Explorando maneiras de investir em Ethereum
Tradicionalmente, aqueles interessados em criptoativos como ether — o principal token do blockchain Ethereum — simplesmente comprariam moedas através de plataformas como Coinbase ou Robinhood, ou as manteriam em carteiras pessoais como MetaMask. Os investidores, então, detinham esses ativos de forma direta.
O cenário mudou com a introdução do staking, um processo em que os usuários bloqueiam uma parte de sua criptomoeda para ajudar a validar transações no blockchain e, em troca, recebem recompensas. Essa abordagem permitiu que os detentores ganhassem renda passiva enquanto aguardavam potenciais valorizações, muitas vezes facilitadas por exchanges de criptomoedas.
À medida que os ativos digitais se tornaram mais integrados ao sistema financeiro tradicional, novos veículos de investimento surgiram. Fundos negociados em bolsa (ETFs) que refletem o preço à vista do ether agora existem ao lado da posse direta, oferecendo aos investidores uma gama mais ampla de opções — mas também decisões mais complexas.
Adicionando mais uma camada, alguns ETFs que acompanham o ether agora incorporam recursos de staking. Esses fundos não apenas proporcionam exposição às variações de preço do ether, mas também oferecem a possibilidade de obter recompensas de staking, criando uma fonte adicional de renda para os investidores.
Por exemplo, no início deste mês, a gestora de criptoativos Grayscale tornou-se a primeira a distribuir recompensas de staking aos acionistas de seu Ethereum Staking ETF (ETHE). Os investidores receberam US$ 0,083178 por ação; assim, um investimento de US$ 1.000 em ações do ETHE (cotadas a US$ 25,87 cada na época) teria resultado em US$ 82,78 em recompensas.
Esse desenvolvimento levanta uma questão fundamental para os investidores: é preferível comprar e manter ether diretamente através de uma exchange de criptomoedas, ou investir em um ETF que gerencie o staking em seu nome?
Comparando rendimento e controle
A escolha basicamente se resume a duas considerações principais: quanta autonomia você deseja sobre seus ativos e quais retornos potenciais você busca.
Ao comprar ether diretamente de uma exchange como Coinbase ou Robinhood, os investidores adquirem a criptomoeda propriamente dita. Seus ganhos ou perdas dependem das flutuações de preço do ether, com a exchange atuando como custodiante.
Se os investidores optarem por fazer staking de seu ether através de uma plataforma como a Coinbase, a exchange gerencia o processo de staking. Os investidores normalmente ganham recompensas anuais de 3% a 5%, descontada uma comissão retida pela exchange. Esse método é fácil de usar e mantém os investidores dentro do ecossistema cripto, permitindo que movimentem, retirem do staking ou utilizem seu ether como quiserem.
Alternativamente, ao comprar ações de um ETF de ether, o fundo adquire ether em nome do investidor. Se o ETF incluir staking, o fundo faz o staking e distribui as recompensas aos acionistas. Os investidores não precisam configurar carteiras ou interagir diretamente com exchanges de criptomoedas.
Entendendo taxas e retornos
As taxas são um fator significativo a considerar. O Ethereum Trust (ETHE) da Grayscale, por exemplo, cobra uma taxa de administração anual de 2,5%, independentemente do desempenho do mercado. Se o fundo fizer staking de ether, uma parte das recompensas de staking também é paga ao provedor de staking antes de qualquer distribuição aos acionistas.
Por outro lado, a Coinbase não cobra uma taxa de administração anual para manter ether, mas retém até 35% das recompensas de staking como comissão — uma prática comum entre plataformas de staking, embora a taxa exata possa variar.
De acordo com a divulgação oficial da Coinbase, “Não há taxa para fazer staking de seus ativos. A Coinbase recebe uma comissão com base nas recompensas que você recebe da rede. Nossa comissão padrão é de 35% para ADA, ATOM, AVAX, DOT, ETH, MATIC, SOL e XTZ.” Taxas menores estão disponíveis para membros premium.
