Criptomoedas e empresas baseadas em inteligência artificial que abriram capital no ano passado teriam puxado para baixo o desempenho de todas as estreias públicas nos EUA, fazendo com que ficassem atrás do índice S&P 500, de forte peso em tecnologia.
As ações de todas as empresas que abriram capital no ano passado — excluindo fundos fechados e companhias de “cheque em branco” — avançaram 13,9% em média ponderada, ficando abaixo do ganho comparativo de 16% do S&P 500, informou a Bloomberg na segunda-feira.
O ano passado viu alguns dos maiores players da indústria cripto abrirem capital, à medida que o governo Trump deu a Wall Street a confiança para apoiar empresas de cripto com bilhões de dólares. No entanto, nem todas tiveram bom desempenho.
Apostas em empresas de inteligência artificial também se mostraram arriscadas, com nomes como a desenvolvedora de data centers Fermi e a plataforma de despesas apoiada por IA Navan ficando abaixo do desempenho desde seus IPOs.
Uma das maiores e melhores estreias de cripto foi a do emissor de stablecoins Circle Internet Group (CRCL), que levantou US$ 1,05 bilhão em junho. A empresa precificou seu IPO a US$ 31 e viu suas ações saltarem 170% no primeiro dia.
Desde então, a ação da Circle enfraqueceu à medida que o Bitcoin BTCUSD recuou de seu pico em outubro, com os papéis da companhia fechando a US$ 79,30 em 31 de dezembro, abaixo do preço de fechamento do dia de estreia. Atualmente, a Circle acumula queda de quase 70% em relação ao pico acima de US$ 263, tendo encerrado a segunda-feira a US$ 84,80.
A corretora cripto dos gêmeos Winklevoss, Gemini (GEMI), que estreou em setembro, esteve entre os piores desempenhos de IPOs cripto em 2025.
A Gemini precificou seu IPO a US$ 28 e, embora tenha inicialmente subido para um pico acima de US$ 32,50, havia caído 64,5% até 31 de dezembro, para US$ 9,92. Houve leve recuperação para US$ 11,12 na segunda-feira.
As ações da exchange cripto Bullish (BLSH), que abriu capital em agosto, se saíram apenas um pouco melhor. Elas abriram a US$ 37 e fecharam o primeiro dia de negociação a US$ 68, mas recuaram para US$ 37,87 em 31 de dezembro, aproximando-se do preço do IPO.
2025 foi um ano misto para estreias públicas
Mike Bellin, líder de IPOs nos EUA na consultoria PwC, disse à Bloomberg que o ano passado “foi um ano claramente misto para IPOs”, à medida que o mercado reabriu de forma seletiva, com a barra para empresas de tecnologia em estágio inicial subindo significativamente.
IPOs de porte médio teriam apresentado desempenho mais fraco em comparação aos maiores, com ações de ofertas precificadas entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão avançando em média ponderada 5,6%, frente a uma média de 20% para aquelas avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais.
O maior IPO do ano passado foi o da fornecedora de equipamentos médicos Medline, de US$ 7,2 bilhões, cujas ações subiram 40% desde a estreia em meados de dezembro. A segunda maior oferta foi a da exportadora de gás Venture Global, de US$ 1,75 bilhão, que foi reduzida em 40% antes da estreia, e cujas ações despencaram 72%, tornando-se uma das piores estreias.
“A principal conclusão é que estamos firmemente de volta a um mercado guiado por fundamentos”, disse Bellin. “Os investidores se tornaram muito mais seletivos, e as empresas precisam entrar no mercado com uma narrativa mais afiada e uma direção operacional mais forte.”

