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Gemini: A revolução dos robôs humanoides nas fábricas e o impacto no trabalho industrial

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A Google DeepMind e a Boston Dynamics anunciaram no CES 2026 uma parceria estratégica para integrar o modelo Gemini Robotics aos robôs da empresa americana. O destaque vai para o humanoide Atlas, mas a colaboração também inclui o famoso robô quadrúpede Spot.

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A proposta é ambiciosa: usar a inteligência do Gemini para permitir que robôs naveguem em ambientes desconhecidos, reconheçam objetos e manipulem ferramentas com mais autonomia — exatamente o tipo de capacidade necessária para executar tarefas manuais em ambientes industriais complexos.

Testes reais, em fábricas reais

Os primeiros testes estão previstos para os próximos meses e acontecerão em fábricas de automóveis da Hyundai, atual controladora da Boston Dynamics. Será uma espécie de laboratório vivo para avaliar até onde robôs humanoides conseguem ir fora de demonstrações coreografadas.

O Atlas já impressionou o público com movimentos atléticos e equilíbrio refinado. O problema, comum a praticamente todos os humanoides atuais, é a falta de compreensão contextual: saber o que fazer diante de objetos novos, decidir como pegá-los e adaptar-se a situações imprevistas. É aí que entra o Gemini.

Do corpo avançado à mente artificial

Segundo Robert Playter, CEO da Boston Dynamics, o objetivo é tornar os robôs conscientes do ambiente e capazes de usar as mãos para manipular praticamente qualquer objeto. Ambientes de manufatura, como as fábricas da Hyundai, seriam o cenário ideal para essa transição do laboratório para o mundo real.

A aposta reflete uma visão compartilhada por boa parte do setor: modelos de IA só alcançarão algo próximo à inteligência humana quando forem forçados a lidar com o mundo físico, e não apenas com texto, imagens ou vídeos.

Uma corrida global pelos humanoides

A parceria surge em um momento de competição intensa. Nos Estados Unidos, empresas como Agility Robotics, Figure AI, Apptronik, 1X e a própria Tesla, com o robô Optimus, trabalham em humanoides voltados ao trabalho físico.

Na China, o cenário é ainda mais agressivo. Segundo dados da CMRA, cerca de 200 empresas desenvolvem sistemas humanoides, impulsionadas por investimentos públicos e privados.

Nesse contexto, a estratégia da Google DeepMind chama atenção. Em vez de construir seus próprios robôs, a empresa quer que o Gemini funcione como o “Android da robótica”, sendo adotado por diferentes fabricantes, assim como o sistema operacional domina os smartphones.

Gemini como cérebro multimodal

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© X – @kayabay

De acordo com Carolina Parada, diretora sênior de robótica da DeepMind, o Gemini foi projetado desde o início para ser multimodal. Isso significa que ele pode integrar visão, linguagem, movimento e raciocínio — uma combinação essencial para compreender e aprender sobre o mundo físico.

A automação industrial é apenas o primeiro passo. A intenção, segundo Parada, é expandir o uso da IA para uma ampla gama de aplicações, à medida que os robôs se tornem mais versáteis.

Segurança: o desafio invisível

Dar mais autonomia a máquinas físicas também aumenta os riscos. Diferentemente de um erro em um chatbot, uma decisão equivocada de um robô pode causar danos reais. Por isso, a parceria inclui múltiplas camadas de segurança.

Além dos sistemas já existentes da Boston Dynamics, o Gemini deverá realizar um tipo de raciocínio preventivo, antecipando situações potencialmente perigosas e evitando comportamentos arriscados. Como lembra Playter, até robôs pequenos podem ser perigosos se não forem cuidadosamente controlados.

O que muda a partir daqui

Se os testes forem bem-sucedidos, a indústria pode estar diante de um ponto de inflexão. Robôs humanoides deixariam de ser vitrines tecnológicas para se tornarem ferramentas produtivas, capazes de aprender tarefas variadas com rapidez.

Os dados coletados nessas fábricas também alimentarão novos ciclos de treinamento do Gemini, criando um efeito de retroalimentação: robôs mais inteligentes geram dados melhores, que tornam a IA ainda mais capaz.

Ainda não está claro quando — ou se — humanoides alcançarão a destreza e a adaptabilidade das mãos humanas. Mas ao unir o corpo sofisticado da Boston Dynamics com a “mente” do Gemini, Google DeepMind aposta que o caminho para isso passa, inevitavelmente, pelo chão das fábricas.

 

[ Fonte: Wired ]

 

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