Las Vegas, 09/01/2026 – Grandes empresas de várias partes do mundo estão adotando inteligência artificial (IA) no segmento de saúde. O uso é bastante diversificado e passa por acelerar a pesquisa médica, antecipar o diagnóstico e tratamento de doenças, bem como encurtar o ciclo de produção de medicamentos. Há também uma gama variada de aplicações voltadas ao monitoramento de sinais vitais no dia a dia da população e melhora do bem-estar.
A saúde digital se tornou um segmento tão grande que mereceu um espaço próprio na edição deste ano da Consumer Electronic Show (CES), maior feira de tecnologia do mundo, realizada em Las Vegas, e encerrada nesta quinta-feira, 8.
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“O uso de inteligência artificial acelera todas as etapas, desde a descoberta até a fabricação de medicamentos. Terapias que salvam vidas podem chegar ao mercado até 50% mais rápido”, apontou o presidente da Siemens, Roland Busch, durante sua palestra na feira.
No ano passado, a Siemens pagou US$ 5,1 bilhões para comprar a startup Dotmatics, criadora de um programa que ajuda a digitalizar e analisar dados de laboratórios com uso de IA. A aquisição mostrou o apetite da gigante alemã pelo segmento.
Produção de réplicas
A Siemens também está comercializando programas que produzem réplicas (os chamados gêmeos digitais) de linhas de produção de medicamentos, o que permite aos fabricantes um planejamento mais rápido e mais preciso. Por exemplo: um grande desafio para o setor é ampliar a produção de pequenos lotes de remédios para volumes em grande escala. Ao adotar o gêmeo digital de um biorreator, por exemplo, é possível simular os experimentos e seus resultados antes de iniciar a produção de fato, cortando perdas de recursos com tentativa e erro.
Outra gigante de tecnologia que passou a dar mais ênfase ao mercado de saúde digital foi a americana Advanced Micro Devices (AMD), tradicional fabricante de chips do Vale do Silício. Durante a abertura da CES, a presidente da AMD, Lisa Su, dedicou uma parte relevante do seu tempo no palco para mostrar o portfólio de chips e serviços destinados aos laboratórios de pesquisas médicas. O mote é que o crescimento exponencial da capacidade de processamento dos computadores ao longo dos anos ajudará a elevar também o ritmo de produção científica.
“A detecção do câncer está ocorrendo mais cedo, com supercomputadores analisando dados em grande escala. Os pacientes estão recebendo terapia mais cedo com modelagem computacional de sistemas biológicos complexos. Tratamentos promissores estão avançando mais rapidamente por meio da simulação molecular. A medicina está se tornando mais personalizada, e os resultados dos pacientes estão melhorando”, disse a presidente da AMD.
O pano de fundo para o otimismo é que a pesquisa científica tem que lidar com um volume elevado de dados, o que antes exigia um trabalho exíguo, lento e incerto por parte dos pesquisadores. Mas esse jogo está virando graças ao poder dos chips e da IA, disse Jacob Thaysen, presidente da Illumina, empresa que desenvolve e comercializa tecnologias de sequenciamento de DNA e análise genética. Segundo ele, os sequenciadores da companhia geram mais dados do que o YouTube no seu dia a dia.
“De uma forma simplificada, podemos pensar no genoma humano com 3 bilhões de letras, ou um livro com 200 mil páginas. E isso está em cada uma das nossas células. Se houver apenas um erro na escrita nesse livro, isso pode significar a diferença entre uma vida longa e saudável e uma vida curta e terrível“, ponderou. “Portanto, o sequenciamento de DNA preciso é extremamente importante”.
(Por Circe Bonatelli)

