A inteligência artificial, assim como as redes sociais, pode ser mais uma tecnologia prejudicial. Um estudo recente da OpenAI e do MIT Media Lab revela que a utilização do ChatGPT pode estar relacionado com o aumento da solidão em alguns utilizadores.
Desde o lançamento há mais de dois anos, o ChatGPT conquistou 400 milhões de utilizadores ativos semanais. No entanto, sua popularidade levanta dúvidas sobre os seus efeitos no bem-estar social. Os investigadores deste estudo analisaram milhões de conversas e interações de áudio, além de entrevistarem quatro mil utilizadores sobre seus comportamentos com a ferramenta.
Os resultados mostraram que, embora o ChatGPT possa aumentar a produtividade, também pode levar ao isolamento. Num estudo separado do MIT Media Lab analisou como mil utilizadores interagiram com o chatbot ao longo de quatro semanas. A conclusão foi de que aqueles que usavam o ChatGPT de forma mais intensa relatavam maior solidão e menor socialização.
A investigação revelou ainda uma contradição: o modo de voz do ChatGPT ajudou a reduzir a solidão, mas utilizadores já solitários têm maior tendência a utilizar a ferramenta de forma excessiva, piorando sua condição. Além disso, os chamados “utilizadoresm avançados” relataram sentimentos mais intensos de solidão ao interagir com um modo neutro do chatbot, em comparação com um modo mais envolvente.
Ambos os estudos utilizaram o GPT-4o, modelo multimodal da OpenAI lançado em maio de 2024. Recentemente, a empresa apresentou o GPT-4.5, considerado mais intuitivo e emocionalmente inteligente. No entanto, não há indicação de que novos estudos sejam conduzidos para avaliar o seu impacto na solidão.
Para Kate Devlin, professora de IA e sociedade no King’s College London, ainda é difícil mensurar os efeitos emocionais de tecnologias emergentes. “As pessoas podem não necessariamente estar a usar o ChatGPT de uma forma emocional, mas não se pode dissociar o ser humano das suas interações [com a tecnologia]”, afirmou à MIT Technology Review.
O impacto da inteligência artificial na saúde mental ainda é um campo em evolução. Assim como aconteceu com as redes sociais, pode levar anos para entender completamente as suas consequências no bem-estar das pessoas.