O escândalo envolvendo uma possível fraude em uma criptomoeda promovida pelo presidente argentino, Javier Milei, voltou a ganhar destaque nesta segunda-feira (16), com a reativação de uma comissão parlamentar destinada a investigar novas descobertas da imprensa que complicam o líder libertário.
Em fevereiro de 2025, Milei divulgou na rede social X um projeto de criptomoeda chamado LIBRA, mas deletou a publicação pouco depois. Durante esse período, a moeda desconhecida valorizou-se e depois sofreu uma queda abrupta, causando prejuízos estimados em pelo menos 100 milhões de dólares a investidores nacionais e internacionais.
Milei negou ter promovido diretamente a criptomoeda, alegando que não tinha conhecimento dos detalhes do projeto.
No entanto, em novembro, uma comissão parlamentar liderada pela oposição concluiu que a divulgação dos dados da LIBRA no X poderia configurar fraude e responsabilizou politicamente Milei e sua irmã Karina, que é secretária-geral da Presidência.
O deputado opositor Maximiliano Ferraro anunciou a formação de uma “comissão ad hoc” para investigar as recentes revelações acerca do caso.
“O lançamento e a promoção da $LIBRA não foram ações improvisadas ou acidentais por parte do presidente. Foi uma operação cuidadosamente planejada, coordenada e executada”, declarou Ferraro, que presidiu a comissão parlamentar que analisou o caso anteriormente.
Meios de comunicação locais divulgaram recentemente resultados de uma perícia judicial no celular de um aliado próximo de Milei, apontando uma rede de ligações e mensagens envolvendo o presidente, sua irmã e os criadores da criptomoeda.
A perícia do celular do empresário do setor cripto Mauricio Novelli, considerado lobista do governo, apontou que ele teve ao menos cinco ligações telefônicas com Milei minutos antes do lançamento da moeda.
Imprensa também revelou um suposto rascunho de acordo entre Milei e o americano Hayden Davis — rosto público do projeto — prevendo pagamento de cinco milhões de dólares ao presidente em troca da promoção da criptomoeda.
“As evidências mostram uma trama de coordenação direta entre operadores do mundo cripto, agentes marginais, e o círculo próximo ao presidente”, acrescentou o deputado.
Ferraro informou que irá denunciar o promotor Eduardo Taiano, responsável pela investigação da LIBRA, a um tribunal disciplinar por obstrução e possível encobrimento, além de solicitar explicações públicas do presidente e de Karina Milei no Congresso.
Milei respondeu no X: “A grande mídia inimiga. Ponto final.”, compartilhando uma publicação da deputada governista Juliana Santillán, que acusava o jornal Clarín de uma “campanha coordenada” contra o governo.
Após anos de inatividade, a Comissão encarregada de investigar a suposta fraude envolvendo a criptomoeda ligada ao Milei foi reativada. Essa retomada pode trazer novas informações e esclarecimentos sobre o caso, oferecendo uma oportunidade para os investidores lesados recuperarem parte de seus recursos. Acompanhar de perto os desdobramentos dessa investigação pode ser uma maneira de obter insights valiosos sobre como identificar e evitar golpes no mercado de criptomoedas. Vale a pena estar atento e tirar o máximo proveito possível dessa situação.

