Volatilidade Extrema Marca Fevereiro de 2026 no Mercado de Criptomoedas
O mercado de criptomoedas continua enfrentando uma das períodos mais desafiadores de 2026, com o Bitcoin oscilando entre quedas acentuadas e recuperações pontuais. Neste domingo, 8 de fevereiro, o Bitcoin (BTC) é negociado em torno de US$ 69 mil a US$ 70,5 mil, refletindo a volatilidade que caracteriza o mercado digital nos últimos dias.
Bitcoin: Entre a Recuperação e a Incerteza
Nas últimas 24 horas, o Bitcoin apresentou variações significativas, com quedas de até 1,1% intercaladas por altas de 2,96% a 3,59%. A criptomoeda acumula perdas de 16,71% na semana anterior, apesar dos sinais de recuperação observados neste fim de semana. O preço atual representa uma queda de aproximadamente 50% em relação ao pico histórico de US$ 126 mil registrado em outubro de 2025.
Analistas apontam que a volatilidade é impulsionada por três fatores principais: saídas significativas de ETFs de Bitcoin (US$ 1 bilhão em janeiro e US$ 528 milhões em 2 de fevereiro), pressões macroeconômicas como inflação persistente nos EUA e postura hawkish do Federal Reserve, além de tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã que aumentam a aversão ao risco global.
Ethereum Sob Pressão: Queda Acentuada Abaixo de US$ 2.100
O Ethereum (ETH), segunda maior criptomoeda por capitalização de mercado, enfrenta pressão ainda mais intensa. A moeda digital caiu abaixo do nível crítico de US$ 1.826 em 6 de fevereiro e atualmente é negociada em torno de US$ 2.060 a US$ 2.109, acumulando queda de 22% na semana.
O Ethereum apresenta desconto de quase 60% em relação ao seu pico de US$ 4.953 registrado em agosto de 2025. Especialistas atribuem a queda a uma combinação de fatores: sinais de abrandamento no mercado de trabalho americano, inflação que desestimula cortes agressivos de taxas da Fed, e aversão ao risco generalizada que afeta toda a classe de ativos de risco.
Altcoins Sofrem Perdas Ainda Maiores
As altcoins (criptomoedas alternativas) sofrem perdas ainda mais acentuadas. A Monero liderou as perdas com queda de 32% em sete dias, despencando de US$ 487 para US$ 330. Solana (SOL), apesar de avançar 5,53% nas últimas 24 horas, acumula queda de 25,25% na semana.
No entanto, alguns projetos mostram resiliência: LayerZero (ZRO) avançou 6,2% nas últimas 24 horas, enquanto o índice CoinMarketCap 20 recuperou 3,69% após alívio nos mercados globais.
Migração para Stablecoins Reflete Busca por Segurança
Em resposta à volatilidade extrema, investidores realocaram capital para ativos mais seguros. As stablecoins aumentaram sua dominância de 10% em janeiro para aproximadamente 13% do mercado cripto total. Tether (USDT) e USD Coin (USDC) movimentam mais de 90% do volume global de transações de stablecoins, consolidando seu papel como refúgio em períodos de incerteza.
Essa migração reflete uma mudança comportamental importante: investidores institucionais e varejistas estão priorizando a preservação de capital em detrimento da exposição a ativos voláteis.
Contexto Geopolítico Amplifica Volatilidade
A volatilidade do mercado cripto não ocorre em isolamento. A economia global em 2026 está fragmentada em blocos antagônicos claramente diferenciados: Estados Unidos priorizando desregulação e inteligência artificial como motor de crescimento; China consolidando alianças com Rússia e BRICS para dominar tecnologias críticas como terras raras; e potências emergentes como Brasil e México atuando como pontes multipolares.
Essa fragmentação geopolítica eleva a volatilidade nos mercados financeiros e reordena fluxos de capital globais. As criptomoedas, como ativos digitais nativos da internet, são particularmente sensíveis a essas dinâmicas, refletindo a incerteza sobre o futuro da ordem econômica internacional.
Regulação de Stablecoins Avança nos EUA
Em desenvolvimento positivo para o setor, o Congresso americano aprovou a primeira lei majoritária de criptomoedas, estabelecendo regras específicas para stablecoins. A legislação visa criar um marco regulatório claro para moedas digitais atreladas a ativos reais, facilitando transferências instantâneas globais.
