A inteligência artificial certamente não estreou em 2025, mas foi o ano em que ela realmente começou a alcançar o grande público.
O ChatGPT, no início do ano, tinha entre 300 milhões e 400 milhões de usuários semanais médios. Em outubro, esse número havia dobrado. O uso de outros sistemas de IA, como o Perplexity e o Gemini, do Google, também registrou saltos semelhantes.
Chegando a 2026, cresce a curiosidade sobre o que vem a seguir. A Fast Company conversou com diversos analistas e especialistas da indústria para entender quais são as projeções sobre como a influência da IA deve continuar se expandindo este ano.
A BOLHA NÃO VAI ESTOURAR
Enquanto os pessimistas de Wall Street seguem falando sobre uma suposta bolha da IA, Dan Ives, da Wedbush, afirma que esses temores são exagerados e que o movimento em torno da inteligência artificial deve, na verdade, crescer ainda mais em 2026.
Segundo ele, a revolução da IA voltada ao consumidor ainda não começou de fato. Além disso, a ascensão da robótica nos próximos anos, somada ao longo caminho de adoção corporativa e à expansão global, devem sustentar um mercado de tecnologia em alta.
“Essa revolução da IA está apenas começando. Acreditamos que ações de tecnologia e os grandes vencedores da IA devem ser comprados, considerando nossa visão de que estamos no terceiro ano de um ciclo de 10 anos de construção dessa revolução”, escreve. “Esperamos que as ações de tecnologia subam mais 20% em 2026, à medida que essa próxima fase da IA ganhe tração.”
UMA CHACOALHADA NO “PENSAMENTO PREGUIÇOSO”
Nem todas as previsões sobre a IA em 2026 são tão otimistas. A Gartner acende um alerta sobre a crescente dependência das pessoas em relação a chatbots e à aceitação automática do que essas ferramentas produzem.

Em 2026, prevê a consultoria, haverá uma “atrofia das habilidades de pensamento crítico devido ao uso de IA generativa”. Como consequência, metade das organizações globais deverá exigir avaliações de competências realizadas sem o uso de IA.
“À medida que a automação avança, a capacidade de pensar de forma independente e criativa se tornará cada vez mais rara – e cada vez mais valiosa”, escreve a Gartner.
DOS SITES AOS MECANISMOS DE BUSCA
Chatbots de IA generativa são hoje a principal forma de interação das pessoas com a inteligência artificial. Eles não exigem conhecimento técnico (embora saber formular bons prompts aumente a eficiência) e, em geral, são gratuitos.

Ferramentas como ChatGPT e Perplexity normalmente exigem que o usuário acesse um site específico. A partir de 2026, no entanto, a Deloitte prevê que mais pessoas passem a usar IA generativa incorporada a aplicações já existentes, como mecanismos de busca.
“Em termos de uso diário, acessar IA generativa dentro de um buscador [quando a pesquisa gera uma síntese dos resultados] será 300% mais comum do que usar qualquer ferramenta de IA generativa independente”, afirma a consultoria.
A ASCENSÃO DOS ROBÔS
Embora robôs humanoides em 2026 provavelmente não atinjam os níveis previstos por Elon Musk, a Deloitte afirma que veremos um aumento significativo da robótica impulsionada por IA. O número de robôs industriais deve chegar a 5,5 milhões.

Esse movimento marca o início de uma nova onda, que pode levar os embarques anuais a crescerem até alcançar um milhão de unidades por ano em 2030. Segundo a consultoria, esse avanço será impulsionado pela escassez de mão de obra e por “avanços exponenciais no poder computacional”.
UM TSUNAMI JURÍDICO
Empresas de IA já enfrentam uma série de processos judiciais, com destaque para casos em que os autores alegam que sistemas de IA levaram pessoas a tirar a própria vida.

Esses episódios colocaram em evidência a falta de salvaguardas claras no setor. Ainda assim, até agora, Washington demonstrou pouco interesse em estabelecer regras firmes para as empresas de IA.
A Gartner prevê que, até o fim de 2026, haverá mais de duas mil ações judiciais classificadas como “morte por IA”. O lado positivo dessa tragédia, segundo a consultoria, é que ela pode finalmente levar reguladores a focar seriamente em questões de segurança.
“Sistemas tipo caixa-preta – modelos de IA cujos processos decisórios são opacos ou difíceis de interpretar – podem falhar, especialmente em setores de alto risco como saúde, finanças e segurança pública”, escreve a Gartner. “Explicabilidade, design ético e dados limpos se tornarão inegociáveis.”
