Mais de 90 empresas tecnológicas europeias assinaram uma carta exigindo medidas urgentes para assegurar a soberania digital da Europa. A iniciativa busca enfrentar a crescente dependência de tecnologias não europeias, enfatizando a importância de investir em soluções locais e criar um fundo soberano para infraestrutura tecnológica. As empresas apelam à União Europeia, destacando a necessidade de políticas de compras que favoreçam inovações europeias e fortaleçam a segurança e a privacidade dos dados.
Nos últimos tempos, aumentou a preocupação com a soberania digital na Europa, com mais de 90 empresas se mobilizando para exigir ações urgentes da União Europeia. A carta aberta destaca a crescente dependência da Europa em relação às tecnologias de gigantes como China e Estados Unidos. Para evitar uma crise tecnológica, as empresas pedem por soluções que fomentem a investição em inovação local, proteção de dados e desenvolvimento de infraestrutura. Neste artigo, exploraremos os detalhes dessa mobilização e a necessidade de um compromisso coletivo em prol da autonomia digital, além do papel crucial que a legislação pode desempenhar nesse cenário.
A chamada para a ação das empresas europeias
No dia 14 de março de 2025, mais de 90 empresas tecnológicas europeias se uniram para assinar uma carta aberta destinada à Comissão Europeia, especificamente à sua presidenta, Ursul von der Leyen, e à vice-presidente executiva Henna Virkkunen. Nesse documento, essas empresas expressam a sua preocupação com a crescente dependência da Europa em relação a provedores de tecnologia de fora do continente, principalmente da China e dos Estados Unidos.
A carta destaca que, sem intervenções urgentes, a Europa corre o risco de se tornar totalmente dependente de tecnologias não europeias dentro de três anos. Isso afetaria setores essenciais, como a inteligência artificial, a computação em nuvem e a fabricação de chips. As empresas assinam esta carta não apenas para expressar sua preocupação, mas também para convocar a União Europeia a implementar medidas práticas e decididas em direção à autonomia digital.
Entre as empresas que assinaram a carta, destacam-se nomes como Airbus, Siemens, OVHCloud e Nextcloud. Elas fazem um apelo claro: a Europa deve agir rapidamente para reverter a dependência das tecnologias estrangeiras e, para isso, propõem fomentar investimentos em tecnologia local e garantir um ambiente de competição mais equitativo.
O fundo proposta de um fundo soberano de infraestrutura é um dos pontos mais importantes da carta. Ele se destina a impulsionar a pesquisa e a inovação dentro do continente, garantindo que as empresas europeias possam competir em pé de igualdade com os gigantes tecnológicos de fora. Além disso, a criação de uma política de «comprar europeu» para licitações públicas foi sugerida como uma forma de aumentar a demanda por produtos e serviços desenvolvidos localmente.
Essa mobilização das empresas reflete uma preocupação em não só proteger seus interesses, mas também os da sociedade europeia como um todo. A dependência tecnológica não representa apenas um risco para o setor empresarial, mas expõe a região a vulnerabilidades que podem afetar a segurança e a privacidade de dados de cidadãos e governos.
O impacto da dependência tecnológica
A dependência tecnológica tem efeitos significativos e variados sobre a Europa. Dentro do contexto atual, onde mais de 90 empresas assinaram uma carta exigindo medidas para alcançar a soberania digital, a questão se torna ainda mais urgente. Este cenário levanta preocupações sobre como uma região pode se tornar vulnerável ao depender excessivamente de tecnologias estrangeiras.
Vulnerabilidade Econômica: Quando uma economia se torna muito dependente de fornecedores externos, corre o risco de enfrentar crises se esses fornecedores decidirem interromper os serviços ou aumentar os preços. Com as tensões geopolíticas atuais, como as que envolvem os EUA e a China, a Europa pode se encontrar em uma posição desfavorável ao negociar termos de acordo ou acesso a tecnologias essenciais.
Segurança Nacional: A dependência tecnológica não só é uma questão econômica, mas também uma questão de segurança. Se a infraestrutura crítica de um país é controlada por empresas de fora, isso pode levar a riscos associados ao armazenamento e à integridade dos dados. Em situações de conflito ou crise diplomática, o acesso a tecnologias vitais pode ser cortado, deixando a Europa em uma posição vulnerável.
Desigualdade em Inovação: A falta de independência tecnológica pode resultar em uma falta de competitividade das empresas europeias no mercado global. Com muitas inibições para investir em pesquisa e desenvolvimento, a inovação local pode ser sufocada. Os gigantes tecnológicos dos EUA e da China, que têm acesso a vastos recursos e financiamento, podem facilmente dominar o mercado, tornando difícil para as empresas europeias competir.
Impacto Social: Uma dependência extrema da tecnologia estrangeira pode afetar não apenas a economia, mas também a vida cotidiana das pessoas. Por exemplo, um colapso nos serviços digitais, como os de comunicação e armazenamento de dados, pode levar a interrupções que afetam tanto os cidadãos quanto as empresas. Uma Europa dependente de terceiros pode, portanto, enfrentar dificuldades em garantir serviços essenciais para sua população.
