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Escândalo “$LIBRA”: Revelações do “Vorcaro” de Milei expõem rede de pagamentos, luxo e poder na Argentina.

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  • Documentos no celular do lobista Mauricio Novelli sugerem que Milei recebeu US$ 5 milhões em três etapas para promover a cripto $LIBRA.
  • Milei publicou apoio à inúmera moeda em sua conta no X em 14/2/2025, três dias após a criação do documento.
  • O token desvalorizou até 90% horas após a publicação, causando prejuízos estimados em US$ 100 milhões aos investidores.
  • A análise forense do celular de Novelli também aponta pagamentos à irmã de Milei, Karina, e uma rede de luxo.

Novas evidências do caso “$LIBRA”, escândalo financeiro de pagamentos milionários para a promoção de uma criptomoeda fraudulenta que envolvia de forma direta o presidente da Argentina, Javier Milei, e uma série de “sócios” do político, acendem novamente a polêmica no país vizinho.

O escândalo financeiro

Conforme reportagens do jornal argentino Clarín e El Destape, um documento encontrado no celular do lobista Mauricio Novelli, empresário do setor de criptoativos envolvido com Milei no escândalo, sugere que o presidente teria recebido cerca de US$ 5 milhões para promover a criptomoeda, em três etapas:

O recebimento de US$ 1,5 milhão como pagamento inicial (em dinheiro ou tokens, unidades de valor em tecnologia blockchain que funcionam como ativo digital);

Mais US$ 1,5 milhão após o anúncio público de apoio ao projeto por parte de Milei;

E, por fim, US$ 2 milhões pela formalização de um contrato de consultoria em blockchain e inteligência artificial.

A anotação menciona, ainda, uma pessoa que se identifica como “H” (provavelmente Hayden Davis, empreendedor norte-americano fundador da Kelsier Ventures, também envolvido com o caso).

Apenas três dias após o documento ter sido criado no celular de Novelli, em 14 de fevereiro de 2025, Milei publicou, em sua conta pessoal na plataforma X, um texto de promoção à “memecoin”, criptomoeda altamente volátil e associada a referências virtuais potencialmente humorísticas.

Após a publicação presidencial, o token LIBRA experimentou uma valorização acelerada, mas perdeu até 90% de seu valor poucas horas depois, em um esquema denominado “pump and dump” (quando o ativo é valorizado de maneira coordenada pelo “lobby”, mas suas ações são vendidas ainda no pico a fim de favorecer novos compradores em detrimento dos antigos).

O colapso das ações gerou prejuízos massivos para os investidores que seguiram a recomendação de Milei: estima-se que tenham sido movimentados cerca de US$ 100 milhões no esquema.

Mauricio Novelli: o “Vorcaro” de Milei

No centro das investigações sobre o esquema de cripto está Mauricio Novelli, que se autodenomina “trader profissional” e cofundador da agência NW Professional Traders.

Novelli tem uma relação de longa data com Milei, desde antes de o atual presidente assumir o cargo. Ele também mantinha boa relação com Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, mais conhecida por seu envolvimento no escândalo de uma rede de corrupção que extraía propinas a partir da supervalorização do preço de remédios e contratos da Agência Nacional para a Deficiência argentina (Andis).

Em novos documentos e áudios divulgados pela mídia argentina nesta sexta-feira (16/3), recuperados do celular de Novelli, pode-se confirmar uma rede de pagamentos feitas pelo empresário a Milei e à irmã, Karina, além de visitas realizadas à Casa Rosada na época do contrato.

A análise forense do celular de Novelli foi conduzida pelo promotor Eduardo Taiano.

Um dos aspectos mais perturbadores do caso envolve mensagens atribuídas a parceiros do projeto, e especialmente uma ligação feita por Novelli, em que se solicita a “compra de 12 meninas” para comemorar o fechamento de acordos relacionados à cripto.

Novelli diz: “Bom, doze meninas, no mínimo, vai. Tem que ser três grupos de quatro, ou quatro grupos de três, e ir revezando”.

“É para isso que a gente [as] compra. É muito fácil de conseguir, muito”.

Novelli sugere que o “problema” com a “compra” das garotas é que elas “começam a encher o saco” ao sugerir que ele “precisa beber alguma coisa” ao invés de apenas anuir ao sexo.

A situação remete, no Brasil, aos desenvolvimentos do caso do Banco Master, pelo qual se investiga, agora, o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para negociar as delações no processo.

Leia também: Efeito Banco Master: líder do PT avança na Câmara para instituir “autonomia relativa” do BC – Revista Fórum

Entre os arquivos recuperados do celular de Vorcaro e encaminhados à CPMI do INSS (por suspeitas de contratos superfaturados e descontos em benefícios de aposentados e pensionistas), há mensagens em que se fala sobre “a contratação de umas 80 modelos” para uma festa, e a sugestão de que “ele só ficaria com loirinhas”.

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Os casos apontam para um padrão recorrente entre a exploração da influência política e de corpos femininos como espécies de “prêmios” que sustentam o estilo de vida “esbanjador” de lobistas e financistas.

Saiba mais sobre o “Caso $LIBRA”:

Golpe da criptomoeda: Milei tem chance de cair? Entenda o cenário na Argentina – Revista Fórum

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Como servidor público há mais de 16 anos, é interessante analisar o escândalo “$LIBRA” e a rede de pagamentos, luxo e poder expostos nos documentos do “Vorcaro” de Milei. Essa revelação pode inspirar reflexão sobre como o uso indevido de recursos públicos afeta a sociedade e a necessidade de transparência e prestação de contas. Além disso, é importante pensar em como podemos utilizar essas informações para promover mudanças positivas e buscar outras fontes de recursos financeiros de forma ética e legal. A análise desses eventos pode ser útil para entender melhor como funcionam os mecanismos de corrupção e como podemos contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e transparente.

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