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Desenvolvimento acelerado: Como a inteligência artificial na aprendizagem transforma o RH em treinamento e desenvolvimento (T&D)

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A chegada definitiva da Inteligência Artificial aos treinamentos corporativos não representa apenas uma evolução tecnológica, mas uma mudança profunda na forma como as empresas desenvolvem pessoas, constroem competências e conectam aprendizado aos resultados do negócio. Em um cenário marcado pela escassez global de talentos e pela necessidade constante de upskilling e reskilling, aprender mais rápido, e, principalmente, de forma mais efetiva, tornou-se um diferencial estratégico.

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Segundo o Future of Jobs Report, do Fórum Econômico Mundial, cerca de 44% das habilidades dos profissionais precisarão ser atualizadas até 2027, impulsionadas principalmente pela digitalização e pelo avanço da IA. No Brasil, o desafio é ainda mais sensível: dados do ManpowerGroup mostram que mais de 80% das empresas brasileiras relatam dificuldades para encontrar profissionais com as competências certas, um dos maiores índices do mundo.

É nesse contexto que a IA aplicada ao aprendizado ganha protagonismo. Para Ivan Lopez (capa), vice-presidente global de vendas da Odilo, empresa especializada em ecossistemas inteligentes de aprendizagem, o momento é decisivo para o RH.

“As empresas hoje não competem apenas por mercado ou inovação. Elas competem pela velocidade de aprendizado. Em mercados modernos, quem aprende mais rápido é também quem cresce mais rápido”, afirma o executivo.

Do LMS tradicional ao ecossistema inteligente de aprendizagem

Na visão de Lopez, o modelo tradicional de treinamentos corporativos já não responde às necessidades atuais das organizações. Plataformas focadas apenas em cursos longos, certificados e trilhas engessadas tendem a gerar baixo engajamento e pouco impacto prático. A afirmação até soa de senso cada vez mais comum, mas, na prática, muitas empresas e RHs ainda têm dificuldades para reestruturar suas dinâmicas de desenvolvimento de pessoas.

“O LMS (Learning Management System) tradicional gerencia cursos. O que estamos vendo agora é a transição para ecossistemas inteligentes de aprendizagem, que criam experiências personalizadas, identificam lacunas de competências e conectam o aprendizado diretamente à performance do negócio”, explica.

Essa abordagem dialoga com uma tendência que cresce em evidência no mercado. Uma pesquisa da Deloitte aponta que 75% dos profissionais preferem formatos de aprendizado mais curtos e integrados à rotina de trabalho, como o microlearning, modelo que vem sendo comparado, inclusive, à lógica de consumo de conteúdos em plataformas como TikTok.

“As pessoas têm pouco tempo para aprender no dia a dia. Por isso, o microlearning, integrado ao fluxo de trabalho, via ferramentas como WhatsApp ou Slack, tem ganhado tanta força. Pequenas doses diárias constroem um caminho longo de desenvolvimento”, destaca Ivan.

Apesar do avanço acelerado da tecnologia, o executivo reforça que a Inteligência Artificial não substitui o fator humano, mas amplia seu repertório. Na prática, a IA tem a missão, quando utilizada da melhor forma, de liberar colaboradores de tarefas repetitivas, permitindo foco em atividades de maior valor estratégico e ajuda as empresas a identificar talentos internos que, muitas vezes, passam despercebidos.

“Contratar talentos no mercado externo é caro. Muitas empresas perdem bons profissionais porque não conseguem enxergar seu real potencial internamente. A IA ajuda a detectar talentos, mapear competências e desenhar planos de carreira mais claros”, explica.

Esse movimento também altera a posição do RH dentro das organizações. Antes visto como área de suporte, o setor passa a ocupar um papel cada vez mais estratégico, dialogando diretamente com lideranças financeiras. “Hoje, os CFOs estão sentados à mesa desses projetos. Com IA, conseguimos medir impacto no resultado do negócio, retorno sobre investimento e conexão direta entre aprendizado, produtividade e receita”, acrescenta Lopez.

Leia também:
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Brasil em posição de destaque na adoção de IA para aprendizagem

Na avaliação do vice-presidente da Odilo, o Brasil vive um momento particularmente favorável para essa transformação. Diferente de mercados mais maduros e, por vezes, mais resistentes, as empresas brasileiras demonstram abertura à inovação e rápida adoção de novas tecnologias.

“O Brasil está adotando IA em learning mais rápido do que muitos países europeus. Existe uma onda forte de transformação digital em capacitação, upskilling e reskilling”, observa.

Essa percepção é corroborada por dados da PwC, que indicam que 67% das empresas brasileiras já utilizam ou estão implementando IA em processos ligados a pessoas, incluindo treinamento, recrutamento e desenvolvimento.

Além do Brasil, mercados como México e países do Oriente Médio também avançam de forma consistente, com forte foco em personalização, engajamento e retenção de talentos.

O que fica para trás e o que define o futuro do desenvolvimento humano

Ao olhar para o futuro, Lopez é direto ao salientar que treinamentos baseados apenas em certificações e conteúdos genéricos tendem a perder espaço. “No passado, o foco era o certificado. Hoje, a pergunta é: você consegue aplicar isso no seu dia a dia? O aprendizado precisa gerar impacto real no curto prazo”, afirma.

A grande tendência, segundo ele, é a personalização em escala ou hiperpersonalização, algo que só se torna viável com o uso inteligente de dados e IA. “Cada colaborador pode ter uma jornada única de aprendizado, conectada ao seu papel, desempenho, potencial de crescimento e às necessidades futuras da empresa. Isso muda completamente a lógica do desenvolvimento corporativo”, elucida.

Para o RH, o desafio está lançado: liderar essa transformação, garantindo que tecnologia, estratégia e pessoas caminhem juntas.

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