A crescente mensagem das empresas sobre a necessidade de soberania digital é um claro indicativo de que a Europa deve cuidar de sua independência tecnológica para evitar os perigos associados à dependência excessiva de fornecedores externos.
Medidas propostas para alcançar a soberania digital
As empresas que assinaram a carta aberta propõem uma série de medidas concretas para alcançar a soberania digital na Europa. Essas propostas têm como objetivo reduzir a dependência de tecnologias externas e garantir que a região desenvolva suas próprias soluções digitais.
Criação de um fundo soberano de infraestrutura: Uma das recomendações mais importantes é a implementação de um fundo soberano de infraestrutura. Este fundo teria o propósito de financiar projetos estratégicos que visam aumentar a autonomia digital da Europa. Os setores que se beneficiariam incluem a produção de semiconductores, computação em nuvem e desenvolvimento de inteligência artificial. A ideia é que este fundo receba apoio da Comissão Europeia e dos governos nacionais, permitindo que empresas europeias invistam em tecnologias locais.
Incentivo à pesquisa e desenvolvimento local: Além do fundo, as empresas pedem que a União Europeia implemente incentivos fiscais e financiamento para pesquisas que promovam inovações tecnológicas. Isso ajudará as empresas locais a competirem em igualdade de condições com os gigantes tecnológicos de fora da Europa, além de estimular o crescimento de startups nas áreas de tecnologia.
Políticas de ‘comprar europeu’: Outro ponto crucial da carta é a adoção de políticas que priorizem a contratação de empresas europeias em licitações públicas. Essa estratégia visa garantir que os governos da UE favoreçam soluções tecnológicas desenvolvidas internamente, criando um ambiente favorável para o fortalecimento e crescimento de empresas locais.
Fortalecimento da infraestrutura digital: As empresas também defendem o desenvolvimento de uma infraestrutura digital soberana. Isso significa garantir que a fabricação de chips, processamento de dados e plataformas digitais sejam controlados por empresas europeias, ou pelo menos que estejam sob regulamentações que protejam os interesses do continente. Essa medida reduziria a vulnerabilidade aos riscos associados à dependência de fornecedores externos.
Promoção de colaborações e alianças entre empresas: A proposta inclui a criação de parcerias e alianças estratégicas entre as empresas europeias para facilitar o compartilhamento de tecnologia e conhecimento. A ideia é que, unindo forças, as empresas possam desenvolver soluções mais robustas e competitivas, além de estabelecer padrões comuns que impulsionem a interoperabilidade e a colaboração entre os diferentes setores tecnológicos.
Essas medidas, se implementadas de forma eficaz, não apenas ajudariam a Europa a alcançar sua soberania digital, mas também fortaleceriam sua posição no cenário global em um mundo cada vez mais dependente da tecnologia.
A importância de um fundo soberano de infraestrutura
A criação de um fundo soberano de infraestrutura é uma medida fundamental proposta por mais de 90 empresas tecnológicas que assinaram a carta aberta em busca da soberania digital na Europa. Este fundo tem por objetivo financiar investimentos em tecnologias essenciais, garantindo que a Europa não dependa de soluções externas para suas necessidades digitais.
Apoio à inovação local: O fundo seria uma fonte de financiamento para projetos que visem o desenvolvimento de soluções tecnológicas nativas. Com o suporte de investimentos direcionados, as empresas europeias teriam a oportunidade de inovar e competir de forma mais eficaz com gigantes do setor, como as empresas dos Estados Unidos e da China.
Estímulo à indústria de semiconductores: Uma das áreas prioritárias do fundo seria a produção de semiconductores. Esta indústria é vital para uma ampla gama de tecnologias, desde dispositivos móveis até soluções de inteligência artificial. Ao investir na produção local, a Europa poderá reduzir sua dependência de fornecedores externos que dominam esta cadeia de suprimentos.
Fortalecimento da computação em nuvem: Outro setor que deve ser beneficiado pelo fundo é a computação em nuvem. Com um fundo soberano, a Europa pode desenvolver plataformas de cloud computing que respeitem as regulamentações locais de proteção de dados. Isso não só ajudaria as empresas europeias a manter o controle sobre suas informações, mas também asseguraria a segurança e a privacidade para seus cidadãos.
Criação de um ecossistema sustentável: Um fundo soberano de infraestrutura também contribuiria para a criação de um ecossistema tecnológico sustentável. Com o incentivo a inovações locais, as empresas poderão aumentar suas capacidades e expandir suas operações. Isso geraria empregos, fomenta a economia e atrai mais investimentos para o continente.
Compromisso com a autonomia digital: A existência deste fundo é um sinal claro do compromisso da Europa em alcançar sua autonomia digital. Ao investir em suas próprias capacidades tecnológicas, a Europa poderá assegurar que sua infraestrutura digital não seja vulnerável a crises externas e interrupções de serviços, promovendo assim um ambiente digital mais resiliente e independente.
