O dicionário Merriam-Webster elegeu “slop” como a palavra do ano de 2025. O termo descreve a avalanche de conteúdos digitais de baixa qualidade associados ao uso massivo de IA. O termo também reflete na rotina do trabalho, com o “workslop“.
Um novo estudo realizado pela Read AI indica que a maior barreira para a produtividade nas empresas brasileiras não é a falta de tecnologia, mas o acúmulo desestruturado de informações, que dá origem a um conceito crescente chamado workslop: informações com aparência organizada, mas de baixa qualidade, que obrigam as pessoas a refazerem tarefas em meio a uma vasta gama de sistemas de informação isolados.
Segundo o levantamento, quase três quartos dos trabalhadores brasileiros utilizam IA no trabalho e, segundo a pesquisa, 83% dos respondentes trabalham em múltiplas aplicações, e 70% dizem perder tempo revisitando notas ou procurando informações antigas para compreender discussões e decisões passadas.
Os resultados indicam uma demanda crescente por ferramentas capazes de organizar informações, preservar o conhecimento institucional e interpretar proativamente os insights. Para 82% dos respondentes, a solução ideal seria uma “memória inteligente”, uma IA capaz de aprender com o comportamento da equipe e reter o conhecimento institucional para reduzir retrabalho, evitar a perda de decisões importantes e permitir que cada indivíduo progrida mais a cada dia. Isso significa que eles querem sistemas que preservem o que suas equipes já sabem e os guiem para a ação.
“As pessoas estão pedindo mais automação, juntamente com confiança e continuidade”, diz David Shim, CEO e cofundador da Read AI. “O futuro do trabalho depende de sistemas que aprendam como colaboramos, ajudando a preservar o conhecimento coletivo e capacitando as equipes a avançarem com clareza. Ter uma compreensão completa dos detalhes e do contexto do trabalho deveria ser tão simples quanto ler um feed de notícias personalizado e receber recomendações em tempo real, feitas sob medida para você”, acrescenta.
Leia também:
– Por que você precisa de um orçamento para IA em 2026
– Uso de IA torna as empresas mais atrativas? Segundo estudo, sim!
Fluxos de trabalho fragmentados e produtividade perdida
Esse cenário revela um padrão mais profundo: sobrecarga digital e ferramentas fragmentadas continuam a drenar a produtividade. O estudo mostra que aplicativos dispersos, sistemas desconectados, informações fragmentadas e workslop gerado por IA fazem com que os profissionais gastem mais tempo buscando contexto do que executando tarefas de alto valor.
A dependência da memória e de anotações pessoais, a dificuldade de rastrear responsáveis por decisões e as interrupções causadas por ausências ou transferências reforçam um problema estrutural: sem sistemas integrados, as organizações perdem não apenas eficiência, mas também memória institucional. Metade dos profissionais admite perder prazos ou tarefas porque depende da memória ou de anotações pessoais, enquanto 52% dizem que frequentemente não sabem quem é responsável por uma decisão quando a informação está espalhada entre diferentes ferramentas. O custo humano é evidente.
Perda de continuidade e processos lentos
A fragmentação também impacta a rotina diária. 64% afirmam que atividades como agendamento, follow-ups e coordenação entre equipes levam mais tempo do que deveriam. Outros 63% relatam que férias, ausências e transições atrapalham o andamento de projetos porque as informações não estão centralizadas.
Não se trata apenas de uma questão operacional. Os profissionais têm dificuldade em manter a continuidade, e as organizações acumulam ineficiências invisíveis, muitas vezes sem perceber o custo estratégico.
Confiança como base para adoção de IA
Apesar desses desafios, os profissionais permanecem otimistas quanto ao potencial da IA, desde que seja transparente e confiável. Mais da metade (52%) afirmou que se sentiria confortável trabalhando ao lado de uma inteligência artificial que aprenda continuamente com seus hábitos, desde que haja clareza sobre seu papel e limitações.
Isso revela uma mudança importante: a confiança, e não apenas a inovação, é o que define a prontidão para a adoção da IA. As pessoas estão menos interessadas na tecnologia em si e mais em como ela se encaixa nos fluxos de trabalho humanos, se ela escuta, se adapta e explica seu raciocínio.
A pesquisa também identificou que 38% dos profissionais valorizam o armazenamento seguro e auditável de dados, enquanto 39% se sentiriam mais confiantes se a IA aprendesse com o comportamento coletivo e se adaptasse às práticas da empresa. Esses resultados indicam que as ferramentas de IA mais bem-sucedidas serão aquelas que combinam inteligência com responsabilidade.
Como observa Shim, “transparência, segurança e impacto comprovado são os pilares que farão com que as pessoas realmente adotem essas tecnologias. A próxima geração de IA não visa substituir o trabalho humano, mas devolver tempo às pessoas, fornecer clareza e ajudá-las a alcançar seus objetivos.”
O que os profissionais esperam da IA
Quando questionados sobre quais capacidades teriam maior impacto em sua produtividade, 37% dos respondentes mencionaram ferramentas que possam revisar reuniões e sugerir ações ou próximos passos, um sinal claro de que os profissionais valorizam IAs que transformam conversas em execução.
35% disseram que gostariam que a IA construísse e atualizasse automaticamente uma base de conhecimento unificada a partir de múltiplas plataformas, refletindo a crescente fadiga com os silos de informação. De forma semelhante, cerca de um terço dos respondentes apontou como desejáveis resumos semanais ou alertas sobre tópicos relevantes, funções que transformam dados dispersos em insights acionáveis.
Capa: via Depositphotos
