A OpenAI revelou que vai iniciar testes com anúncios no ChatGPT, dirigidos aos utilizadores dos planos gratuitos e do ChatGPT Go, a modalidade de subscrição mais barata do serviço. A empresa procura, assim, experimentar novos modelos de monetização num contexto de forte pressão financeira associada ao desenvolvimento e operação de modelos de inteligência artificial de grande escala.
De acordo com as diretrizes publicadas pela OpenAI, os anúncios serão claramente identificados e não terão qualquer impacto nas respostas fornecidas pelo ChatGPT. A empresa assegura ainda que as conversas dos utilizadores não serão acessíveis aos anunciantes. Os planos Pro, Business e Enterprise ficam fora deste teste e não serão afetados pelas alterações.
Sam Altman, CEO da OpenAI, explicou na rede social X que a mudança se aplicará aos utilizadores gratuitos do ChatGPT e aos subscritores do plano ChatGPT Go, que tem um custo mensal de 8 dólares (cerca de 6,89 euros). Altman apontou o Instagram como referência para o tipo de experiência publicitária que a empresa pretende desenvolver, sublinhando que o objetivo passa por tornar os anúncios “cada vez mais úteis para os utilizadores”.
“Está claro para nós que muitas pessoas querem usar muita IA e não querem pagar, então temos esperança de que um modelo de negócios como este possa funcionar”, escreveu Altman.
Segundo dados obtidos pela Axios, os utilizadores enviam diariamente cerca de 2,5 mil milhões de prompts ao ChatGPT. Cada uma dessas interações poderá, em função do nível da conta, passar a ser acompanhada por conteúdo patrocinado, o que representa um potencial significativo em termos de escala publicitária.
Concorrência
A decisão surge num momento em que a concorrência no mercado de chatbots de IA se intensifica. Embora o ChatGPT tenha sido o primeiro grande serviço do género a chegar ao mercado, soluções concorrentes como o Gemini, da Google, têm vindo a ganhar terreno. As ações da Alphabet subiram quase 80% nos últimos seis meses, impulsionadas pelo desempenho da empresa nesta área. Ao contrário da Google, a OpenAI não dispõe de um negócio de publicidade consolidado, tendo dependido sobretudo de subscrições e acordos empresariais como principais fontes de receita.
Também a Anthropic tem reforçado a sua posição, com o chatbot Claude a ganhar quota de mercado no segmento empresarial. De acordo com um relatório da Menlo Ventures, em meados de 2025, o Claude ultrapassou o ChatGPT como o chatbot mais popular entre clientes de nível empresarial. Paralelamente, a Meta continua a investir fortemente na construção de infraestruturas de IA, enquanto a empresa chinesa Deepseek entrou na corrida em janeiro passado com um modelo de código aberto que rapidamente ganhou visibilidade nas lojas de aplicações. Mais recentemente, Google e Apple anunciaram uma colaboração plurianual para que a próxima geração de modelos Apple Foundation seja baseada nos modelos Gemini da Google, reforçando uma frente comum face à OpenAI.
Desafios de rentabilidade
Desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, a OpenAI tem enfrentado desafios significativos ao nível da rentabilidade. Apesar de o chatbot ter atraído milhões de utilizadores poucos meses após a sua disponibilização pública e de ter ultrapassado, mais tarde, a marca dos 100 milhões, os custos associados ao treino e operação de grandes modelos de IA têm sido elevados. Estes custos incluem centros de dados de alta potência e a contratação de talento altamente especializado, superando as receitas geradas pela maioria dos utilizadores em contas gratuitas.
Em novembro, Sam Altman indicou que a empresa caminhava para encerrar 2025 com uma receita anualizada de 20 mil milhões de dólares (cerca de 17,24 mil milhões de euros), embora os valores finais ainda não tenham sido divulgados. O teste com anúncios decorre também num contexto político e energético sensível, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a pressionar grandes empresas tecnológicas, incluindo a OpenAI, para contribuírem para o financiamento de novas centrais elétricas capazes de responder ao aumento do consumo energético provocado pelos centros de dados dedicados à inteligência artificial.
Martina Di Licosa/Forbes Internacional

