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Futuro incerto da educação na era da Inteligência Artificial – Jornal do Campus – Otimizado para SEO

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Sociólogo alerta para risco de ‘terceirizar’ o pensamento para a máquina. Enquete do JC indica que maioria dos alunos já utiliza IA nos estudos

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Foto: Freepik

Por Gabriela Nangino e Nicoly Modesto*

O Conselho Nacional de Educação anunciou, em fevereiro de 2026, que está preparando um conjunto de regras para o uso da inteligência artificial no ensino. Em março, USP, Unicamp e Unesp também se uniram para criar um protocolo conjunto. Mas, muito antes de qualquer diretriz ser oficializada, as ferramentas de IA Generativa (IAG) já são realidade nas salas de aula. 

O Jornal do Campus conduziu uma enquete com 82 estudantes da USP para entender se eles usam a IAG em seu cotidiano acadêmico: 87% afirmaram que sim. Nesse grupo, os bots mais populares são o ChatGPT (80%) e o Gemini (57%); 67% dos usuários considera que seu principal benefício é a agilidade na realização de atividades, 38% elenca a resolução de problemas e 25%, a criatividade. 

Utilizando modelos avançados de linguagem, as IAGs são capazes de simular a criação humana, mas não possuem real capacidade de compreensão de informações. É o que explica o professor Cláudio Zancan, cientista de dados e Pós-Doutor em Administração Pública e Inteligência Artificial pela USP. 

“Esses sistemas são baseados em modelos matemáticos treinados com enormes quantidades de dados. Durante o treinamento, o algoritmo analisa milhões de exemplos de conteúdos para identificar padrões, e aprende a prever qual palavra tem maior probabilidade de aparecer dentro de um contexto”, explica. 

Segundo Rogério de Almeida, Professor da Faculdade de Educação (FE) e Coordenador do Laboratório Experimental de Arte e Educação (LabArte), a IA traz benefícios, mas seu amplo acesso ao público também acende alertas: destacam-se questões de direitos autorais, dependência tecnológica, privacidade de dados e transparência algorítmica. 

Alunos 

Dos alunos que contribuíram para a enquete, 57% fazem uso de IAGs para revisão de texto, 46% para brainstorming, 34% para pesquisa, 20% para tradução ou formatação e 17% para redação de texto. Após o uso, 89% busca verificar as respostas geradas em outras fontes. 

Simultaneamente, 72% temem que a ascensão da IA reduza oportunidades de emprego em sua área de atuação. Segundo Zancan, este receio é esperado. “Sempre que surge uma tecnologia capaz de automatizar tarefas, surge também o medo de substituição”, afirma. 

Relatórios de organizações internacionais indicam que a IA irá afetar profundamente o mercado de trabalho, mas Zancan ressalta que o caminho mais provável não é a eliminação massiva de empregos. “O que tende a acontecer, segundo estudos, é uma transformação das profissões. Por isso, mais do que temer a IA, o desafio é aprender a trabalhar com ela”.  

“A universidade não é só apenas um lugar onde você busca uma profissão, mas é, fundamentalmente, onde você forma pensamento crítico. A apreensão de conhecimento não se dá somente via aula, mas se dá via processo analítico”

-Gabriel Teles, pesquisador em Sociologia Digital

Resistência

Recentemente, uma disciplina voltada para IA no curso de Audiovisual enfrentou resistência. “Em 2026, propuseram colocar a matéria ‘Introdução à inteligência artificial’ no 1° semestre, deslocando a disciplina de ‘História do audiovisual brasileiro’ para outro”, explicou o aluno Gabriel Dutra. 

Insatisfeitos com a ausência de consulta, estudantes organizaram um abaixo-assinado para evitar a mudança, que recebeu 130 assinaturas. “Isso é muito representativo de como a introdução da IA na Universidade precisa ser feita com cuidado. Foi perceptível uma disparidade de percepção entre o corpo discente e o docente”. 

Gabriel Teles, doutor em Sociologia pela USP e pesquisador das transformações digitais, ressalta que a regulamentação da IA deve nascer de um processo conjunto — que escute a voz dos estudantes, técnicos administrativos e professores — mas, acima de tudo, transparente. 

Sua maior preocupação hoje é o uso irrestrito e não declarado de ferramentas de IAG, que pode prejudicar as habilidades cognitivas dos usuários ao obliterar o tempo natural do aprendizado. “A IA, como ponto de partida, ajuda a racionalizar processos, contribui na pesquisa e na articulação; o problema é usá-la como ponto de chegada”, diz.

“ ‘Terceirizar’ essas atividades [para a IA] pode implicar em futuros pesquisadores que não terão potencialidade analítica, oriunda especificamente da inteligência humana”

-Gabriel Teles, pesquisador em Sociologia Digital

Letramento

“Embora produza respostas muito convincentes, a IAG pode cometer erros, gerar informações imprecisas ou reproduzir vieses presentes nos dados com os quais foi treinada”, afirma Zancan. 

Entender o processo algorítmico é o primeiro passo para um letramento digital adequado na Universidade — que não apenas ensine os alunos a usar as ferramentas, mas também quais as suas limitações e impactos na sociedade. 

Nesse cenário de mudança, o papel do professor se torna ainda mais importante. “Além de ser um transmissor de conteúdo, ele passa a atuar como mediador do processo de aprendizagem”, diz o cientista de dados. 

Já Almeida acrescenta que a presença crescente da tecnologia em sala de aula pode ter implicações nos métodos avaliativos. Em vez de analisar o produto final, o processo coletivo de compreensão do material tende a ser cada vez mais importante. 

“[A ascensão da IA] esbarra na desigualdade educacional”, ressalta. Para ele, a Inteligência Artificial pode ser um assistente didático, mas precisa ser supervisionada e acompanhada pelo combate contínuo da precarização da educação — nunca visando apenas economizar recursos. 

O principal desafio, segundo Almeida, é a atualização constante da tecnologia. “Seremos mais lentos na regulamentação do que no desenvolvimento da IA. Não podemos mais seguir sem ela; estamos em pé de igualdade em relação aos seus avanços”

Editado por Malu Vieira*

A Educação enfrenta desafios na era da Inteligência Artificial, mas também oferece grandes oportunidades para melhorar a qualidade de vida da sociedade. Como servidor público há mais de 16 anos, vejo a importância de nos adaptarmos e utilizarmos a tecnologia a nosso favor. A IA pode ser uma aliada no processo de ensino, proporcionando novas formas de aprendizado e desenvolvimento. É fundamental refletirmos sobre como podemos aproveitar ao máximo essa tecnologia para garantir um futuro promissor para a Educação. Afinal, é através da educação que formamos cidadãos críticos e preparados para os desafios do mundo contemporâneo. Vamos pensar juntos em como a IA pode contribuir para uma educação mais eficiente e inclusiva.

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