, o CTB procura impedir que empresas “escondam” o infrator sob o CNPJ. A lógica é: não indicou o condutor, responde com multa específica por essa omissão.
Situações em que a infração 5002 é aplicada
A infração 5002 ocorre, na prática, em uma série de contextos envolvendo frota corporativa. Alguns exemplos comuns:
Empresas de transporte rodoviário
Caminhões, vans, ônibus e veículos de entrega circulam em diferentes turnos, com vários condutores. Infrações por excesso de velocidade, por exemplo, são registradas, mas a empresa não mantém controle de quem estava com o veículo naquele momento e acaba não indicando o motorista.
Locadoras de veículos
Veículos são locados para empresas ou particulares. Se a locadora não cumpre os procedimentos de indicação de condutor (ou não exige dados atualizados e assinaturas dos usuários), pode acumular inúmeras multas 5002, especialmente em grandes centros urbanos.
Grandes empresas com frota própria
Companhias com dezenas ou centenas de carros de uso administrativo podem receber diversas multas. Se não houver setor responsável pelo controle de notificações e pela indicação de condutores, os prazos expiram, dando origem à infração 5002.
Em todos esses casos, a falta de organização e de controle interno acaba se convertendo em penalidade financeira, porque o sistema de trânsito exige que haja alguém responsável pelas infrações cometidas.
Prazo para indicar o condutor e consequências da perda desse prazo
O ponto central para evitar a infração 5002 é o prazo. Em regra, a pessoa jurídica tem 30 dias, contados do recebimento da notificação de autuação, para indicar quem era o condutor do veículo no momento da infração.
Isso significa que:
O prazo é contado a partir da data indicada na notificação
A indicação deve seguir o procedimento exigido pelo órgão (formulário, assinatura, cópias de CNH, documentos da empresa, etc.)
Sem essa indicação dentro do prazo, o sistema considera que a empresa não colaborou, abrindo caminho para a multa 5002
Ao perder o prazo, a empresa sofre duas consequências principais:
Perde a chance de transferir os pontos da infração originária para o condutor efetivo
Passa a estar sujeita à autuação pela infração de não identificação (5002), com multa própria
Por isso, o controle rigoroso de prazos, seja por planilhas, seja por sistemas específicos, é indispensável para empresas com frota.
Natureza, valor e características da infração 5002
A infração 5002 é:
De natureza administrativa, dirigida à pessoa jurídica
Exclusivamente pecuniária (não gera pontos na CNH)
Calculada com base na infração originária, podendo haver multiplicadores conforme a gravidade e recidivas
A ideia do legislador foi conferir à multa 5002 um caráter suficientemente severo para desestimular a omissão. Não faria sentido aplicar um valor simbólico: se o valor fosse muito baixo, as empresas poderiam preferir pagar a multa a gastar tempo e estrutura para identificar condutores.
Em muitos estados e municípios, a tabela de enquadramento deixa claro que a multa 5002 não é classificada como leve, média, grave ou gravíssima no mesmo molde das infrações diretas de trânsito, justamente porque ela é derivada da não identificação e não da conduta original.
É importante notar:
A infração 5002 não substitui a multa original
A empresa continua responsável pela multa da infração que deu origem à notificação
A 5002 vem como uma penalidade adicional, ligada à omissão de indicar o motorista
Comparação entre infração originária e infração 5002

Para facilitar o entendimento, vale comparar a infração que deu origem ao problema com a infração 5002:
| Aspecto | Infração originária (ex.: velocidade, sinal vermelho) | Infração 5002 (não identificação do condutor PJ) |
|---|---|---|
| Quem é autuado | Condutor identificado; se não houver, proprietário | Pessoa jurídica proprietária do veículo |
| Base legal | Regra específica do CTB (ex.: art. 218, avanço de sinal, etc.) | Dever de indicar condutor (art. 257, § 8º) |
| Pontos em CNH | Sim, conforme natureza (4, 5, 7 pontos) | Não há pontuação |
| Finalidade | Punir a conduta perigosa ou irregular na via | Punir a omissão na identificação do motorista |
| Caráter | Diretamente ligada à circulação do veículo | Administrativa, ligada à colaboração com fiscalização |
Essa distinção é essencial: a infração 5002 não existe isoladamente; ela sempre nasce de uma infração anterior em que a empresa não informou, no prazo, quem dirigia.
Diferença de tratamento entre pessoa física e pessoa jurídica
O CTB trata de modo distinto o proprietário pessoa física e o proprietário pessoa jurídica quando não há indicação de condutor:
Pessoa física
Se não indica o condutor, em regra assume a responsabilidade pela infração originária, com multa e pontos em sua CNH.
Não há, para ela, uma “multa 5002” específica, visto que é possível a imputação direta da penalidade e da pontuação ao próprio proprietário.
Pessoa jurídica
Não tem CNH; portanto, não há como lançar pontos.
