Um dos maiores aprendizados que tive este ano, em minhas imersões no Vale do Silício, não veio de uma linha de código, mas de uma sensação térmica: o poder do Peer Pressure (a pressão dos pares).
A cena foi a seguinte: visitei uma das maiores empresas de verificação de identidade do mundo. Tive a oportunidade de passar 30 minutos com o CEO logo após ele ter levantado uma rodada de US$ 200 milhões que jogou o valor de mercado da empresa para a casa dos US$ 2 bilhões.
Eu estava impressionado. “Uau, 2 bi… um marco incrível”, comentei. Ele olhou para mim, sem nenhum entusiasmo, e soltou a frase que alugou um triplex na minha cabeça: “É… mais ou menos. Mas olha a OpenAI com 300 bilhões”.
Aquilo mudou minha percepção de escala. O cara tinha acabado de consolidar um império em Machine Learning e Visão Computacional, mas se sentia “pequeno”. Por quê? Porque o capital busca o retorno exponencial. Se a referência do investidor é o múltiplo da OpenAI, um unicórnio de US$ 2 bi parece uma caderneta de poupança.
Construindo na tempestade
Eu sinto essa pressão na pele todos os dias enquanto construo a Labrynth aqui no Vale. Não importa se o que estamos desenvolvendo em Product & AI é tecnicamente excelente; a régua de comparação não é mais o concorrente direto, mas a velocidade insana com que o ecossistema inteiro se move. Estar imerso nesse ambiente, construindo tecnologia ao lado de quem está reescrevendo a realidade, te obriga a sair da zona de conforto por pura sobrevivência.
Ou você acelera, ou vira nota de rodapé.
A dinâmica do Botão Vermelho
Essa “paranoia produtiva” gera o que chamamos de Code Red.
Quando o ChatGPT surgiu, o CEO do Google, Sundar Pichai, não viu apenas um produto novo. Ele viu um risco existencial. Emitiu um “Code Red” e pivotou um transatlântico inteiro para a IA Generativa.
Eu fui um crítico ferrenho das primeiras respostas do Google. Mas o Peer Pressure funcionou. Eles apanharam, aprenderam e recentemente lançaram o Gemini 3, retomando a liderança técnica (como analisei na coluna passada).
Mas a resposta foi imediata.
O contra-ataque
O que se fala nos corredores aqui é que, no minuto em que o Gemini 3 saiu, foi a vez de Sam Altman bater no botão vermelho da OpenAI.
A resposta foi brutal: lançamento do GPT-5.2, aceleração dos roadmaps e integração total de Apps — agora você roda o Lovable e outras soluções direto no chat. Em três anos, saímos de curiosidade para uma guerra termonuclear de inovação.
Sinais de campo
O que define o vencedor hoje não é só a tecnologia, é quem está sentado na mesa ao lado.
- A relatividade do Sucesso: Para aquele CEO, US$ 2 bilhões é pouco porque o “par” dele vale US$ 300 bilhões. Isso o obriga a correr mais.
- Velocidade de Reação: O ciclo de Code Red encurtou. O Google levou meses para responder ao ChatGPT; a OpenAI levou dias para responder ao Gemini.
Conclusão
A pressão dos pares costuma ter uma conotação negativa, mas no Vale do Silício ela é combustível. É ela que impede que eu, na Labrynth, ou aquele CEO de 2 bilhões, fiquemos confortáveis.
Se o Google, com recursos infinitos, precisou entrar em pânico para não morrer, o que te faz pensar que seu negócio está seguro?
A pergunta que deixo hoje é:
Quem são os seus pares? Eles estão te puxando para a zona de conforto ou estão fazendo você se sentir incomodado o suficiente para apertar o seu próprio Code Red?
