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Os riscos do emprego da inteligência artificial em conflitos militares

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A operação militar conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã evidenciou, como nunca antes, o potencial e os riscos do uso da inteligência artificial na guerra. As informações e imagens recolhidos ao longo de anos pelos serviços secretos israelenses e americanos alimentaram as bases de dados das IAs contratadas por Washington e Tel Aviv, que orientaram os alvos de bombardeios em Teerã.

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O assassinato do líder supremo Ali Khamenei foi resultado desta “automatização da guerra”, indica a revista francesa Le Nouvel Obs desta semana. O uso da IA já era disseminado nos conflitos na Ucrânia e em Gaza, assim como foi decisivo para a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Desta vez, entretanto, a operação conjunta entre a CIA americana e o Mossad israelense marcou “uma virada na história militar”, afirma também a semanal L’Express.

“As duas agências de inteligência usaram a alta tecnologia como nenhuma outra antes”, aponta a revista, salientando que os países ainda se beneficiam de um vácuo jurídico na legislação internacional sobre o uso militar da inteligência artificial.

As IAs analisam volumes massivos de dados sensíveis, ajudando os serviços de inteligência humana a conectar essas informações e definir suas futuras ações. No caso dos ataques a Teerã, a inteligência artificial Claude, desenvolvida pela Anthropic, identificou alvos e deslocamentos recorrentes das lideranças do regime ao longo de anos.

‘Margem de erro alta’

O problema é que “a margem de erro é alta e o discernimento humano na tomada de decisões não para de se reduzir”, adverte a diretora do Centro de Políticas de Tecnologias do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), Laure de Roucy-Rochegonde, em entrevista à Nouvel Obs. A pesquisadora chama a atenção para o risco de “maior tolerância aos danos colaterais”.

“A decisão é sempre tomada por um humano, mas ele se baseia no direcionamento estabelecido por uma máquina, que usa informações que ele não tem – o que significa dizer que a decisão é tomada às cegas”, explicou a especialista.

A revista Le Point destaca que a tecnologia também é amplamente utilizada para a defesa. Alvos das retaliações iranianas, os países do Golfo têm conseguido evitar a maioria dos ataques disparados por Teerã – graças, em grande parte, aos benefícios da inteligência artificial.

Com “orçamento ilimitado e salários exorbitantes”, os Emirados Árabes Unidos têm atraído alguns dos melhores especialistas da área, sublinha reportagem da Le Point. Em Abu Dhabi, o país inaugurou há cinco anos a primeira universidade do mundo especializada em IA.

“A inteligência artificial não é apenas um vetor de crescimento econômico dos emiradenses: é também o escudo da nação”, aponta a revista francesa.

A utilização da Inteligência Artificial na guerra levanta questionamentos éticos e morais sobre os limites da tecnologia. É importante refletir sobre como podemos utilizar essa ferramenta de forma positiva para melhorar a qualidade de vida da sociedade, ao invés de promover destruição e tragédias. A busca por alternativas pacíficas e a conscientização sobre os impactos negativos dessa tecnologia são passos essenciais para garantir um futuro mais seguro e próspero para todos.

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