Se não indica quem dirigia, é penalizada com a multa 5002, que recai diretamente sobre o CNPJ, além de continuar respondendo pela multa originária.
Essa distinção reforça a lógica de que o regime da infração 5002 foi pensado para lidar especificamente com propriedades coletivas (empresas, associações, locadoras), que muitas vezes têm dezenas de condutores e precisam manter organização mínima para que a responsabilização seja efetiva.
Multiplicação de multas 5002 e impacto financeiro
Uma característica preocupante da infração 5002 é o potencial de multiplicação. Cada infração originária não acompanhada de indicação de condutor pode gerar uma multa 5002.
Em uma empresa com grande frota, isso pode significar:
Décadas de autos de infração ao longo do ano
Diversas multas 5002 por mês, em diferentes veículos e órgãos (municipais, estaduais, federais)
Acúmulo de valores que podem atingir cifras significativas, afetando diretamente o fluxo de caixa
Na prática, se a cultura interna da empresa é de negligenciar a indicação de condutor, a infração 5002 pode se tornar um passivo recorrente, corroendo recursos que poderiam ser usados para investimento ou para programas de segurança e treinamento de motoristas.
Nulidades e falhas comuns na aplicação da infração 5002
Como qualquer ação administrativa, a imposição da multa 5002 precisa observar requisitos formais e materiais mínimos. Algumas falhas são comuns e podem ser exploradas em recurso:
Falta de dupla notificação
Para muitos tribunais e órgãos, a pessoa jurídica precisa receber:
Notificação de autuação da infração originária, com prazo para indicar condutor
Notificação específica da penalidade de não identificação (infração 5002)
Se a empresa é surpreendida com uma cobrança de multa 5002 sem ter sido adequadamente notificada, há base para contestação.
Notificação enviada para endereço incorreto
Se o órgão envia a notificação para endereço errado, antigo ou desatualizado por culpa própria, e não da empresa, a ciência pode ser considerada inválida.
Erro no enquadramento
Há casos em que o órgão aplica o código 5002 em situações em que não caberia NIC, seja por tratar-se de infração que não gera pontos, seja por outras particularidades.
Descumprimento de prazos
O CTB estabelece prazos para expedição da notificação de autuação e de penalidade. Se o órgão ultrapassa esses prazos, pode haver decadência do direito de punir, o que autoriza o cancelamento.
Ausência de oportunidade real de indicação
Se a empresa comprovar que não teve oportunidade efetiva de indicar o condutor (por falha de comunicação, problemas no formulário, sistemas indisponíveis sem alternativas, etc.), esse argumento também pode ser levado à apreciação em defesa.
Como recorrer da infração 5002
O processo de contestação da infração 5002 segue, em linhas gerais, a mesma linha de qualquer multa de trânsito:
Defesa prévia
Apresentada após a notificação da autuação relativa à infração 5002.
Nessa fase o foco principal é em vícios formais: dados incorretos, ausência de requisito obrigatório, problemas de notificação.
Recurso em primeira instância (JARI)
Caso a defesa prévia seja rejeitada ou não seja apresentada, a empresa recebe a notificação de penalidade e passa a ter prazo para recorrer à Junta Administrativa de Recursos de Infrações.
Aqui se discutem tanto forma quanto mérito: se houve efetivamente a omissão, se a empresa teve oportunidade real de indicar o condutor, se os prazos foram respeitados, se houve dupla notificação adequada.
Recurso em segunda instância (CETRAN ou órgão superior)
Mantida a penalidade pela JARI, está aberta a possibilidade de novo recurso ao conselho de trânsito de segunda instância.
Nessa fase, reforçam-se argumentos, apontam-se contradições da decisão anterior e busca-se uma análise mais detida do caso.
Alguns argumentos comuns em recursos de infração 5002:
Ausência de notificação específica da NIC
Sem notificação regular, não há como exigir o pagamento da multa.
Comprovação de envio de indicação de condutor
Se a empresa provar, por protocolo, envio digital ou AR, que indicou o condutor, mas o órgão não processou, isso pode levar ao cancelamento da penalidade.
Erro na vinculação da multa 5002 à infração originária
Por exemplo, NIC emitida para infração que, por sua natureza, não geraria pontuação ou não exigiria indicação.
Irregularidades no cadastro e na comunicação
Diferença de CNPJ, erro no registro do veículo, confusão entre filial e matriz, podem ser fundamentos a serem explorados conforme o caso.
Boas práticas para empresas: como evitar a infração 5002
Mais eficiente do que recorrer é organizar a operação para impedir que a infração 5002 se repita. Algumas medidas estratégicas são essenciais:
Cadastro de condutor principal
Indicar, no cadastro do veículo junto ao órgão de trânsito, o condutor principal. Isso facilita a atribuição de responsabilidades e reduz o risco de omissão.