A aprovação segue intenso lobby da indústria cripto em 2024 e representa um passo importante na legitimação das criptomoedas como ferramentas financeiras. No entanto, um projeto mais amplo sobre supervisão regulatória permanece parado no Senado americano.
Incidente Inusitado na Coreia do Sul
Em um incidente que ilustra os riscos operacionais do setor, uma firma sul-coreana de criptomoedas distribuiu acidentalmente mais de US$ 40 bilhões em Bitcoin a clientes em 7 de fevereiro. A empresa compensou os usuários com aproximadamente US$ 13,66 e isenção de taxas, evitando uma crise maior.
O incidente destaca a importância de sistemas de controle robusto e procedimentos de verificação em exchanges de criptomoedas, especialmente quando se trata de transações de grande volume.
Perspectivas para as Próximas Semanas
Analistas da Polymarket indicam 64% de probabilidade de Bitcoin atingir US$ 75 mil em fevereiro, sugerindo otimismo moderado sobre recuperação de curto prazo. No entanto, existem também previsões pessimistas, com 37% de chance de queda para US$ 60 mil.
O mercado aguarda dados econômicos importantes: inflação americana (IPC) e reunião na Casa Branca sobre stablecoins com bancos e indústria cripto estão programadas para os próximos dias. Esses eventos podem servir como catalisadores para movimentos significativos de preço.
Busca por Bitcoin Atinge Pico de 12 Meses
Apesar da queda de preço, dados do Google Trends mostram que buscas por “Bitcoin” atingiram pico de 12 meses após a criptomoeda cair para US$ 60 mil. O fenômeno sugere retorno do interesse varejista, potencialmente sinalizando fase final de bear market e possível acumulação futura.
Historicamente, picos de interesse de varejo durante quedas de preço precedem recuperações significativas, embora não haja garantias em mercados tão voláteis.
Análise Técnica: Sharpe Ratio em Mínimas Históricas
Indicadores técnicos revelam condições extremas no mercado. O Sharpe Ratio do Bitcoin atingiu mínimas históricas, indicando alto risco em relação aos retornos esperados. Esse padrão é frequentemente associado a fases finais de bear markets, sugerindo possível acumulação institucional nos próximos meses.
Analistas apontam que o mercado pode estar se preparando para consolidação massiva, com possíveis aquisições de projetos menores por grandes empresas, conforme indicado pelo CEO da Bullish, Tom Farley.
Ouro Supera Bitcoin Como Refúgio
Em desenvolvimento significativo, ouro superou Bitcoin como ativo refúgio preferido, com preço ultrapassando US$ 5 mil por onça. O fenômeno reflete preferência de investidores institucionais por ativos tradicionais em períodos de incerteza geopolítica extrema.
Essa dinâmica contrasta com narrativas anteriores que posicionavam Bitcoin como “ouro digital”. A realidade atual sugere que, apesar da adoção institucional crescente via ETFs, Bitcoin ainda é percebido como ativo de risco em contextos de aversão ao risco sistêmico.
Conclusão: Mercado em Transição
O mercado de criptomoedas em fevereiro de 2026 está em transição crítica. A volatilidade extrema, pressões regulatórias, tensões geopolíticas e dinâmicas macroeconômicas criam um ambiente desafiador para investidores. No entanto, sinais como picos de interesse varejista, aprovação de legislação sobre stablecoins e possível acumulação institucional sugerem que o setor pode estar se posicionando para recuperação futura.
Investidores devem monitorar atentamente dados econômicos, desenvolvimentos regulatórios e dinâmicas geopolíticas nos próximos dias, pois esses fatores provavelmente determinarão a direção do mercado cripto nas próximas semanas.
O Bitcoin continua a oscilar em torno de US$ 70 mil, enquanto o mercado cripto enfrenta pressões regulatórias e geopolíticas. Para aqueles que acompanham o mundo das criptomoedas, é um momento de reflexão sobre como aproveitar ao máximo essa volatilidade para obter potenciais fontes de recursos financeiros. Acompanhar as tendências do mercado e estar atento às mudanças regulatórias pode ser fundamental para quem deseja explorar novas oportunidades nesse universo em constante evolução. Cabe a cada um de nós refletir e decidir qual o melhor caminho a seguir.

