Os brasileiros usam mais chatbots do que a média mundial. A nova edição da pesquisa Nossa Vida com IA, feita pelo Ipsos sob encomenda do Google, mostra que 71% dos adultos conectados no país relatam já ter usado um chatbot, um salto de 25% em relação ao levantamento de 2023; no mundo, essa média é de 62%.
O levantamento, que entrevistou 21 mil pessoas em 21 países, mostra que o Brasil é um dos principais entusiastas da nova tecnologia. Os dados se referem a 2025.
A nova edição da pesquisa também mostra outras mudanças na forma como os brasileiros vêm usando a IA. Se antes o entretenimento era o principal motivo que os entrevistados citavam para recorrer à tecnologia, agora o uso para aprender algo novo surge em primeiro lugar, com 79%, seguido do auxílio no trabalho, mencionado por 75%.
O uso da IA como diversão recuou para 74%, seguido da geração de vídeos, imagens ou áudio, com 72%. Além disso, um em cada oito brasileiros dizem ter interesse em aprender mais sobre IA.
Segundo o Ipsos, os dados mostram que o mundo ultrapassou a barreira da adoção e tem aplicado os novos recursos cada vez mais no dia a dia. Isso aparece no uso de chatbots (que, vale lembrar, não são a única ferramenta de IA existente). A média mundial dos que relatam utilizar esse tipo de robô saltou de 38% em 2023 para 62% no ano passado.
Quando se coloca uma lupa nas informações demográficas, fica claro que o uso de chatbots é mais comum entre pessoas com menos de 35 anos (79%), com ensino superior (75%) e de alta renda (68%). Estudantes com mais de 18 anos (79%) e professores (80%) adotam as ferramentas em patamares superiores aos outros grupos.
A divisão de gênero, que costuma surgir em levantamentos do tipo, se estreitou nesta edição da pesquisa. Enquanto 64% dos homens relatam já ter usado chatbots, 61% das mulheres dizem o mesmo —em 2023, o abismo entre eles e elas era de dez pontos percentuais.
Os que acreditam que vão se beneficiar da IA existem em maior número no recorte de países emergentes, do qual o Brasil faz parte. Nesse caso, 86% dos educadores e 87% dos estudantes universitários dizem acreditar nesses benefícios.
Pesquisas desse tipo têm medido a animação e a preocupação dos usuários com a nova tecnologia. E os novos dados da Ipsos mostram certo otimismo dos entrevistados. Entre quem de fato utiliza IA no dia a dia, 69% se dizem animados com a novidade; entre os não usuários, esse dado é 29%.
Esse otimismo é maior em países emergentes, como Nigéria, Emirados Árabes, Índia e México.
A perspectiva positiva se relativiza quando o assunto são os impactos da IA no mundo do trabalho. O número dos que achavam que o efeito da tecnologia nos empregos será positivo diminuiu, e o dos que acham negativo aumentou.
Na pesquisa de agora, os otimistas nesse campo são 49% e os pessimistas, 32%. Em 2024, eles eram 58% e 24%, respectivamente.

