O noticiário de tecnologia digital tornou-se, nos últimos dois anos, um dos principais temas dos tempos atuais, englobando questões importantes como política, eleições, diplomacia, infraestrutura, macroeconomia entre muitos outros tópicos.
Por isso, é importante ficarmos de olho em algumas das tendências mais quentes de 2026, e os impactos que elas podem ter na sociedade.
O Núcleo selecionou alguns assuntos principais para você acompanhar, tanto com foco no Brasil quanto no resto do mundo:
Regulação de IA
Fala-se há anos sobre regulação de plataformas digitais no Brasil – tanto de responsabilidades quanto de direitos autorais. O projeto de lei nunca foi pra frente devido à falta de vontade política no Congresso.
A proposta de regulação de inteligência artificial parece seguir um caminho levemente diferente: já aprovada no Senado, está em consulta na Câmara dos Deputados e há expectativa de políticos, ONGs e especialistas de que seja votada neste ano.
Há motivos para cautela nessa avaliação: esses mesmos atores já previram inúmeras vezes que um tema de direito digital estivesse prestes a ser votado, só para verem suas previsões frustradas. No fim do dia, são as lideranças das casas legislativas é que concentram esse poder.
Data centers
Centros de processamento de dados, os data centers, representam o assunto mais quente do momento em muitos países. A construção dessas megaestruturas tem sido constantemente alardeadas por grandes empresas de tecnologia.
Nos EUA, basicamente todas as maiores empresas de tecnologia – Google, Amazon, Meta, Apple, OpenAI, entre outras – estão investindo dezenas (em alguns casos centenas) de bilhões de dólares na construção de data centers voltados para inteligência artificial.
No Brasil, TikTok e Microsoft estão construindo grandes data centers (um no Ceará e outro no Estado de São Paulo, respectivamente), com investimentos bilionários e potencial impacto ambiental e econômico em suas regiões.
Em outros países da América Latina, como Chile, a construção de data centers tem sido um tema particularmente espinhoso.
Impacto da IA no trabalho
É fato que os novos sistemas de inteligência artificial já começaram a afetar a forma como trabalhamos e arrumamos empregos.
Mas também é fato que muitas das promessas alardeadas por CEOs de grandes empresas de IA ainda não se concretizaram, especialmente em torno de agentes de IA, que supostamente deveriam realizar compras e resolver nossos problemas do dia a dia sozinhos, mas que se provaram incapazes de ser mais do que simples assistentes digitais.
A IA generativa provou ter muitos usos, com potencial de afetar muito do que fazemos e como trabalhamos, especialmente trabalhos relacionados a áreas como programação de aplicações e atendimento ao cliente.
Mas ainda não consegue fazer coisas básicas sem supervisão, como acertar datas corretamente ou obedecer a comandos genéricos, sem falar em alucinações dos modelos (ou seja, quando inventam e mentem) – o que não impediu muitas empresas de tentarem trocar trabalho humano pelo sintético.
Redes sociais + conteúdo sintético
Isso já é uma realidade: boa parte do conteúdo que vemos nas redes sociais, de texto e imagens até vídeos, já está sendo gerado por modelos de IA.
Isso faz cair muito a qualidade do conteúdo que consumimos nas redes e aumenta significativamente o risco de desinformação, golpes e manipulação, especialmente em ano eleitoral.
Vai ser necessária uma vigilância extra de jornalistas e checadores, assim como um olhar mais atento das pessoas e um fortalecimento de fontes confiáveis de informação.

