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Fábrica de inteligência artificial na secretária: análise crítica

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As análises aos computadores de alto desempenho dedicados ao “gaming” focavam-se, quase exclusivamente, na capacidade de gerar mundos virtuais e taxas de fotogramas por segundo que garantiam a fluidez dos jogos. No entanto, o paradigma está a mudar. A mesma tecnologia que permite ver reflexos realistas num videojogo é, hoje, o motor da revolução da inteligência artificial (IA).

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Ao analisar este PC, montado pela marca portuguesa PC Diga, o objectivo inicial passaria por avaliar a fluidez dos jogos mais recentes. Contudo, ao olhar para a lista de especificações — encabeçada por uma placa gráfica Nvidia GeForce RTX 5070 Ti com arquitectura “Blackwell” e um processador AMD Ryzen 7 9800X3D —, torna-se evidente que classificar esta máquina apenas como uma consola de jogos glorificada é redutor. O que se apresenta é, efectivamente, uma pequena fábrica de inteligência artificial pronta a operar na secretária.

Gaming, mas com estilo clássico

A primeira impressão, ao retirar o equipamento da caixa, contraria o estereótipo do computador de jogos repleto de luzes agressivas e plásticos futuristas. A caixa escolhida, uma Fractal Design North, apresenta uma frente em madeira verdadeira e um design sóbrio que não destoaria num escritório de arquitectura ou numa redacção.

O funcionamento acompanha a estética: revela-se surpreendentemente silencioso. O sistema de refrigeração líquida da Artic e a boa construção da caixa mantêm o ruído num nível mínimo, mesmo quando a máquina se encontra sob carga elevada. Mas o foco da análise recai sobre o que está no interior e a sua relevância para a nova vaga de computação.



A arrumação do interior revela atenção ao detalhe e boa qualidade de construção. O sistema de watercooling, em que é usado um líquido para melhorar a capacidade de refrigeração, torna o sistema mais eficiente e menos ruidoso
SM

A arquitectura “Blackwell” da Nvidia, presente na placa gráfica GeForce RTX 5070 que equipa este computador, é a mesma base tecnológica utilizada nos supercomputadores que treinam os grandes modelos de linguagem, como os que alimentam o ChatGPT ou o Gemini. A diferença reside “apenas” na escala. Enquanto os centros de dados usam milhares destes chips em uníssono, este PC traz essa capacidade para o nível pessoal.

GPU, o novo cérebro criativo

Para entender a pertinência desta máquina, é preciso compreender a alteração na hierarquia do computador. Tradicionalmente, o processador central (CPU) era o “cérebro” indiscutível, executando tarefas sequenciais complexas. O processador gráfico (GPU), normalmente instalado numa placa gráfica, servia quase exclusivamente para desenhar imagens no ecrã.

Na era da IA, o GPU assume um novo protagonismo. A inteligência artificial moderna baseia-se em cálculos paralelos gigantescos — milhões de pequenas operações matemáticas simultâneas —, tarefa em que o GPU é incomparavelmente superior. O que se comprova, por exemplo, num teste criado para verificar as capacidades de processamento de algoritmos de IA, o Geekbench IA, um dos vários benchmarks que usámos para medir as capacidades desta máquina. Utilizando o motor ONNX (open neural network exchange), a placa gráfica conseguiu um desempenho quatro vezes superior ao do processador central em testes de alta precisão (single precision). Um valor que só ganha ainda mais relevância quando consideramos que o processador central, da AMD, já é de altíssimo desempenho.



Neste teste do Cinebench é possível ver como a utilização do GPU desta máquina permite obter resultados muito superiores aos conseguidos por CPU bastantes poderosos

O fosso torna-se um abismo quando se passa para a média precisão (half precision), o formato mais comum para correr modelos de IA locais (no computador e não em centros de dados remotos). Neste cenário, o GPU revelou-se quase vinte vezes mais rápido que o CPU. É a diferença entre esperar segundos ou milissegundos por uma resposta.

