Uso o ChatGPT desde o dia em que ele foi lançado (em novembro de 2022). Ainda não havia recursos sofisticados, seleção de modelos ou uma variedade de ferramentas de IA para escolher. Mas, de lá para cá, muita coisa mudou. Aqui estão algumas das lições que aprendi até agora.
1. De tempos em tempos, surgem manchetes anunciando o “modelo de IA mais poderoso do mundo”. Ignore o hype. Continue usando o ChatGPT, o Gemini, o Claude ou a ferramenta que você já conhece. Espere alguns meses e as manchetes estarão falando justamente do modelo que você usa.
2. O ChatGPT pode tornar você mais produtivo ou mais dependente. Um estudo do MIT mostrou que, embora a inteligência artificial possa aumentar consideravelmente a produtividade, ela também pode enfraquecer o pensamento crítico. O segredo é usá-la como assistente, não como substituta do cérebro.
3. Se você é estudante, vale ativar o modo de estudo no ChatGPT, no Gemini ou no Claude. Com esse recurso ativado, os chatbots orientam o raciocínio em vez de entregar respostas completas, incentivando o pensamento crítico.
4. O ChatGPT e outros chatbots também podem inventar informações com muita convicção – fenômeno conhecido como “alucinação de IA”. Sempre que algo parecer estranho, vale conferir a resposta.
5. O NotebookLM alucina menos do que a maioria das ferramentas de IA, mas exige que o usuário envie fontes (PDFs, áudios ou vídeos) e não responde além desse material. Ainda assim, é uma ótima opção para estudantes e para quem trabalha com documentos próprios.
6. Talvez o recurso mais subestimado da IA hoje seja a pesquisa em profundidade (deep research). Ela automatiza buscas na web e entrega um relatório completo, com citações, em um período de tempo entre cinco e 30 minutos, com baixo risco de alucinação. Está disponível no ChatGPT, no Perplexity e no Gemini. Vale testar.
7. Chatbots têm uma memória de curto prazo limitada. Em conversas longas, podem perder detalhes importantes do início. Aprendi a repetir periodicamente os pontos-chave das instruções iniciais ou simplesmente iniciar um novo chat quando necessário.

8. O ChatGPT também pode, de vez em quando, classificar uma pergunta legítima como violação de políticas. Quando isso acontece, reformule o prompt ou explique melhor o contexto da pergunta.
9. Na prática, vale lembrar da hierarquia: grátisOs planos Pro vão além e podem gerar vantagem competitiva, embora nem todo mundo precise deles. Se você trabalha com questões sensíveis, testar o Pro por um mês faz sentido.
10. Também não é uma boa ideia ficar preso ao modo padrão do ChatGPT. O seletor de modelos oferece opções como instant, thinking mini e thinking. Para quem tem assinatura Pro, o modo Pro merece ser usado com mais frequência.
11. A próxima grande onda são os agentes de IA. Um exemplo é o ChatGPT Agent: essencialmente, um ChatGPT capaz de ir além da resposta em texto. Ele pode executar ações na web, visitar sites, clicar em botões, rolar páginas e agir em direção a um objetivo com mínima intervenção humana.

12. Os travessões (–) existiam muito antes do ChatGPT, então não há motivo para evitá-los se fazem parte do seu estilo de escrita.
13. Aprender um pouco sobre os aspectos técnicos por trás das ferramentas de inteligência artificial não faz mal, pelo contrário. Isso ajuda a esclarecer conceitos importantes e traz mais segurança ao falar ou trabalhar com IA.
14. Por padrão, o ChatGPT não navega na internet. Mas, ao ativar a função Web Search, ele pode se tornar um bom substituto para o Google em muitas situações. Outra alternativa forte é o Perplexity.
15. Não é errado usar o ChatGPT como se fosse um mecanismo de busca. Muitas vezes, você obtém respostas imediatas e ganha velocidade. Mas é bom usar chats temporários e projetos para manter tudo organizado.

16. Criar bons prompts – a chamada engenharia de prompt – é uma habilidade essencial para extrair o máximo das ferramentas de IA.
17. A IA evolui rápido e é preciso se adaptar. À medida que o ChatGPT fica mais inteligente, algumas técnicas de prompt ficam obsoletas, enquanto outras surgem.
18. Ferramentas de expansão de texto economizam muito tempo na criação de prompts. Soluções como Alfred, Beeftext ou Text Blaze permitem digitar rapidamente comandos complexos, salvar modelos e reutilizá-los. O Raycast é outra boa opção.
19. É possível ser tão produtivo no aplicativo móvel do ChatGPT quanto na versão web. No iPhone, o recurso nativo de substituição de texto funciona como um expansor e acelera a digitação de prompts.

20. O modo de voz no celular também é útil para brainstorming ou para discutir ideias quando você quer uma segunda opinião. Testei várias vezes e, na maioria delas, fiquei satisfeito com os resultados.
21. O ChatGPT fala muitos idiomas. Dá para praticar escrita e conversação a qualquer momento. Em tradução, ele costuma superar ferramentas literais, como o Google Tradutor, por entender contexto, intenção e nuances culturais.
22. Chatbots tendem a sempre concordar com o usuário. Para respostas mais críticas, vale pedir pontos de vista opostos, múltiplas perspectivas ou análises mais duras – de preferência, sem colocar sua própria opinião no prompt.
23. O Midjourney é excelente para criar imagens impressionantes, mas, para iniciantes, o ChatGPT oferece um equilíbrio melhor entre facilidade de uso e qualidade visual, desde que se aplique um ajuste simples.

24. Ferramentas de IA tornaram a programação mais acessível por meio do chamado vibe coding. Ainda assim, quem não conhece (ou não quer aprender) o básico de programação pode acabar perdendo tempo. Pelo menos por enquanto, é preciso orientar a IA, revisar o código e corrigir o rumo.
25. Por fim, nem todas as empresas de IA tratam a privacidade da mesma forma. Segundo um relatório recente, o Le Chat (da Mistral AI), o ChatGPT (da OpenAI) e o Grok (da xAI) estão entre as plataformas menos invasivas em termos de coleta de dados. Já a Meta AI (da Meta) e o Gemini (do Google) foram apontadas como as mais agressivas e menos transparentes em suas práticas.
Este artigo foi republicado com permissão da Wonder Tools, newsletter dedicada a apresentar os sites e aplicativos mais úteis do momento.

