A Randstad Research, divisão de pesquisas da Randstad, líder global de soluções completas de Recursos Humanos, lançou o relatório “O impacto da IA no mercado de trabalho brasileiro”, que analisa como a Inteligência Artificial deve transformar o emprego, os setores econômicos e as relações de trabalho no país ao longo da próxima década. O levantamento combina métodos quantitativos e qualitativos e revela que, apesar da adoção ainda tímida da tecnologia no Brasil, seus efeitos já começam a aparecer — e devem se intensificar rapidamente.
Atualmente, apenas 16,9% das indústrias brasileiras de médio e grande porte utilizam soluções de IA, segundo a PINTEC/IBGE, mas 75% das empresas globais afirmam que devem incorporar a tecnologia nos próximos cinco anos, de acordo com o World Economic Forum. Para segmentos que dependem de rotinas administrativas ou de análise de dados, a IA tende a acelerar mudanças estruturais.
A análise conduzida pela Randstad Research aponta quatro grandes efeitos da IA no emprego: automação, ganho de produtividade, criação de novas funções e atividades sem impacto direto. O estudo estima que 9,7 milhões de postos de trabalho — cerca de 9,5% dos empregos atuais — sejam potencialmente automatizáveis, principalmente aqueles ligados a tarefas repetitivas, administrativas e de processamento de informação.
Outros 17,3 milhões de trabalhadores devem ter sua produtividade elevada por meio do uso de IA, o que demanda novas competências, mas não necessariamente substituição. A projeção também indica que 7,1 milhões de novas vagas devem surgir até 2034, impulsionadas pelo avanço tecnológico e pela necessidade crescente de profissionais especializados em IA, dados e inovação. A Randstad ressalta que esse impacto deve ser entendido como parte de uma transformação ampla e contínua, e não como o desaparecimento definitivo de determinadas ocupações.
O relatório também mapeou como os impactos variam entre os setores econômicos. Áreas como atividades administrativas, tecnologia da informação, telecomunicações, finanças e produção audiovisual estão entre as mais expostas à automação. Já segmentos como TI, telecom e atividades científicas e técnicas aparecem como os principais polos de geração de novos empregos. Em contrapartida, setores como agricultura, indústrias extrativas, construção civil e serviços domésticos tendem a sofrer baixa interferência da IA, com a maioria das funções permanecendo estável.
A etapa qualitativa do relatório ouviu mais de 800 profissionais brasileiros e mostra que a IA já faz parte da rotina de uma parcela significativa da força de trabalho: um em cada quatro trabalhadores utiliza ferramentas de IA no dia a dia, e metade afirma que a tecnologia já está presente em suas empresas. Apesar disso, 77% dos entrevistados nunca receberam treinamento formal para utilizar essas soluções, enquanto 87,6% demonstram interesse em se capacitar. O levantamento também revela um cenário de insegurança: 60% dos profissionais têm medo de perder o emprego para a IA, especialmente em áreas administrativas, financeiras e operacionais. Nesse contexto, projetos de regulamentação em discussão no Brasil, como o PL 2.338/2023, são considerados fundamentais para garantir o uso seguro e ético da tecnologia.
A metodologia do estudo combina uma análise quantitativa baseada no modelo global do WEF – Jobs of Tomorrow (2023) e no estudo Large Language Models and Jobs, cruzando essas referências com dados do IBGE, como a PNAD Contínua e a CNAE 2.0. Essa etapa estimou o impacto da IA considerando a média dos dados de ocupação do país em 2024. Já a análise qualitativa envolveu trabalhadores de todas as regiões e níveis de formação, incluindo empregados, desempregados e pessoas em busca de recolocação, e investigou percepções gerais sobre uso da IA, expectativas profissionais e receios sobre substituição.
De acordo com Mônica Souza, Diretora de Negócios da Randstad Operational, “A IA não deve substituir o trabalho humano de forma massiva, mas redesenhar profundamente como ele é realizado. A Randstad aponta que setores intensivos em conhecimento, tecnologia e comunicação tendem a concentrar as maiores oportunidades e os maiores desafios”.
Para as empresas, o novo cenário exige investimentos constantes em qualificação e upskilling, adoção responsável da IA e preparação de lideranças e equipes para novos modelos de trabalho. Para os profissionais, a capacidade de adaptação contínua deve se tornar o principal diferencial para garantir empregabilidade na próxima década.
Sobre a Randstad
Fundada em 1960, na Holanda, a Randstad é líder em recrutamento e soluções completas de recursos humanos, com presença consolidada em 39 países, onde emprega diariamente mais de 650 mil pessoas. Com quatro especializações, a Randstad atua como parceira dos talentos e atende empresas de todo o mundo em seus desafios de gestão de pessoas e em diferentes áreas de negócios. A companhia também impulsiona a carreira de milhares de profissionais por meio de suas oportunidades de trabalho. No Brasil, desde 2011, conta com mais de 1000 colaboradores, e já contratou mais de 250 mil pessoas em todas as regiões do país.
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FABIANA SIQUEIRA DA COSTA
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