A primeira grande notícia global de 2026 foi a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do então presidente de Venezuela, Nicolás Maduro. O fato fez o país virar, mesmo que só por algumas semanas, o principal assunto do mundo. Porém, no setor de criptomoedas, o país sul-americano é um tópico constante.
A economia está em colapso há mais de uma década, com uma inflação que pode ter chegado em 2025 a 2.000% no acumulado do ano, segundo dados de um consórcio de universidades locais. A consequência natural da erosão completa do dinheiro local é fazer com que a população busque o dólar como alternativa.
A necessidade dos venezuelanos de dolarizar suas economias impulsionou o uso da stablecoin USDT, emitida pela Tether, uma vez que acessar o dólar por meio da criptomoeda é mais barato e simples do que adquirir a moeda de forma direta.
A Venezuela foi em 2025 o 11º país no ranking de adoção de criptomoedas em estudo feito pela TRM Labs. Um outro estudo da empresa, publicado no final do ano passado, mostra como as criptomoedas são essenciais para o funcionamento da economia do país e que o acesso a elas é majoritariamente feito por por P2P (sigla para peer to peer, ou “de pessoa para pessoa”), um sistema no qual não há um intermediário tradicional, como um banco ou corretora.
Leia mais: O paradoxo venezuelano: Como a queda de um ditador se tornou o teste de fogo cripto
Alessandro, um diretor de marketing que vive em Caracas e que preferiu que não fosse publicado seu sobrenome, confirmou em entrevista ao Portal do Bitcoin que o sistema P2P é o mais utilizado no país. O detalhe é que estas operações são conduzidas pelo WhatsApp em geral.
“Muitos utilizam grupos de WhatsApp para evitar lidar com a complexidade de fazer múltiplas transações P2P”, afirma o executivo. Na prática, as pessoas que desejam comprar USDT encontram alguém de confiança e fazem toda a comunicação via WhatsApp, com as comprovações de depósitos de ambas as partes.
A última pesquisa da TRM Labs aponta que entre os principais destinos de visitas a sites a partir de endereços IP venezuelanos, mais de um terço (38%) foi direcionado a uma única plataforma global que oferece funcionalidade de negociação P2P.
O executivo venezuelano conta que já não é tão incomum encontrar comércios que aceitem stablecoins como forma de pagamento. Segundo ele, quando isso ocorre, o pagamento é feito via Binance Pay entre consumidor e lojista.
“Há uma grande quantidade de comércios que não têm problema em aceitar USDT como forma de pagamento. A consultoria Ecoanalítica estima que mais de 2% das transações realizadas em comércios são feitas diretamente em criptomoedas, principalmente USDT”, diz Alessandro.
Remessas internacionais em USDT
Mais do que no comércio cotidiano, o uso de stablecoins está mais consolidado no envio de dinheiro feito por venezuelanos que vivem no exterior para familiares que permaneceram no país.
“Há milhões de venezuelanos que enviam dinheiro para o país usando stablecoins. Eles compram USDT com a moeda do país onde vivem e depois vendem por bolívares. Se não têm uma conta bancária ativa, enviam os USDT para um familiar”, afirma.
Pessoalmente, Alessandro usa USDT para gerenciar parte do seu patrimônio em algo equivalente ao dólar, com o objetivo de acumular mais BTC no longo prazo ou poder trocá-las facilmente por outras moedas para pagar contas como aluguel, luz e internet. Ele também compra as stablecoins por meio dos serviços de um P2P.
Apesar da busca por dólares e crescimento no uso de stablecoins, o executivo afirma que mais de 75% das transações da economia venezuelana em 2025 foram realizadas em bolívares. “Há muito uso de cartões de débito e do Pago Móvil, uma passarela de pagamentos instantâneos entre bancos venezuelanos”, explica.
A dependência do dólar na Venezuela
Reportagem do The New York Times feita após a ação militar dos Estados Unidos aponta que desde 2019, quando as sanções contra o país foram aprofundadas, os venezuelanos passaram a usar cada vez mais o dólar, tanto para criar poupança, quanto para gastos diários.
Os comércios até já se acostumaram a anunciar os preços na moeda norte-americana e cobram mais caro se o cliente optar por usar bolívares. O problema é que a redução da venda de petróleo nos últimos anos fez com que a entrada da moeda dos EUA esteja cada vez menor, tornando a situação ainda mais difícil.
No final de janeiro, a taxa de câmbio real feita nas ruas de Caracas era o dobro da oficial fixada pelo Banco Central — uma situação parecida com a da Argentina, onde existe a cotação oficial e a real do dólar para o peso.
Com o dólar disparando pela sua escassez, o preço da carne, leite e queijo dobrou em questão de dias no país. O processo de derretimento do bolívar chegou a um extremo no qual o salário mínimo na Venezuela é o equivalente a 50 centavos de dólar. Uma pesquisa da Gallup mostra que em 2025, três de cada cinco venezuelanos tiveram dificuldades para comprar comida.
Não perca a chance de investir em uma cripto que já entregou mais de 5.900% de retorno em seu histórico! Compre Solana (SOL) no MB de forma fácil, segura e transparente.
A Venezuela, enfrentando uma crise prolongada, encontrou nas criptomoedas uma saída para contornar as dificuldades econômicas vividas no país. Com a instabilidade política e financeira, as criptomoedas se tornaram uma alternativa viável para transações e armazenamento de valor. Para os interessados em explorar esse mercado, é importante entender como funciona e como utilizar as criptomoedas de forma segura e eficiente. Com o aumento da popularidade das criptomoedas, é possível obter outras fontes de recursos financeiros e diversificar os investimentos. Vale a pena considerar essa opção e avaliar seus benefícios e riscos.

