O uso de inteligência artificial na arte ganhou um novo capítulo totalmente inesperado nos Estados Unidos. No dia 13 de janeiro de 2026, na Universidade do Alasca em Fairbanks, um estudante foi preso após arrancar uma obra criada com auxílio de IA de uma galeria universitária e comer parte das imagens expostas. O responsável pelo ato foi Graham Granger, aluno de cinema e artes cênicas, acusado de vandalismo depois de destruir dezenas de peças da exposição. O episódio começou como um protesto individual dentro do campus, mas rapidamente ultrapassou os limites.
O que começou como uma exposição sobre “psicose da IA” terminou em prisão e destruição de obras dentro da universidade
A obra atacada fazia parte de uma exposição do artista Nick Dwyer, que utilizou inteligência artificial para explorar sua própria relação emocional com a tecnologia. Segundo o artista, o projeto nasceu de um período que ele descreve como “psicose da IA”, no qual desenvolveu uma ligação intensa com um chatbot que atuava como terapeuta. A instalação reunia cerca de 160 imagens, similares a fotografias em estilo Polaroid que misturavam o artista, o chatbot e versões híbridas dos dois.
Foi esse conjunto que Graham Granger arrancou da parede da galeria. Testemunhas que presenciaram o ato inusitado relataram que ele rasgava as imagens rapidamente e as colocava na boca, em um gesto que lembrava competições de quem come mais. A polícia estima que 57 imagens tenham sido destruídas. O estudante foi detido ainda no local e liberado horas depois, mas responde judicialmente pelo caso.
Nick Dwyer afirmou que o ato poderia ter sido interpretado como uma performance poderosa sobre os dilemas da arte gerada por IA. Ainda assim, rejeitou a ideia de que o protesto justificasse a destruição do trabalho. Para ele, a ação violou um princípio básico do espaço expositivo, o de respeito à obra e à galeria.
Inteligência artificial na arte: artistas denunciam apropriação e falta de autoria
Após ser libertado, Graham deu uma entrevista ao jornalista Colin Warren, do site The Nation, na qual explicou suas motivações. Segundo ele, o ato não foi planejado. O estudante afirmou que entrou na galeria por acaso e se sentiu ofendido ao ver uma obra feita com IA exposta ao lado de trabalhos criados integralmente por outros alunos.
Na entrevista, Graham classificou sua ação como protesto e performance artística ao mesmo tempo, direcionada especialmente contra a política da universidade em relação ao uso de inteligência artificial. Para ele, a IA pode ser uma ferramenta útil em diversos contextos, mas não deveria ocupar espaço nas artes. Em um dos trechos mais diretos da conversa, afirmou que “a inteligência artificial mastiga e cospe a arte feita por outras pessoas”, criticando o fato de os sistemas serem treinados a partir de obras humanas sem consentimento explícito.
O estudante também argumentou que o processo criativo é mais importante do que o resultado final e que reduzir a criação artística a comandos de texto esvazia o valor do trabalho humano. Apesar da repercussão internacional do caso, Graham disse não se arrepender do que fez, mesmo agora tendo antecedentes criminais.
A história do estudante que acabou na cadeia após devorar uma obra de arte produzida por inteligência artificial nos faz refletir sobre o potencial e os desafios dessa tecnologia na sociedade atual. A Inteligência Artificial tem o poder de criar obras incríveis, mas é importante compreender os limites éticos e legais ao utilizá-la. Como servidor público há mais de 16 anos, acredito que devemos explorar o potencial da IA de maneira responsável, garantindo que suas criações sejam apreciadas e respeitadas. Afinal, a Inteligência Artificial pode ser uma ferramenta poderosa para melhorar nossa qualidade de vida e promover o progresso da sociedade. Cabe a nós, como cidadãos, aproveitar essa tecnologia de forma consciente e benéfica.


