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Gemini aumenta participação de mercado para 21% enquanto OpenAI diminui

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Em janeiro de 2025, o ChatGPT dominava 86,7% do mercado global de IA generativa. O Gemini do Google tinha apenas 5,7%.

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Doze meses depois, o ChatGPT caiu para 64,5%. O Gemini explodiu para 21,5%.

Não é declínio gradual. É erosão acelerada. E Sam Altman sabe disso — tanto que declarou “código vermelho” em dezembro, pausando projetos de monetização para concentrar recursos na defesa da experiência principal do ChatGPT.

A pergunta não é se o Google está ganhando terreno. Os dados da Similarweb são inequívocos. A pergunta é: como o pioneiro absoluto da IA generativa consumidor perdeu mais de 20 pontos percentuais de mercado em um ano?

A resposta revela muito mais sobre o futuro da IA do que qualquer benchmark técnico.

O Que Aconteceu em Novembro Que Mudou o Jogo

18 de novembro de 2025: Google lança Gemini 3.

Em dezembro, o tráfego do Gemini cresceu 28% mês a mês. O tráfego do ChatGPT caiu 5,6%.

Somente em dezembro, o ChatGPT ainda teve 5,5 bilhões de visitantes versus 1,7 bilhão do Gemini. Mas a diferença está encolhendo rapidamente. E a velocidade de mudança importa mais que o snapshot atual.

O que o Gemini 3 tem que o ChatGPT não tem?

A Diferença Arquitetural Que Ninguém Estava Prestando Atenção

Aqui está o insight técnico que executivos frequentemente perdem:

ChatGPT é uma orquestração de modelos especializados. Quando você pede uma imagem, ele chama o DALL-E. Quando você pede análise de dados, ele aciona o Code Interpreter. Quando você precisa de web search, ele dispara outro modelo. São sistemas excelentes, mas separados, coordenados por camadas de integração.

Gemini foi construído desde o início como sistema multimodal nativo. Ele não “chama” outros modelos para processar imagens, áudio ou vídeo. Ele processa tudo simultaneamente, no mesmo espaço latente, com raciocínio unificado.

Analogia: é a diferença entre um coordenador com telefone ligando para especialistas diferentes (eficiente, mas com overhead de coordenação) versus um especialista que genuinamente domina múltiplas áreas (cognitivamente mais integrado).

Essa diferença arquitetural permite raciocínio mais fluido entre diferentes tipos de conteúdo. Você pode referenciar “aquela parte do vídeo onde ele mencionou a tabela no documento anterior e compare com a imagem que você gerou” e o Gemini mantém contexto unificado.

No ChatGPT, isso exige coordenação entre modelos separados. Funciona, mas com mais atrito.

Mas Arquitetura Sozinha Não Explica o Crescimento Explosivo

Se fosse só sobre qualidade técnica, o Claude da Anthropic (que muitos desenvolvedores consideram superior em raciocínio e codificação) teria participação muito maior.

A verdadeira vantagem do Google não é apenas o modelo. É distribuição multiplicada por integração.

Distribuição: O Gemini está integrado à Busca, Android, Chrome, Gmail, Docs, Sheets, Meet. Você não precisa ir a um site separado. Você já está usando produtos Google dezenas de vezes por dia.

Integração: Não é apenas “disponível” nesses produtos — está profundamente tecido em seus fluxos de trabalho. Resumo de emails no Gmail. Análise de dados em Sheets. Assistência em reuniões no Meet.

O ChatGPT é um destino. O Gemini é infraestrutura ambiente.

E existe uma lei não escrita de tecnologia: infraestrutura ambiente sempre vence destinos isolados, eventualmente.

A Jogada Mais Inteligente: Gemini 3 Flash

16 de dezembro: Google lança Gemini 3 Flash.

Inteligência de fronteira por menos de um quarto do preço do Gemini 3 Pro. Mais rápido que o modelo anterior Gemini 2.5 Pro. Supera-o nos principais benchmarks.

Essa é a jogada de xeque-mate.

OpenAI tem que escolher: baixar preços (comprimindo margens drasticamente) ou aceitar que desenvolvedores migrarão para alternativas mais baratas e suficientemente boas.

E “suficientemente bom” é o assassino de “ligeiramente melhor e muito mais caro” em mercados de tecnologia.

O “Código Vermelho” e o Que Ele Realmente Significa

Altman pausou projetos de monetização — incluindo publicidade e assistentes de compras com IA — para focar na experiência principal.

Tradução: a OpenAI percebeu que estava distraída construindo casos de uso derivados enquanto o produto central estava sendo flanqueado.

É o clássico dilema do inovador. Você tem vantagem de mercado, começa a explorar monetização, e enquanto está ocupado construindo produtos adjacentes, um concorrente fortalecido melhora o núcleo e começa a roubar sua base.

Em um memorando interno, Altman disse que a empresa estava “em um momento crítico para o ChatGPT” e precisava responder rapidamente.