O mesmo se pode dizer de aplicações na área da criatividade digital. Utilizar um GPU em vez de um CPU pode representar ganhos de tempo consideráveis em tarefas como “renderização” de vídeos, aplicação de efeitos gráficos ou modelação 3D. O que também pode ser demonstrado com um outro teste, neste caso o Cinebench 2026, que simula o processamento de uma imagem cinematográfica. Correr a tarefa no processador central da AMD que, repita-se, é de altíssimo desempenho, resultou numa nuns respeitáveis 5424 pontos. Mas quando executámos a mesma tarefa no GPU GeForce RTX 5070 Ti, o resultado “disparou” para 99383 pontos. De outro modo, o GPU foi 18 vezes mais rápido do que o CPU.



Além das muitas portas traseiras, há portas para acesso mais rápido na parte superior da caixa, ao lado do botão Power
SM

É verdade que ainda há muitas aplicações centralizadas no CPU, que não tiram partido de um GPU poderoso. Mas aquelas aplicações ou funcionalidades que recorrem ao GPU apresentam melhorias de desempenho assinaláveis.

Para quem é (e não é) esta máquina?

Esta “fábrica” não serve a todos os propósitos. Para o utilizador que se limita a navegar na Internet, editar textos ou trabalhar em folhas de cálculo, o investimento numa máquina destas seria desproporcionado. Até porque o preço é proibitivo. Um portátil convencional continua a ser a escolha sensata para essas tarefas.

Este computador destina-se a três grupos distintos. Primeiro, naturalmente, os jogadores exigentes. Segundo, os criativos profissionais: editores de vídeo e artistas 3D que utilizam software como o DaVinci Resolve ou o Blender, ferramentas que já dependem fortemente da aceleração por GPU para o processamento dos vídeos.

O terceiro grupo é o emergente: os exploradores de IA local. Assiste-se a uma migração da nuvem para o dispositivo local. Com 16 GB de memória na placa gráfica e 32 GB de RAM no sistema, esta máquina permite instalar e correr chatbots privados (como o Llama ou Mistral) recorrendo a ferramentas como o LM Studio ou o Ollama, sem enviar dados para a Internet. Permite gerar imagens em segundos com o Stable Diffusion ou analisar documentos confidenciais com total garantia de privacidade.

Até porque há vários sinais que apontam para que o software evolua para disponibilizar cada vez mais funcionalidades de IA locais. As próximas versões dos sistemas operativos e aplicações de produtividade vão exigir cada vez mais poder de processamento local para funcionalidades de IA, libertando a dependência da nuvem.

Veredicto

A combinação de uma placa gráfica GeForce RTX 5070 Ti, da Nvidia, e um processador Ryzen 7 9800X3D, da AMD, garante longevidade. Com um armazenamento rápido de dois terabytes e conectividade de última geração, esta configuração da PC Diga posiciona-se não apenas como um equipamento de lazer, mas como uma estação de trabalho preparada para a próxima década computacional. Para quem valoriza a privacidade dos dados e procura estar na vanguarda da experimentação com inteligência artificial, o investimento justifica-se.

A implementação de uma fábrica de inteligência artificial na secretária pode ser uma excelente oportunidade para otimizar processos e oferecer serviços mais eficientes à população. A utilização dessa tecnologia pode proporcionar benefícios como agilidade, precisão e personalização no atendimento ao cidadão.

É importante que as autoridades responsáveis pela implementação desse projeto estejam atentas às questões éticas e de segurança relacionadas à inteligência artificial, garantindo que os dados dos cidadãos sejam protegidos adequadamente. Além disso, é fundamental que haja transparência e participação da sociedade no desenvolvimento e uso dessa tecnologia.

A inteligência artificial tem o potencial de revolucionar a forma como os serviços públicos são prestados, possibilitando uma gestão mais eficiente e uma melhor qualidade de vida para a população. Ao investir nessa área e explorar todo o seu potencial, podemos contribuir para uma sociedade mais inclusiva, transparente e democrática. Cabe a cada um de nós refletir sobre como podemos aproveitar ao máximo essa oportunidade e como podemos contribuir para o avanço da inteligência artificial em benefício de todos.

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