Os empregados afirmam que a IA ainda não está economizando muito tempo em seu trabalho diário e muitos relatam sentir-se sobrecarregados ao tentar incorporar a tecnologia às suas funções. Enquanto isso, as empresas estão gastando somas enormes em inteligência artificial, apostando que a capacidade da tecnologia de acelerar tudo, das vendas às funções administrativas, inaugurará uma nova era de eficiência e crescimento dos lucros.

A distância entre a experiência real de executivos seniores e trabalhadores com a IA generativa é grande, segundo uma nova pesquisa da consultoria de IA Section com 5.000 profissionais.
Dois terços dos funcionários que não ocupam cargos de gestão disseram economizar menos de duas horas por semana, ou nenhum tempo, com o uso da IA. Em contraste, mais de 40% dos executivos afirmaram que a tecnologia lhes economiza mais de oito horas de trabalho por semana.
“Os executivos automaticamente assumem que a IA vai ser a salvadora”, disse Steve McGarvey, designer de experiência do usuário em Raleigh, na Carolina do Norte. “Não consigo contar quantas vezes procurei uma solução para um problema, perguntei a um LLM e ele me deu uma resposta completamente errada para uma questão de acessibilidade”, afirmou, referindo-se a um modelo de linguagem de grande escala.
McGarvey, de 53 anos, disse que alguns usos específicos da IA, como utilizar o Perplexity como assistente de pesquisa, já lhe pouparam bastante tempo. Mas parte de seu trabalho é garantir que pessoas com deficiência visual consigam acessar sites. Segundo ele, passou várias sessões explicando a um robô de IA por que uma solução sugerida não funcionaria.
“A menos que você tenha julgamento ou discernimento na sua área, pode realmente causar danos a uma base de consumidores — ou a uma equipe — simplesmente assumindo que tudo o que um LLM diz é factual”, afirmou.
Os trabalhadores da pesquisa da Section foram muito mais propensos a dizer que se sentem ansiosos ou sobrecarregados com a IA do que empolgados — o oposto do que ocorre com executivos do alto escalão. Além disso, 40% de todos os entrevistados disseram que não se importariam em nunca mais usar IA. A forma mais comum de uso das ferramentas de IA relatada foi para tarefas básicas, como substituir buscas no Google ou gerar rascunhos de texto. Bem menos pessoas disseram utilizá-las para tarefas mais complexas, como análise de dados ou geração de código.
Um novo relatório da empresa de software corporativo Workday chega a chamar as frustrações com a tecnologia de um “imposto da IA” sobre a produtividade. Embora 85% dos cerca de 1.600 funcionários pesquisados tenham relatado economizar de uma a sete horas por semana com o uso de IA, grande parte desse tempo foi anulada pela necessidade de corrigir erros e refazer conteúdos gerados pela tecnologia.
Parte do desafio é a incerteza sobre o que a IA faz bem ou mal, disse Dan Hiester, engenheiro de experiência do usuário de 44 anos, em Seattle. No verão passado, Hiester recorreu a um modelo de linguagem para corrigir um código, esperando que o processo levasse menos de meia hora. Acabou levando a tarde inteira. Por outro lado, outra tarefa que antes levaria dias foi concluída em apenas 20 minutos com a IA generativa.
“Isso redefiniu completamente a minha noção de como estimar o tempo necessário para fazer algo”, disse Hiester.
Quaisquer que sejam as mudanças que a IA esteja trazendo para as operações e os empregos, os presidentes de empresas afirmam que isso ainda não se refletiu no resultado financeiro. Em uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers com CEOs apresentada nesta semana no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, apenas 12% disseram que a IA gerou benefícios tanto de custo quanto de receita. Mais da metade dos quase 4.500 executivos entrevistados no mundo afirmou não ter visto ganhos financeiros significativos até agora.
Algumas empresas já relataram iniciativas ambiciosas com IA que depois exigiram a ajuda de humanos. A empresa de pagamentos Klarna recorreu à IA em 2024 para substituir o trabalho de centenas de atendentes terceirizados. Mais tarde, a companhia voltou atrás e contratou cerca de uma dúzia de trabalhadores humanos temporários para lidar com questões mais complexas.
No Duolingo, aplicativo de aprendizado de idiomas, o CEO Luis von Ahn disse em um memorando aos funcionários no ano passado que a empresa “gradualmente deixaria de usar prestadores de serviço para trabalhos que a IA consegue fazer”.
Posteriormente, ele afirmou que esperava continuar contratando, mas que a IA iria “acelerar o que fazemos, no mesmo nível ou em um nível melhor de qualidade”. No fim, o número de funcionários da empresa cresceu 14% em relação ao ano anterior, escreveu von Ahn no LinkedIn.

Seis em cada dez entrevistados em uma pesquisa do Wall Street Journal com o instituto NORC no verão passado classificaram a IA e outras novas tecnologias principalmente como uma ameaça à economia dos EUA, devido ao potencial de substituir trabalhadores bem remunerados. O restante disse acreditar que a tecnologia levará ao surgimento de novos produtos e a ganhos de produtividade.
“As pessoas são céticas”, disse o senador Mark Kelly (democrata do Arizona) em um evento recente em Washington, D.C., voltado à preparação da força de trabalho americana para a IA. Esforços amplos para apoiar os trabalhadores no treinamento em IA ajudariam a torná-los mais dispostos a aprender e usar a tecnologia, afirmou.
“Se a indústria conquistar a confiança dos trabalhadores em relação à IA, a adoção vai aumentar e as empresas colherão os ganhos de produtividade”, disse Kelly.
Escreva para Lindsay Ellis — lindsay.ellis@wsj.com
Traduzido do inglês por InvestNews
O avanço da Inteligência Artificial tem sido apontado por CEOs como uma ferramenta essencial para tornar o trabalho mais eficiente. No entanto, funcionários relatam uma realidade diferente, destacando desafios e preocupações em relação ao impacto da IA em seus empregos e rotinas diárias. A utilização da tecnologia pode trazer benefícios como automatização de tarefas repetitivas e ganho de tempo, mas também levanta questões sobre o futuro do mercado de trabalho e a necessidade de adaptação dos profissionais. É importante refletir sobre como podemos utilizar a Inteligência Artificial de forma consciente e responsável para garantir uma sociedade mais equilibrada e uma melhor qualidade de vida para todos. Como servidor público há mais de 16 anos, vejo na Inteligência Artificial uma oportunidade de inovação e melhoria, mas também reconheço a importância de discutir e analisar de forma crítica os impactos dessa tecnologia em nosso cotidiano. Cabe a cada um de nós refletir sobre como podemos tirar o melhor proveito da IA para construir um futuro mais justo e sustentável.

