Não é verdade que fotos provam que os EUA bombardearam imagens de caças desenhados no chão por iranianos. Os registros que circulam nas redes foram gerados por ferramentas de IA. Não há provas de que americanos tenham tentado explodir pinturas de aeronaves feitas por forças do Irã.
Publicações com o conteúdo sintético acumulavam mais de 1 milhão de visualizações no X, 200 mil visualizações no TikTok e 4.000 curtidas no Instagram até a tarde desta quarta-feira (11).
Os EUA gastaram mais de US$ 100 milhões em bombardeios que atingiram DESENHOS feitos no chão pelos iranianos! Os desenhos são feitos em parte com uma tinta metálica que engana até os sensores de calor dos EUA!!!

Imagens geradas por IA têm sido compartilhadas nas redes para sugerir que os americanos teriam caído em uma armadilha ao bombardear desenhos de aeronaves feitos no chão por iranianos. Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou que a publicação original contém marcas do Gemini, ferramenta de inteligência artificial do Google.

Alguns registros que disseminam a mesma alegação omitem o logotipo da ferramenta. Eles contêm, no entanto, marcas da IA do Google identificáveis pelo SynthID.
A história começou a circular no início de março, com a publicação no X de um vídeo que supostamente mostraria o bombardeio de pinturas de aeronaves (veja abaixo). O post enganoso foi, inclusive, chancelado como verdadeiro pelo Grok, ferramenta de IA da plataforma.

O vídeo que aparece nas publicações, no entanto, está disponível na internet desde junho de 2025, muito antes da escalada do conflito no Oriente Médio. A gravação original foi publicada pelas Forças de Defesa de Israel e, segundo a instituição, mostra a destruição de dois caças F-14 no aeroporto de Teerã.
Já naquela época, circularam alegações de que os caças atingidos seriam pinturas ou “iscas de madeira”. Não há, no entanto, provas de que se tratava de aeronaves falsas.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez buscas reversas das imagens que têm sido compartilhadas nas redes e encontrou as publicações originais. Outras fotos, cujas origens não puderam ser confirmadas, foram analisadas por meio do Synth ID, ferramenta do Google que verifica a presença de marcas de uso de IA.
Também procuramos pela origem do boato, que começou a crescer após a publicação de um vídeo descontextualizado no X em 4 de março. Realizamos buscas na imprensa israelense para contextualizar a gravação.
A utilização de inteligência artificial para alegar que os Estados Unidos teriam bombardeado caças pintados no chão por iranianos é um tema que desperta interesse e questionamentos. Como servidor público há mais de 16 anos, vejo a importância de analisar criticamente essas informações e considerar como podemos usar essa tecnologia de forma positiva para obter resultados mais precisos e eficientes. É fundamental pensarmos em como podemos utilizar essas ferramentas para melhorar a segurança e a tomada de decisões, sempre considerando o impacto na sociedade. É necessário refletir sobre como podemos tirar o melhor proveito da tecnologia sem prejudicar a veracidade e a credibilidade das informações. Cabe a cada um de nós, como cidadãos e profissionais, buscar formas de utilizar essas inovações de forma ética e responsável, visando sempre o bem comum.

