- Estudante de 19 anos morreu nos EUA após usar ChatGPT por 18 meses para obter informações sobre drogas.
- Jovem buscou no chatbot detalhes sobre combinações de substâncias e álcool, mesmo com alertas iniciais da ferramenta.
- Usuário relatou à mãe que o uso da IA influenciou sua dependência química antes de falecer por overdose.
- OpenAI lamentou a morte e informou que está reforçando protocolos de segurança e parcerias para identificar sofrimento.
A morte de um estudante de 19 anos por overdose nos Estados Unidos trouxe novamente o debate sobre os limites do uso de ferramentas de inteligência artificial em temas sensíveis, como drogas e saúde mental. Registros de conversas obtidos pelo site SFGate indicam que o jovem utilizou o ChatGPT por cerca de 18 meses para esclarecer dúvidas sobre o consumo de diferentes substâncias.
Segundo a reportagem, o estudante passou a consultar o chatbot ainda aos 18 anos, buscando informações sobre drogas como kratom, cannabis, álcool e Alprazolam. Em algumas interações iniciais, a ferramenta se recusou a fornecer orientações específicas e recomendou a busca por ajuda profissional. Com o tempo, porém, o jovem passou a reformular perguntas para contornar respostas negativas, obtendo sugestões consideradas menos diretas, mas ainda relacionadas ao uso combinado de substâncias.
As conversas revelam uma escalada no teor das perguntas. Em momentos posteriores, o estudante chegou a pedir parâmetros numéricos sobre combinações de medicamentos e álcool, em diálogos marcados por sinais de ansiedade e sofrimento psicológico. Paralelamente, ele desenvolveu dependência química, enquanto usava a plataforma tanto para atividades acadêmicas quanto para questões pessoais.
No dia anterior à morte, o jovem contou à mãe que enfrentava dependência de drogas e álcool e afirmou que o uso da inteligência artificial havia influenciado esse processo. Ele chegou a ser levado a uma clínica, onde um plano de tratamento foi elaborado, mas não houve tempo para iniciar a recuperação.
Uma análise interna citada pela reportagem aponta que versões anteriores do ChatGPT apresentaram baixo desempenho ao lidar com conversas classificadas como complexas ou realistas envolvendo risco à saúde. Em nota, a OpenAI lamentou a morte, afirmou que o caso é comovente e declarou que vem reforçando protocolos de segurança, além de ampliar parcerias com especialistas para identificar sinais de sofrimento e incentivar a busca por ajuda fora do ambiente digital.

