Toda vez que o bitcoin cai forte, a mesma pergunta volta à mesa: acabou? A queda recente reacende esse debate, especialmente entre quem entrou no mercado acreditando que a criptomoeda funcionaria como uma espécie de proteção automática contra crises, inflação ou instabilidade política.
O problema é que o bitcoin nunca se comportou assim no curto prazo. Entender isso é fundamental para que você não cometa erros de leitura justamente nos momentos de maior estresse.
O bitcoin cai mais porque é estruturalmente mais volátil
A primeira coisa a entender é que o bitcoin é, por definição, um ativo muito mais volátil do que ações, moedas e commodities tradicionais. Isso não é um defeito, é uma característica.
O mercado de criptomoedas ainda é pequeno quando comparado a outros mercados globais. Isso significa que entradas e saídas relativamente modestas de capital conseguem provocar movimentos de preço muito mais intensos. Além disso, o uso de alavancagem é comum, o que amplifica ainda mais as oscilações.
Quando o preço começa a cair rápido, posições alavancadas são forçadas a ser encerradas. Essas vendas automáticas empurram o preço ainda mais para baixo, criando o que o mercado chama de efeito cascata. É mecânica de mercado e não pânico irracional como alguns alarmistas gostam de rotular.
O que mudou agora não foi o bitcoin, foi o ambiente global
A queda atual não está acontecendo no vácuo, mas sim ligada ao cenário macroeconômico global. Juros elevados nos Estados Unidos aumentam o custo de oportunidade de se manter em ativos de risco. Quando o investidor consegue retorno alto e relativamente seguro em títulos públicos, ele tende a reduzir exposição a ativos mais voláteis, como tecnologia e criptomoedas.
Não por acaso, o bitcoin segue cada vez mais correlacionado com ações de empresas de tecnologia. Em momentos de aperto monetário, os dois costumam sofrer juntos e isso frustra quem ainda insiste na narrativa de que o bitcoin se comporta como ouro no curto prazo.
ETFs mudaram o jogo, para o bem e para o mal
A aprovação dos ETFs de bitcoin foi um marco importante para o mercado, pois abriu as portas para o investidor institucional e ampliou enormemente o acesso ao ativo, entretanto, isso também trouxe consequências.
Quando grandes fundos entram, eles entram com muito dinheiro e quando saem, também saem com muito dinheiro. Dessa forma, o fluxo passou a importar mais do que nunca.
Nos últimos dias, parte da queda está associada justamente a movimentos de saída desses fundos. Isso não significa abandono da tese, mas ajuste de posição em um ambiente mais adverso para ativos de risco.
É importante entender que fundos não pensam como investidores de varejo. Eles têm regras, mandatos, limites de risco e horizontes diferentes e o preço reflete esse jogo.
Bitcoin não é proteção de curto prazo, e nunca foi
Um erro comum é confundir tese de longo prazo com comportamento de curto prazo. No curto prazo, o bitcoin se comporta como um ativo de risco. Ele cai quando o mercado foge de risco e sobe quando a liquidez global aumenta.
No longo prazo, a tese é outra, pois envolve escassez, política monetária, confiança no sistema financeiro tradicional e reserva de valor ao longo de décadas. Misturar essas duas coisas é algo muito comum entre os pequenos investidores, e acaba levando a decisões ruins.
Se você comprou bitcoin esperando estabilidade no meio de um ciclo de aperto monetário global, lamento dizer, mas, provavelmente, você entrou no ativo pelos motivos errados.
Por que, apesar da queda, os grandes continuam comprando
Mesmo com o bitcoin em queda, grandes gestores seguem acumulando posição, e isso não acontece porque eles sabem onde está o fundo, mas porque operam com horizonte muito mais longo.
Grandes fundos trabalham com preço médio, não com tentativa de acertar o melhor momento. Para eles, movimentos de queda fazem parte do processo de construção de posição em um ativo que ainda consideram subalocado no sistema financeiro global.
Essa é uma lição importante que o pequeno investidor precisa entender e gravar: a visão de longo prazo não muda com a volatilidade de curto prazo. São coisas muito diferentes e enquanto você não tiver total clareza quanto a isso, talvez não deva estar em ativos de risco.
Bitcoin é diferente de outras criptomoedas
Outro ponto importante é separar bitcoin do restante do mercado cripto. Embora tudo caia junto nos momentos de estresse, a natureza dos ativos é muito diferente.
O bitcoin tem regras claras, oferta limitada e uma rede consolidada. Muitas outras criptomoedas dependem de modelos de negócio, promessas de uso futuro ou estruturas ainda em desenvolvimento.
Em ciclos de queda, essa diferença tende a ficar mais evidente, e não entender essa distinção pode custar muito caro ao investidor iniciante.
O que o investidor precisa ter claro daqui para frente
O bitcoin não é um ativo para quem não tolera volatilidade e nem tampouco um atalho para enriquecimento rápido. Esqueça o sensacionalismo de coachs de internet que só te mostram prints dos ganhos, pois isso não é referência para nada. Investir em bitcoin exige convicção, planejamento, estômago e, principalmente, compreensão do risco envolvido.
Quedas fortes fazem parte da história do bitcoin desde o início. Todas as grandes altas foram precedidas por períodos de correção intensa. A queda atual reflete um ambiente global mais restritivo, uma mudança no perfil dos investidores e a maturação de um mercado que ainda está longe de ser estável.
Para se tornar investidor de bitcoin, a pergunta mais importante que você tem a fazer não é se o preço vai subir ou cair amanhã. Você precisa se perguntar se de fato entende o ativo e se está preparado para a volatilidade que vem junto com ele, pois no fim das contas, no mercado, ignorância costuma ser mais cara do que volatilidade.
Eduardo Mira é investidor profissional, analista CNPI-T (Apimec), mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira, empresário, sócio do Clube FII e do Grana Capital, escritor e educador financeiro com cursos que já formaram mais de 50 mil alunos. Está nas redes sociais como @professormira.
Como servidor público há mais de 16 anos, gostaria de levantar uma reflexão sobre o tema “O Que Está por Trás Desse Movimento”. Muitas vezes, por trás de um movimento ou ação aparentemente simples, há oportunidades de obter outras fontes de recursos financeiros. É importante estar atento e buscar maneiras de tirar o melhor proveito das situações, seja por meio de investimentos, parcerias ou novas oportunidades de negócio. Vale a pena refletir sobre como podemos utilizar essas oportunidades em nosso benefício. O que você acha sobre esse tema? Acredita que pode ser útil para sua vida financeira? Reflita e tire suas próprias conclusões.

