O capital confirma essa virada. Em 2025, até o fim de novembro, houve mais de 100 transações de data centers, com valor total pouco abaixo de US$ 61 bilhões. Essa cifra funciona como termômetro. O mercado já precificou a infraestrutura de inteligência artificial como classe de ativo. O interesse se dirige ao que sustenta escala, com resiliência e retorno previsível.
Neste cenário, a tese fica ainda mais nítida. Em 2026, a indústria tenderá a premiar abordagens integradas. Design avançado sem fabricação de alto rendimento vira promessa. Fabricação de ponta sem ecossistema de software vira músculo sem coordenação.
Software brilhante sem memória, energia e empacotamento vira vitrine. O caminho sustentável exige integração vertical em pontos críticos ou, no mínimo, alianças sólidas e duradouras entre quem projeta, quem fabrica e quem otimiza. E exige obsessão por eficiência energética, porque energia virou o limite que decide a curva de crescimento.
Essa leitura também muda a forma de enxergar “tecnologias que parecem ficção científica”. Elas já existem, mas pedem infraestrutura real. Assistentes capazes de operar fluxos inteiros, modelos multimodais com respostas em tempo quase imediato, robótica com percepção avançada e computação no edge dependem de chips eficientes e previsíveis. A magia aparente nasce de uma cadeia longa, onde um atraso em memória ou um gargalo em empacotamento compromete todo o castelo.
A conclusão merece firmeza. A corrida por chips de inteligência artificial passou a definir mais do que desempenho. Ela define acesso à capacidade, autonomia industrial e velocidade de inovação. O mundo entrou na fase em que a inteligência artificial progride no ritmo que a indústria consegue fabricar, alimentar e resfriar.
Em 2026, vencerá quem tratar chips como fundação, energia como estratégia e software como instrumento de eficiência. O resto soará como nostalgia de uma era em que bastava “ter uma boa ideia”.
Por Daniela Colin, Diretora de Procurement e Desenvolvimento de Produto na Positivo Tecnologia. Formada em Administração de Empresas com ênfase em Comércio Exterior pela Universidade Regional de Joinville, possui pós-graduação em Administração de Materiais pela INPG Business School.
*Texto publicado originalmente na Tecmundo
(Foto: Reprodução/Freepik)