De modo geral, fazer staking diretamente pela Coinbase pode render retornos maiores do que pelo ETF, embora ETFs possam atrair quem prefere uma abordagem mais passiva e a conveniência de usar uma corretora tradicional.
Com um ETF de staking, os investidores podem se beneficiar das variações de preço do ether e das recompensas de staking sem precisar entender as complexidades de carteiras ou exchanges cripto. O processo é semelhante ao recebimento de dividendos de um fundo de ações, exceto que as recompensas têm origem em atividades do blockchain, e não em lucros corporativos.
Essa simplicidade contribuiu para a popularidade dos ETFs de staking, mas existem advertências importantes a serem consideradas.
Riscos e limitações
É importante observar que a renda de staking não é garantida. Assim como ETFs baseados em ações, fundos de staking estão sujeitos a riscos como rendimentos flutuantes. Por exemplo, se uma empresa reduz seu dividendo, o rendimento para os investidores cai; de forma similar, as recompensas de staking dependem da atividade da rede e do total em staking. Atualmente, o rendimento anualizado de staking do ether é de cerca de 2,8%.
Rendimento anualizado de staking da população de validadores do Ethereum. (CoinDesk CESR)
No entanto, esses retornos são variáveis, como ilustrado pelos dados. Se uma operação de staking enfrentar problemas — como um validador falhar ou ser penalizado — o fundo pode perder parte de seu ether.
O mesmo vale para staking via Coinbase: enquanto a plataforma gerencia aspectos técnicos, as recompensas podem oscilar, e um desempenho ruim dos validadores pode reduzir os ganhos. O staking pela Coinbase oferece mais flexibilidade do que um ETF, já que os investidores mantêm a posse do ether e podem optar por retirá-lo do staking ou transferi-lo — opções indisponíveis para acionistas de ETFs.
Acesso e controle também são considerações importantes. Manter ether em uma exchange como Coinbase ou Robinhood mantém os investidores dentro do ecossistema cripto, permitindo a transferência de ativos para carteiras ou uso em aplicativos de finanças descentralizadas (DeFi) (embora o processo de saque da Robinhood possa ser mais complexo).
Com um ETF de Ethereum, os investidores não possuem ether diretamente e não podem transferi-lo, fazer staking de forma independente ou utilizá-lo em protocolos DeFi. Sua exposição limita-se à compra ou venda de ações do ETF através de uma corretora, com o acesso regido pelo horário tradicional do mercado, e não pela disponibilidade do blockchain.
Escolhendo a abordagem certa
Em última análise, a melhor opção depende das prioridades do investidor.
- Se conveniência e renda passiva são os principais objetivos, e o investidor prefere não gerenciar chaves privadas ou operações de staking, um ETF de staking pode ser adequado — mesmo que as taxas reduzam o retorno total.
- Para quem valoriza a posse direta, maior flexibilidade ou deseja gerenciar o staking por conta própria, manter ether em uma carteira ou em uma exchange pode ser preferível. Essa abordagem também evita taxas de administração de fundos, embora ainda haja custos de transação.
Como servidor público experiente há mais de 16 anos, vejo o potencial dos ETFs de criptomoedas que incorporam staking como uma oportunidade interessante para aumentar os retornos financeiros. O staking permite aos investidores ganhar rendimentos adicionais ao manter suas criptomoedas em uma carteira de investimento, o que pode ser uma estratégia lucrativa a longo prazo. No entanto, é importante ressaltar que esses produtos podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, já que envolvem um nível de risco diferente do tradicional. É essencial que os interessados em investir em ETFs de criptomoedas façam uma cuidadosa análise e avaliação de seu perfil de investimento antes de decidir se é a opção certa para eles. No entanto, para aqueles que estão dispostos a assumir o risco, os ETFs de criptomoedas que incorporam staking podem ser uma maneira interessante de diversificar sua carteira e potencialmente aumentar seus retornos financeiros. É algo para se considerar com cautela e sabedoria.

