Atualmente é comum receber em nossos consultórios pacientes que buscaram informações sobre suas doenças em plataformas de inteligência artificial. A facilidade em se utilizar ferramentas como o ChatGPT tornaram-se uma fonte de consulta rápida. Mas será que as respostas fornecidas por uma Inteligência Artificial são confiáveis para questões médicas específicas, como uma cirurgia de menisco?
Um estudo recente publicado em junho de 2025 na revista “The Knee”, foi conduzido por um grupo de pesquisadores de Munique na Alemanha, e abordou precisamente essa questão.

Qual foi o objetivo do estudo?
O objetivo principal da pesquisa foi a examinar a eficácia do ChatGPT-4 em responder a perguntas frequentes dos pacientes sobre cirurgias do menisco, diferenciando procedimentos como a meniscectomia (ressecção) e a sutura meniscal. A hipótese dos investigadores era a de que a IA seria capaz de fornecer informações satisfatórias e confiáveis para tirar este tipo de dúvidas.
Como a avaliação foi realizada?
Os investigadores identificaram 10 perguntas comuns que os pacientes fazem nas consultas sobre esta cirurgia. Questões como “Qual a diferença entre sutura e meniscectomia?”, “Quais os riscos da cirurgia?” e “Quanto tempo leva a recuperação?” foram submetidas ao ChatGPT. As respostas geradas foram então avaliadas por especialistas em cirurgia do joelho com base na precisão e clareza, sendo classificadas como “Excelente”, “Satisfatória” ou “Insatisfatória”, e ainda anotando-se se necessitavam de correções mínimas, moderadas ou substanciais.
Quais foram os resultados encontrados?
Os resultados foram notavelmente positivos. Das 10 respostas analisadas, nenhuma foi considerada “Insatisfatória”. A distribuição foi a seguinte:
- 4 respostas foram “Excelentes”, não necessitando de qualquer correção ou complementação.
- 4 respostas foram “Satisfatórias”, necessitando apenas de ajustes mínimos.
- 2 respostas foram “Satisfatórias”, necessitando de ajustes moderados nas respostas fornecidas.
O ChatGPT demonstrou capacidade em explicar a diferença fundamental entre a sutura e a meniscectomia, os riscos e complicações pós-operatórias, e as orientações para retomar a condução de veículos. As respostas foram geralmente abrangentes, corretas e apresentadas de forma clara.
Em que pontos a IA ainda precisa de clarificação?
Apesar do bom desempenho de forma geral, os especialistas identificaram áreas para melhoria. Por exemplo, na pergunta sobre as opções de tratamento, o ChatGPT listou corretamente as alternativas, mas não deixou claro que o tratamento conservador (não cirúrgico) é uma opção primária principalmente para lesões com padrão degenerativo sem sintomas de bloqueio articular, mas não para lesões agudas. Outra resposta, sobre estimado de internação, a IA associou incorretamente uma estadia hospitalar mais longa à sutura meniscal, quando na realidade a maioria destes procedimentos é realizada em regime de “day clini”c ou com internações curtas.
Qual o impacto prático destes achados?
Este estudo sugere que o ChatGPT pode ser uma ferramenta de orientação inicial valiosa para pacientes que procuram informações básicas sobre cirurgia de menisco. As suas respostas podem ajudar a preparar o paciente para a consulta, permitindo que ele chegue com dúvidas mais específicas e fundamentadas, otimizando assim o tempo valioso do especialista.
No entanto, a IA não é capaz de substituir o julgamento clínico de um médico. As informações geradas devem ser vistas como um ponto de partida para uma discussão, e não como um diagnóstico ou plano de tratamento definitivo. A interpretação dos resultados deve sempre considerar o contexto clínico individual do paciente, algo que a IA, atualmente, não é capaz de fazer.
Em resumo, o ChatGPT mostrou-se um aliado confiável para responder à perguntas gerais sobre menisco, mas a palavra final e a tomada de decisão devem sempre ser conduzidas por profissional qualificado.

