O acordo do Mercosul com a União Europeia, aguardado por mais de 25 anos, finalmente foi assinado. O convênio foi firmado neste sábado (17) e não contou com a presença do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o país foi representado pelo chanceler Mauro Vieira.
Para a Fiesc (Federação das Indústrias de SC), a parceria é um passo significativo para a “inserção internacional do Brasil em um dos maiores mercados consumidores do planeta”.
Em nota pública, divulgada logo após a assinatura do acordo do Mercosul, a Fiesc afirmou que a medida tem “potencial de fortalecimento da indústria catarinense”, uma vez que, conforme estudo da entidade, em 2025, a União Europeia ultrapassou a China como destino das exportações catarinenses.
“No ano passado, as vendas do estado para a União Europeia somaram US$ 1,35 bilhão, um incremento de 10,66% em relação a 2024. As exportações para a UE foram responsáveis por 11,1% das vendas catarinenses ao exterior”, afirma a manifestação.
Acordo do Mercosul com União Europeia vai ‘potencializar’ indústria catarinense, diz entidade
Para o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, a assinatura ocorre no momento em que as tensões geopolíticas reconfiguram as cadeias produtivas globais. “Para Santa Catarina e o Brasil, ter acordos como esse é importante para diversificar destinos de exportações e minimizar impactos de mudanças repentinas nas relações comerciais, como o que ocorreu com o tarifaço norte-americano”, disse.
“Já temos uma relação forte e estabelecida com o bloco, e o acordo vai potencializar as possibilidades de parceria, já que Santa Catarina tem relevância geopolítica e econômica para o Mercosul. O estado é um hub logístico, produtivo, turístico, de serviços e de integração física graças a sua posição geográfica e infraestrutura portuária”, avalia Seleme.
Para a entidade, o acordo do Mercosul com a União Europeia vai além do comércio de produtos e serviços. “O Acordo de Parceria entre União Europeia-Mercosul é o mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul, e contempla alianças estratégicas em áreas como defesa, tecnologia, direitos humanos e relações do trabalho, além de sustentabilidade e mudanças climáticas”, entende a Fiesc.
“Em Santa Catarina temos relações históricas graças a imigração de europeus, além de compartilharmos valores e princípios democráticos, de respeito às regras e normas do multilateralismo e de respeito aos direitos humanos, além de uma corrente de comércio robusta”, destaca Seleme.
O que prevê a parceria entre países do Mercosul e União Europeia?
O acordo Mercosul-UE cria uma zona de livre comércio entre os países-membros dos dois blocos, com a eliminação de tarifas sobre cerca de 90% das exportações. Entre os produtos beneficiados, estão medicamentos, máquinas industriais, veículos e fertilizantes. O acordo comercial abrange:
- produtos e serviços;
- cronogramas redução ou eliminação gradual de tarifas;
- cotas;
- regras de origem;
- normas regulatórias e de investimentos.
Após a assinatura neste sábado (17), a ratificação do convênio acontece por maioria simples no Parlamento Europeu e submetida pelos países do Mercosul aos seus respectivos Congressos, para aprovação e publicação oficial pelo executivo. O acordo interino será integrado ao Acordo de Parceria (EMPA, na sigla em inglês) quando for aprovado.
Um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) estimou que, em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE, foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil.

