
Publicado em
15/03/2025 às 11:36
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) criaram uma interface cérebro-computador que possibilitou que um homem com paralisia possa controlar um braço robótico usando apenas seus pensamentos, mudando o rumo da Inteligência Artificial na medicina. O braço robótico controlado pelo pensamento, que funcionou por um recorde de 7 meses sem necessidade de ajustes, representa um avanço significativo em uma tecnologia que anteriormente exigia recalibração diária ou a cada dois dias.
A inteligência artificial na medicina
O participante para usar o braço robótico controlado pelo pensamento, que ficou paralisado após um derrame anos atrás e não consegue falar ou se mover, recebeu pequenos sensores implantados na superfície do cérebro.
Os sensores com Inteligência Artificial captam a atividade cerebral quando ele imagina realizar movimentos específicos. Por meio deste sistema, o homem com paralisia conseguiu agarrar, soltar e mover objetos simplesmente imaginando a execução dessas ações.
O segredo do sucesso foi a descoberta de como a atividade do cérebro muda diariamente enquanto uma pessoa repete um movimento imaginando e aprende a realizá-lo de forma mais refinada.
Segundo o Dr. Karunesh Ganguly, neurologista e professor da UCSF, esta combinação de aprendizado entre humanos e inteligência artificial na medicina utiliza um modelo de IA programado para se ajustar às pequenas mudanças que acontecem no cérebro enquanto o usuário aperfeiçoa seus movimentos imaginados.
A equipe de pesquisadores descobriu que, apesar dos padrões cerebrais manterem sua forma geral, suas localizações se deslocam ligeiramente a cada dia. A variação explica porque outros dispositivos semelhantes perdiam rapidamente a capacidade de reconhecer os comandos cerebrais.
Entenda como funciona o teste para braço robótico controlado pelo pensamento
Para treinar o homem com paralisia, os cientistas o fizeram praticar com um braço robótico virtual que fornecia feedback sobre a precisão de suas visualizações. Após dominar o controle virtual, ele mudou essas habilidades para o mundo real em poucas sessões de prática.
O participante conseguiu mover o braço robótico controlado pelo pensamento para pegar blocos, girá-los e movê-los para os novos locais.
Até mesmo foi possível abrir um armário, retirando um copo e o posicionando sob um dispensador de água, mostrando um grande avanço da Inteligência Artificial na medicina. Meses depois, o homem com paralisia ainda conseguia mexer o braço robótico controlado pelo pensamento após uma rápida recalibração de 15 minutos para ajustar às mudanças nas representações cerebrais ocorridas desde o começo do uso do dispositivo.
A equipe da universidade continua aprimorando os modelos de Inteligência Artificial na medicina para tornar os movimentos do braço robótico controlado pelo pensamento mais rápidos e suaves, além de planejar testes em ambiente doméstico.
Para pessoas com paralisia, a capacidade de se alimentar ou tomar água sozinha representaria uma mudança significativa em sua qualidade de vida. O estudo, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e pelo Instituto UCSF Weill para neurociências, foi publicado na revista científica Cell em 6 de março de 2025.
Sobre a UCSF
A Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF) é focada exclusivamente nas ciências da saúde e foca em promover a saúde em todo o mundo através de pesquisa biomédica avançada, educação de nível de pós-graduação em ciências da vida e profissões da saúde e excelência no atendimento ao paciente.
O UCSF Heatlh, que serve como principal centro médico acadêmico da UCSF, inclui hospitais especializados de primeira linha e outros programas clínicos, e tem afiliações em toda a Bay Area.