A pouco mais de um ano das eleições gerais de 2026, quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados, a Justiça Eleitoral já acende o alerta para os impactos da inteligência artificial no processo democrático.
O tema foi debatido durante palestra realizada no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), em Belo Horizonte, pela professora de Direito Eleitoral Marilda Silveira, que destacou que a tecnologia ampliou de forma significativa os riscos de disseminação de desinformação.
Segundo ela, o avanço da inteligência artificial representa uma transformação profunda na sociedade, comparável a grandes marcos históricos.
“Não é apenas o surgimento de mais uma ferramenta. É uma revolução que muda tudo, inclusive quem nós somos. Isso impacta diretamente as eleições, e precisamos estar atentos para atravessar essa transição sem perder nossos valores”, afirmou.
A professora explicou que a facilidade para criar imagens, vídeos e áudios falsos torna mais simples a produção de conteúdos capazes de favorecer ou prejudicar candidatos.
Por isso, a Justiça Eleitoral tem ampliado a atenção não apenas ao comportamento dos eleitores, mas também ao papel desempenhado por candidatos, plataformas digitais e até agentes estrangeiros.
“A preocupação não é só com o que o eleitor publica, mas também com o que candidatos e empresas fazem. Se uma plataforma, por exemplo, dá mais alcance a conteúdos favoráveis a um candidato, isso pode configurar abuso”, destacou.
Marilda citou como exemplo o caso da Romênia, onde eleições chegaram a ser anuladas após a constatação de interferência externa no processo eleitoral. Segundo ela, o Brasil acompanha esse tipo de situação e mantém mecanismos para coibir práticas semelhantes.
Apesar dos desafios, a professora ressaltou que a Justiça Eleitoral brasileira tem histórico de atuação firme. “Ela é resiliente e preparada para enfrentar esses problemas, mesmo diante de tecnologias que avançam muito rápido”, afirmou.
Ao falar diretamente ao eleitor, Marilda reforçou a importância do senso crítico diante do volume de informações que circulam nas redes. “Nunca parta do pressuposto de que a primeira coisa que você vê é verdade. É fundamental questionar, buscar outras fontes e comparar versões”, orientou.
Segundo ela, distinguir fatos de opiniões e valores é essencial para uma escolha consciente. “O contraditório é o que nos permite chegar mais perto da verdade. Olhar os dois lados ajuda o eleitor a formar seu próprio juízo e votar com mais consciência”, concluiu.