Política de compra europeia nas contratações públicas
A política de compra europeia nas contratações públicas é uma das propostas fundamentais mencionadas na carta aberta assinada por mais de 90 empresas tecnológicas. Essa iniciativa visa garantir que as empresas da União Europeia tenham uma vantagem competitiva nas licitações públicas, promovendo o uso de soluções tecnológicas desenvolvidas localmente.
Vantagens para empresas locais: A adoção de uma política de compra que favoreça fornecedores europeus ajudaria a estimular a demanda por produtos e serviços de empresas locais. Isso significaria que, em vez de depender de soluções de gigantes tecnológicos de fora da Europa, os governos locais e a União Europeia priorizariam o apoio a negócios que investem em inovação no continente.
Promoção de competitividade: Ao implementar essa política, a UE pode nivelar o campo de jogo entre as empresas locais e os concorrentes de outros países que têm acesso a recursos financeiros mais amplos. Com o incentivo a contratações de fornecedores europeus, as empresas locais teriam mais oportunidades de crescer e se desenvolver, o que resultaria em um ecossistema tecnológico mais robusto e competitivo.
Impacto na inovação: Quando as empresas europeias são favorecidas nas contratações públicas, elas são motivadas a inovar e melhorar seus produtos e serviços. Essa pressão positiva pode levar ao desenvolvimento de soluções mais avançadas e adaptadas às necessidades locais, melhorando a qualidade da oferta no mercado.
Redução da dependência externa: Uma política de compra europeia também ajudaria a reduzir a dependência em relação a fornecedores estrangeiros. Essa mudança é fundamental para garantir que a Europa possa construir uma infraestrutura digital autônoma, remover riscos em momentos de crise e manter controle sobre suas tecnologias essenciais.
Exemplos em outros setores: Já existem exemplos de políticas de compra locais bem-sucedidas em outros setores na Europa, como na indústria aeronáutica e energética, onde as contratações públicas priorizam empresas europeias. Esses exemplos demonstram que a aplicação desse modelo pode trazer resultados positivos ao fortalecer a capacidade local e assegurar benefícios econômicos para a região.
Fortalecimento da infraestrutura digital na Europa
O fortalecimento da infraestrutura digital na Europa é uma prioridade essencial para garantir a soberania digital do continente. Com a crescente dependência de tecnologias estrangeiras, é vital que a Europa desenvolva uma infraestrutura robusta que suporte suas necessidades digitais e reduza a vulnerabilidade em relação a fornecedores externos.
Investimento em tecnologias nativas: Para fortalecer a infraestrutura digital, é crucial que investimentos sejam direcionados para o desenvolvimento de tecnologias locais, como a fabricação de chips e soluções de computação em nuvem. Ao aumentar a capacidade de produção interna, a Europa pode garantir que segmentos essenciais da tecnologia sejam controlados localmente, promovendo a segurança e a autonomia.
Criação de uma rede de dados segura: Uma infraestrutura digital forte deve incluir uma rede de dados segura que proteja as informações dos cidadãos e das empresas. Isso envolve a implementação de protocolos de segurança mais rígidos e desenvolvimento de plataformas que assegurem a privacidade dos dados, incentivando a confiança no uso de soluções digitais desenvolvidas na Europa.
Colaboração entre setor público e privado: O fortalecimento da infraestrutura digital também requer uma colaboração eficaz entre o setor público e privado. As políticas governamentais devem favorecer a inovação e o investimento no setor tecnológico, enquanto as empresas privadas devem contribuir com conhecimento e recursos financeiros para desenvolver soluções eficazes. Esse esforço conjunto é fundamental para criar um ambiente competitivo.
Desenvolvimento de habilidades digitais: Para suportar uma infraestrutura digital mais forte, é importante desenvolver habilidades digitais dentro da força de trabalho. Programas de formação e educação devem ser implementados para garantir que os cidadãos estejam capacitados a trabalhar com as novas tecnologias que surgem, permitindo que a Europa mantenha sua competitividade no cenário global.
Integração de sistemas e interoperabilidade: Um aspecto chave do fortalecimento da infraestrutura digital é a integração de sistemas que facilitem a interoperabilidade. Isso significa que diferentes plataformas e serviços devem funcionar juntos de maneira eficaz, permitindo que dados e informações sejam trocados facilmente entre diferentes setores e serviços, aumentando a eficiência operacional e a colaboração.
Perguntas Frequentes sobre a Soberania Digital
O que é soberania digital?
Soberania digital refere-se à capacidade de um país ou região de controlar suas próprias tecnologias e dados sem dependências externas.
Por que empresas estão se unindo pela soberania digital?
As empresas estão se unindo para evitar a dependência tecnológica de potências externas e garantir a segurança e integridade de seus dados.
Quais medidas estão sendo propostas?
As propostas incluem a criação de um fundo soberano de infraestrutura e políticas de compra que favoreçam empresas locais.
Qual o impacto da dependência tecnológica?
A dependência tecnológica pode resultar em vulnerabilidades econômicas e sociais, além de comprometer a segurança nacional.
Como a legislação pode ajudar na soberania digital?
Legislações específicas podem criar condições para o investimento em tecnologias locais e proteção de dados.
Qual o papel da inovação na soberania digital?
A inovação é crucial para desenvolver soluções locais e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras.