Um relatório da Citrini Research conseguiu inverter o sinal do entusiasmo em Wall Street. Intitulado “A Crise Global de Inteligência de 2028”, o estudo não apresenta uma previsão formal, e sim um exercício teórico: imaginar um cenário em que a inteligência artificial funcione perfeitamente. A hipótese é que o sucesso absoluto da tecnologia possa corroer os próprios fundamentos da economia de consumo.
A reação do mercado foi de cautela. Algumas das principais empresas associadas à infraestrutura tecnológica e à economia digital tiveram suas projeções revisadas para baixo. IBM, American Express, Mastercard, Uber e grupos de private equity como KKR e Blackstone estiveram entre as companhias que sofreram ajustes negativos. No setor de cibersegurança, o impacto foi mais amplo: o conjunto das empresas da área perdeu mais de US$ 20 bilhões em valor de mercado em poucos dias, refletindo a reprecificação do risco diante do novo cenário.
O movimento não configurou colapso, mas evidenciou a sensibilidade dos investidores a qualquer narrativa que coloque em dúvida o modelo de crescimento baseado em IA. O cerne do relatório descreve uma “espiral de deslocamento da inteligência humana”. À medida que agentes autônomos se tornam mais eficientes e baratos, empresas substituem trabalhadores por sistemas automatizados para ampliar margens. A redução de salários em larga escala diminui o consumo agregado. A queda na demanda pressiona receitas corporativas, o que incentiva novos ciclos de automação para reduzir custos. O mecanismo retroalimenta a desaceleração.
Nesse cenário projetado para 2028, o desemprego nos Estados Unidos alcançaria 10,2%, enquanto o S&P 500 acumularia queda de 38% em relação ao pico. Surge então o conceito de “PIB fantasma”. A produção e a produtividade crescem nas estatísticas nacionais, mas a riqueza não circula na economia real. O valor gerado fica concentrado no capital e na infraestrutura computacional, sem passar pelas famílias via salários. A velocidade do dinheiro diminui. Máquinas produzem com eficiência máxima, porém não consomem bens discricionários.
Outro ponto central é a erosão da intermediação. Grande parte dos modelos de negócio atuais depende da fricção humana: inércia para cancelar assinaturas, lealdade construída por hábito ou dificuldade de comparar preços. Agentes de IA operando 24 horas por dia eliminariam essas ineficiências, escolhendo sempre a opção mais barata e rápida. Setores que lucram por estarem entre produtor e consumidor poderiam perder relevância quando barreiras de informação e complexidade forem dissolvidas por algoritmos. O chamado ágio de conveniência deixaria de existir.
No setor de software como serviço, ferramentas de codificação autônoma permitiriam que empresas desenvolvessem internamente aplicações antes contratadas de terceiros. O modelo de receita recorrente passaria por forte compressão. No setor financeiro, agentes autônomos poderiam transacionar diretamente via stablecoins, reduzindo o espaço para intermediários tradicionais. Em crédito e imóveis, modelos de risco baseados na estabilidade de renda ficariam sob pressão caso o desemprego estrutural avance entre trabalhadores qualificados.
Para os governos, o impasse é fiscal. A estrutura tributária moderna depende majoritariamente da renda do trabalho e dos encargos sobre folha de pagamento. Se a produção migrar do trabalho humano para a máquina, a base de arrecadação encolhe exatamente quando cresce a necessidade de financiar auxílios de transição. A migração do valor para o processamento computacional cria um vazio tributário que ainda não possui solução consensual.
Há, evidentemente, um contraponto. Economistas que evocam o conceito de “destruição criativa”, formulado pelo célebre economista do século XX Joseph Schumpeter, defendem que ondas tecnológicas eliminam setores enquanto criam outros. A inteligência artificial poderia ampliar o poder de compra ao reduzir custos, liberar capital e abrir mercados hoje inexistentes. O histórico das revoluções industriais sugere realocação de trabalho, ainda que com períodos de fricção.
A divergência reside na velocidade. A escala e a rapidez da IA superam ciclos anteriores de inovação. Se a transição ocorrer em ritmo superior à capacidade de adaptação da economia, o intervalo entre substituição e criação pode gerar choques profundos.
O relatório da Citrini não afirma que esse desfecho é inevitável. Ele sugere que o mercado ainda não precificou adequadamente o impacto de uma inteligência abundante e barata. Durante séculos, o valor econômico esteve ligado à escassez de capacidade cognitiva humana. Se essa escassez desaparecer, a arquitetura do consumo, da renda e da tributação pode precisar ser redesenhada.
A pergunta que permanece é direta e incômoda: se as máquinas passarem a produzir quase tudo com eficiência máxima, quem sustentará a demanda?
A Inteligência Artificial tem se mostrado cada vez mais presente em nossas vidas, trazendo inúmeros benefícios para a sociedade. No entanto, um relatório recente aponta para uma possível recessão causada pela super produtividade da IA, o que pode gerar um impacto significativo no PIB global.
É importante refletir sobre como podemos utilizar a Inteligência Artificial de forma estratégica, de modo a potencializar seus benefícios e minimizar possíveis consequências negativas. A busca por um equilíbrio entre a produtividade da IA e a preservação dos empregos e da economia é essencial para garantirmos um futuro sustentável para todos.
É fundamental considerar como a IA pode ser usada de forma ética e responsável, visando sempre o bem-estar da sociedade. A tecnologia deve ser uma aliada na busca por uma melhor qualidade de vida e não um obstáculo para o progresso. Cabe a cada um de nós pensar em como podemos contribuir para um uso consciente da Inteligência Artificial e para a construção de um futuro mais promissor.

