Anos de acúmulo irregular de lixo motivaram Fortaleza a testar o EcoVigIA, um sistema que combina tecnologia e fiscalização. O projeto utiliza inteligência artificial e deve entrar em operação plena na capital cearense até março de 2026.
O prefeito Evandro Leitão descreve o cenário atual como caótico: equipes limpam pela manhã e o lixo retorna poucas horas depois. Ele aposta que penalidades financeiras podem alterar hábitos de forma eficaz, de modo semelhante à adoção do cinto de segurança.
O sistema usa câmeras com reconhecimento de rostos e veículos para registrar infrações e aplicar multas, criando um monitoramento contínuo das áreas críticas.
Porém, mesmo com a tecnologia, o sucesso depende do engajamento da população. A participação ativa dos moradores é essencial para garantir que o projeto não apenas puna, mas transforme a cidade em um exemplo de gestão urbana sustentável e duradoura.
Multa para quem joga lixo irregular
O Eco VigIA combina videomonitoramento, leitura de placas e identificação facial para flagrar descartes em áreas proibidas. Em seguida, notificações e multas são enviadas aos responsáveis.
A Prefeitura instalará uma Central de Monitoramento próxima ao Paço Municipal. Inicialmente, a inteligência artificial apoiará a conservação urbana, mas logo deve avançar para campos como segurança e trânsito.
Reconhecimento e responsabilização
Para realizar a identificação e reduzir a reincidência nos pontos crônicos, a plataforma cruzará dados de veículos, horários e locais. A administração promete resguardar o devido processo ao notificar infratores, mantendo a privacidade da população.
Com o apoio tecnológico, a cidade pretende coibir os poucos que insistem na prática e fortalecer a limpeza urbana.
Valores das multas
A Lei Complementar nº 270, de agosto de 2019, define como infração grave o descarte de resíduos em logradouros públicos, terrenos vagos ou subutilizados. A penalidade inclui multa em flagrante, remoção e reparação de danos. Os valores variam de R$ 202,50 a R$ 32.400, com agravantes previstos.
- Multa em dobro quando há uso de veículo automotor de passageiros.
- Autuação pode ocorrer em flagrante, conforme a Lei Complementar nº 270.
- O infrator deve arcar com a remoção e a reparação do dano causado.
Fiscalização e empresas na mira
As câmeras de videomonitoramento já auxiliam na identificação de descartes irregulares. Desde agosto deste ano, uma sala da Agefis reforça o trabalho. Nos nove primeiros meses de 2025, o órgão registrou 381 autuações a partir das imagens, com foco nos pontos crônicos.
Até 2024, a capital contabilizava cerca de 1.200 pontos crônicos, com predominância na Barra do Ceará e no Genibaú. Portanto, a gestão mira reduzir drasticamente esses locais com ações integradas.
O abandono de resíduos também parte de grandes empresas. Em setembro, a Agefis iniciou a Operação Capital Limpa e Ordenada para intensificar as vistorias. Só na primeira semana, a equipe realizou 680 inspeções e identificou 384 irregularidades.
Shoppings, clínicas, restaurantes e espaços comerciais concentram as ocorrências.
Paralelamente, caçambas de coleta especial da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) percorrem diariamente áreas estratégicas para limpeza. Assim, o plano busca conter acúmulos recorrentes e dar vazão a grandes volumes de resíduos gerados pelo setor produtivo.
Descarte adequado e educação ambiental
Quem precisa se desfazer de pequenos volumes encontra quase 100 Ecopontos distribuídos por todas as regionais. Eles funcionam das 8h às 12h e das 14h às 17h, e os endereços estão disponíveis no site da Prefeitura.
Outra alternativa é o Caminhão Limpezinha, criado em abril deste ano, que oferece coleta domiciliar por agendamento na Central 156. O serviço atua de segunda a sábado, recolhendo móveis e eletrodomésticos velhos, restos de madeira e ferragens, pneus e itens que não podem ir para o lixo comum.
Em junho deste ano, o Programa Joga Limpo requalificou áreas próximas a escolas públicas e promoveu ações de conscientização. Educadores ambientais envolveram a comunidade escolar, transformando crianças em fiscais e multiplicadores.
Para estimular resultados, a gestão organizou uma gincana entre estudantes e premiou as unidades com melhor desempenho no combate à poluição. Assim, o programa conectou infraestrutura, educação e participação social em torno da limpeza urbana.
A tecnologia da Inteligência Artificial está cada vez mais presente em nosso cotidiano, e agora está sendo utilizada para flagrar quem joga lixo na rua. Com multas que podem chegar a R$ 32 mil, a fiscalização será mais eficiente e ajudará a manter as cidades limpas e organizadas. É importante refletirmos sobre o impacto positivo que essa tecnologia pode trazer para a nossa sociedade, incentivando a conscientização ambiental e a preservação do meio ambiente. Vamos aproveitar os avanços da IA e trabalhar juntos por um ambiente mais sustentável e uma melhor qualidade de vida para todos.