Controle rigoroso de uso dos veículos
Registrar quem pega cada veículo, em que dia, em qual horário e para que finalidade. Isso pode ser feito por planilhas, sistemas de frota ou aplicativos específicos.
Setor ou responsável pela gestão de multas
Ter uma área ou uma pessoa encarregada de receber notificações, monitorar prazos, providenciar indicações de condutor, gerir recursos e manter contato com os órgãos de trânsito.
Políticas internas claras
Estabelecer, em contratos de trabalho ou regulamentos internos, como serão tratadas as multas cometidas por empregados: ressarcimento, advertência, efeitos em bônus, entre outros mecanismos.
Uso de tecnologia de rastreamento
Rastreadores, telemetria e sistemas de bordo auxiliam a saber quem estava com o veículo, em qual trajeto e em que horário, viabilizando identificação rápida e precisa do condutor.
Treinamento e conscientização
Programas de treinamento de direção defensiva, palestras e campanhas internas contribuem para redução de infrações originárias, diminuindo a chance de NIC.
Perguntas e respostas sobre a infração 5002
O que é a infração 5002?
É a multa aplicada à pessoa jurídica proprietária de veículo que, após receber notificação de autuação, não indica o condutor responsável pela infração no prazo legal. Trata-se de uma penalidade autônoma, focada na omissão da empresa em identificar o motorista.
A infração 5002 gera pontos na CNH?
Não. A infração 5002 não gera pontos, pois não é dirigida à pessoa física e sim à pessoa jurídica. É uma penalidade exclusivamente pecuniária.
A empresa paga apenas a multa 5002 ou também a multa original?
Na maior parte dos casos, a empresa continuará responsável pela multa originária (por exemplo, excesso de velocidade) e ainda será penalizada pela omissão em indicar o condutor, por meio da infração 5002. Ou seja, a NIC não substitui a infração original, mas se soma a ela.
Qual é o prazo para indicar o condutor e evitar a multa 5002?
Em regra, o prazo é de 30 dias, contados da data da notificação de autuação da infração originária. Dentro desse prazo, a empresa deve seguir o procedimento do órgão de trânsito e encaminhar a identificação do motorista.
Se a empresa não recebeu a notificação, mesmo assim pode ser multada pela 5002?
Para que a infração 5002 seja válida, a empresa deve ter sido regularmente notificada, com endereço correto e observância das regras do CTB. Se não houver prova de notificação, ou se houver falhas relevantes, isso pode ser fundamento para cancelamento da multa em recurso.
É necessária uma notificação específica para a infração 5002?
Sim. Em geral, entende-se que a pessoa jurídica deve receber duas notificações: uma referente à infração originária e outra específica sobre a penalidade pela não identificação do condutor. A falta de uma dessas notificações pode ser arguida em defesa.
Vale a pena recorrer de multa 5002?
Na presença de vícios formais, ausência de notificação adequada, erro de enquadramento ou prova de que a empresa tentou indicar o condutor, sim, vale a pena recorrer. A análise caso a caso é essencial para avaliar as chances de êxito.
Como a empresa pode evitar a reincidência de infrações 5002?
Com organização de frota, controle de motoristas, uso de tecnologia, setor específico para gestão de notificações e criação de políticas internas claras de responsabilização, além de incentivo à condução responsável.
Conclusão
A infração 5002 é um instrumento importante do sistema de trânsito brasileiro para garantir que a responsabilidade pelas infrações não se perca quando o veículo pertence a pessoa jurídica. Ao penalizar a omissão em indicar o condutor, o CTB estimula as empresas a manterem controle rigoroso sobre o uso de seus veículos e sobre o comportamento de seus motoristas.
Embora não gere pontos em CNH, a multa 5002 tem forte impacto econômico, especialmente para empresas com grandes frotas ou com cultura de pouca atenção a notificações de trânsito. O acúmulo de NICs pode representar um passivo significativo, que corrói recursos e compromete a sustentabilidade financeira do negócio.
Ao mesmo tempo, a aplicação da multa 5002 deve respeitar as garantias do devido processo legal, como notificação adequada, respeito a prazos, possibilidade de defesa e recurso. Falhas procedimentais, ausência de dupla notificação, equívocos no enquadramento e problemas de comunicação podem justificar pedidos de cancelamento na via administrativa ou judicial.
Para o advogado que atua na área, compreender em profundidade a lógica da infração 5002, seus fundamentos legais, as etapas de defesa e os pontos mais frequentes de nulidade é fundamental para oferecer orientação qualificada às empresas. Para as pessoas jurídicas, o caminho mais seguro é investir em gestão de frota, controle de condutores e cultura interna de respeito à legislação de trânsito.
Em última análise, a infração 5002 não existe apenas para “punir”, mas para induzir uma mudança de postura: transformar a relação da empresa com o trânsito em algo mais responsável, transparente e organizado, no qual cada infração tenha um responsável claramente identificado e a segurança viária seja um compromisso coletivo.