Mas Altman também minimizou publicamente: o Gemini 3 “não teve o impacto que temíamos” mas “identificou algumas fraquezas em nossa estratégia de oferta de produtos.”

Essa dualidade — pânico interno, calma externa — é padrão em liderança corporativa sob pressão. Mas os números da Similarweb não mentem.

As Três Fraquezas Estruturais da OpenAI

1. Dependência de Tráfego Direto

O ChatGPT depende de usuários irem ativamente a chat.openai.com. O Gemini está embutido em produtos que bilhões já usam. Quando a novidade passa, tráfego direto sempre cai.

2. Ausência de Ecossistema Proprietário

A OpenAI não possui navegador, sistema operacional, suite de produtividade, ou engine de busca. Depende de parcerias (como com Microsoft) onde não controla a experiência completa.

3. Estrutura de Custos

Rodar modelos de fronteira é caro. A OpenAI precisa monetizar agressivamente. O Google pode subsidiar o Gemini com lucros da Busca e Ads, usando IA como moat competitivo de longo prazo, não centro de lucro imediato.

O Que Sam Badawi Disse Que Ninguém Quer Ouvir

“Isso não é ruído. Esta é a evidência mais clara de que o Google não está apenas participando, mas também está capturando participação de mercado.”

Sam Badawi, CEO da Solid Finance, está certo. E o que torna isso desconfortável para a OpenAI é: não há razão estrutural para a trajetória reverter.

O Google tem:

  • Capacidade computacional praticamente ilimitada
  • Dados de treinamento massivos de décadas de Busca
  • Pontos de distribuição em bilhões de dispositivos
  • Monetização independente de cobrança direta por IA

A menos que a OpenAI desenvolva algum avanço técnico tão dramático que força usuários a voltarem — tipo GPT-5 sendo 10x melhor que qualquer alternativa — a erosão continuará.

E a história de tecnologia sugere que avanços técnicos isolados raramente superam vantagens de distribuição e integração.

O Paradoxo da Inovação: Pioneiros Raramente Vencem Mercados

A OpenAI criou o mercado de IA generativa consumidor. Mas isso não garante dominação de longo prazo.

Microsoft criou tablets antes do iPad. Google criou smartwatches antes do Apple Watch. Netscape criou navegadores comerciais antes do Internet Explorer e Chrome.

Pioneiros definem categorias. Mas vencedores de mercado geralmente são empresas com:

  1. Recursos para iterar rapidamente
  2. Distribuição massiva
  3. Integração profunda com produtos existentes
  4. Capacidade de subsidiar durante fase de crescimento

A OpenAI tem (1). O Google tem todos os quatro.

O Que Vem a Seguir Para a OpenAI

Três cenários plausíveis:

Cenário 1 — Especialização Vertical: OpenAI pivota para casos de uso empresariais de alto valor, abandonando batalha de mercado consumidor massivo para Google. Foco em API, integrações corporativas, soluções verticalizadas.

Cenário 2 — Corrida Armamentista Técnica: Lança GPT-5 com capacidades tão superiores que força reversão de mercado. Arriscado porque depende de manter liderança técnica indefinidamente.

Cenário 3 — Consolidação: Aprofunda parceria com Microsoft (ou é adquirida completamente), usando distribuição do Windows, Office, e Azure para competir em pé de igualdade com Google.

O mais provável? Alguma combinação dos três, pesando mais para (1) e (3).

O Que Isso Significa Para Empresas Usando IA

Não case com um fornecedor único. A dinâmica de mercado está mudando rápido demais. Estratégias multi-modelo são essenciais.

Preste atenção em integração, não apenas capacidade. O modelo “melhor” em benchmarks isolados pode não ser o melhor para seu fluxo de trabalho se exigir constante context-switching.

Arquitetura de sistemas importa mais do que você pensa. Multimodalidade nativa versus orquestração de modelos tem implicações práticas reais em latência, custo, e experiência do usuário.

A vantagem de distribuição é subestimada. Se você está construindo produtos de IA, onde seus usuários já passam tempo importa tanto quanto quão boa sua tecnologia é.

A Verdade Desconfortável

A OpenAI não está perdendo porque o ChatGPT ficou ruim. Está perdendo porque o Google construiu algo suficientemente bom e o colocou onde bilhões de pessoas já estão.

Na tecnologia, “suficientemente bom + onipresente” quase sempre vence “melhor + isolado”.

Sam Altman sabe disso. O “código vermelho” é reconhecimento tácito de que vantagem de pioneiro não é vantagem permanente.

E para o resto de nós — empresas, desenvolvedores, usuários — a lição é clara:

Mercados de tecnologia não recompensam quem chegou primeiro. Recompensam quem melhor combina capacidade técnica com distribuição, integração, e execução sustentada.

O ChatGPT criou a categoria. Mas o Gemini pode vencer o mercado.

E essa história está apenas começando.

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