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A Importância da Soberania em Inteligência Artificial para o Desenvolvimento do País

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Desde 2019, a comunidade científica internacional vem alertando sobre a iminente transformação provocada pela inteligência artificial (IA). A pandemia de Covid-19 apenas acelerou o que já estava em curso: uma revolução tecnológica profunda, com impactos econômicos, sociais e geopolíticos em escala global.

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Diferentemente de revoluções anteriores, hoje não são os Estados que protagonizam a nova corrida, mas sim empresas privadas, startups e o setor energético, alavancando soluções que prometem redução de custos, aumento de produtividade e transformação completa de modelos de negócios. A ascensão da IA não é uma tendência — é uma realidade. E o Brasil, infelizmente, não ocupa sequer um lugar relevante na plateia desse movimento.

Falo com conhecimento de causa. Presido uma Instituição Científica e Tecnológica (ICT) que abriga 42 empresas e startups no ecossistema do Ideas Hub. Mais de 50% já têm produtos ou soluções desenvolvidos com IA. Mas nenhuma consegue operar com infraestrutura nacional. Todas usam servidores no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na China.

O motivo é simples: o custo da infraestrutura no Brasil é proibitivo. Um computador básico com GPU dedicada para estudos custa, em média, R$ 25 mil no mercado nacional. O mesmo equipamento, nos Estados Unidos, sai por cerca de US$ 2.300 (aproximadamente R$ 13.500). Uma placa de entrada, como a Nvidia Orin Nano, ideal para formação técnica, custa R$ 4 mil aqui e apenas US$ 249 lá fora — menos de R$ 1.400. É até três vezes mais barato formar profissionais de IA no exterior do que no Brasil.

Se formos considerar os custos com servidores e energia, o cenário se torna ainda mais desfavorável. Enquanto países desenvolvidos enfrentam escassez energética para alimentar seus data centers, o Brasil tem uma matriz energética robusta, com excedente, limpa e altamente favorável para abrigar centros de computação de alta performance. Temos energia, território e capital humano. Falta-nos apenas uma estratégia nacional clara e objetiva.

É urgente discutirmos a isenção fiscal para a importação de equipamentos científicos, o fortalecimento da infraestrutura em universidades e centros de pesquisa e a criação de programas de estímulo à inovação com foco específico em IA. Incentivar o setor privado sem resolver o gargalo estrutural é condenar o país à dependência tecnológica permanente.

O Brasil tem a oportunidade de se tornar um polo estratégico em IA, desde que haja vontade política, visão de longo prazo e coragem para investir no que mais importa: infraestrutura, pesquisa e capacitação. Um único dia de atraso nessa corrida equivale a anos de defasagem tecnológica.

Se quisermos que nossos profissionais deixem de buscar oportunidades fora do país, precisamos oferecer aqui as condições mínimas para que inovação e ciência floresçam. O momento de agir é agora.

*Nichollas Marshell é presidente da ICT Ideas Hub-Paraná

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