Parece que, com a virada do ano, a OpenAI decidiu mudar de rota e encontrar novas fontes de receita para o negócio que, até agora, tem apenas queimado caixa. Conhecida por softwares e grandes modelos de linguagem (LLMs), a dona do ChatGPT agora quer apostar em hardwares.
Segundo informações obtidas pelo The Information, a OpenAI teria unificado equipes de engenharia, produto e pesquisa nos últimos meses para anunciar um novo modelo de linguagem de áudio ainda no 1º trimestre de 2026. A ideia com esse novo modelo é preparar o terreno para um dispositivo pessoal físico centrado na voz, ainda sem previsão de lançamento. O movimento ocorre em meio às projeções de que a empresa deve operar no vermelho até 2030, segundo estimativas do HSBC.
Mas a mudança de foco da OpenAI não é um evento isolado. Ela dialoga com uma tendência da indústria de tecnologia, que nos últimos tempos parece enxergar o áudio como a próxima grande interface, à medida que as telas perdem protagonismo — por mais improvável que isso pareça atualmente.
Empresas como Meta, Google e Tesla vêm testando, cada uma a seu modo, interações que dispensam ou reduzem a centralidade da tela, apostando no áudio como principal meio de contato com o usuário.
A Meta, por exemplo, tem explorado os óculos inteligentes Ray-Ban como “extensões da audição humana”, com um conjunto de cinco microfones para ajudar a ouvir conversas em ambientes ruidosos. Já o Google passou a testar, em junho de 2025, o recurso “Resumos de Áudio” para consultas de pesquisa. A Tesla, por sua vez, está integrando o chatbot Grok, da xAI, em seus veículos para criar um assistente de voz conversacional capaz de controlar todo o carro.
Dentro da OpenAI, a aposta em um dispositivo centrado na voz parte da convicção de que falar é a forma mais natural de interagir com a inteligência artificial. Ainda segundo a reportagem do The Information, as pessoas envolvidas no projeto defendem que a comunicação por voz se aproxima mais da maneira como as pessoas já se relacionam entre si, o que ajudaria a tornar a IA menos técnica e mais intuitiva.
O desafio, no entanto, está no comportamento do próprio usuário. Para se ter uma ideia, hoje, grande parte das pessoas ainda interage com o ChatGPT por texto, seja por não conhecerem as funções de voz, seja pela qualidade ainda limitada dos modelos de áudio. Antes de lançar um dispositivo pensado para conversas faladas, portanto, é possível que a OpenAI ainda precise “ensinar” seus usuários a falar em voz alta com a IA. Resta saber se, depois de tudo isso, a companhia vai finalmente encontrar uma fonte sustentável de receita ou se continuará apenas queimando caixa.

