02/05/2026 – 8:00
Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que, das 370.339 vagas com carteira assinada geradas no primeiro bimestre deste ano (janeiro e fevereiro), 300.728 foram ocupadas por inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).
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Dentro do grupo do Cadastro Único, os beneficiários do programa Bolsa Família preencheram 207.900 vagas no primeiro bimestre, o que representa 56,1% de todos os empregos formais gerados no Brasil e 69,1% das contratações dentro do universo do CadÚnico.
“O resultado reforça, mais uma vez, que os beneficiários do Bolsa Família querem, sim, trabalhar. São essas famílias que estão ocupando a maior parte das novas vagas de empregos formais. A visão do Governo do Brasil é justamente essa, o desenvolvimento social é parte estratégica do econômico. Não há crescimento sustentável sem inclusão”, comentou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias.
O setor de Serviços responde pela maior empregabilidade, absorvendo 52% do saldo do CadÚnico (156,58 mil postos). A Indústria aparece em segundo lugar, com mais de 60 mil vagas.
Geograficamente, a geração de empregos concentrou-se fortemente nas regiões Sul e Sudeste, que, apesar de terem proporcionalmente menos inscritos no CadÚnico em relação à população total, oferecem a maior oferta de vagas. O estado de São Paulo liderou isolado, sendo responsável por 26,7% do saldo de empregos do público do Cadastro Único no país.
Ponte para empregos
O novo desenho do Bolsa Família, instituído pela Lei 14.601/2023, transformou o programa em uma ponte para o mercado de trabalho. O objetivo do governo era mostrar para os beneficiários do programa que o emprego formal não causa a perda imediata do auxílio.
Se um membro da família consegue um emprego com carteira assinada ou se torna MEI, a família não sai do programa imediatamente. A família pode permanecer no programa por até 12 meses, recebendo 50% do valor do benefício.
Essa regra se aplica se a renda por pessoa da família subir para além do limite de entrada (R$ 218) até o teto de meio salário mínimo (R$ 706). Caso a renda per capita supere os R$ 706, a família deixa de receber o benefício.
O valor base garantido pelo Programa Bolsa Família é de R$ 600 por família. São pagos R$ 150 por criança de até seis anos e R$ 50 adicionais para gestantes, crianças e adolescentes entre sete e 18 anos.
Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, mais de 3,9 milhões de beneficiários do Bolsa Família entraram para o mercado formal de trabalho, segundo o governo. Esse grupo foi responsável por 86,7% de todo o saldo líquido de vagas geradas pelo Caged no período.
Perfil dos trabalhadores formais do CadÚnico
Os dados revelam que o padrão do grupo de trabalhadores do mercado formal que fazem parte do CadÚnico é, na média, feminino, jovem e escolarizad0:
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Gênero: As mulheres são maioria no CadÚnico, respondendo por 50,2% do saldo líquido de vagas, superando a média geral do Caged, onde a participação feminina foi de 47,2%.
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Escolaridade: Ao contrário do mito de baixa qualificação, 68,3% das vagas ocupadas pelo público do CadÚnico foram preenchidas por pessoas com ensino médio completo.
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Cor/Raça: Pessoas de cor parda lideram as estatísticas, representando 57,9% do saldo do público do cadastro.
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Idade: A faixa etária de 18 a 24 anos é a porta de entrada principal, com 125,77 mil postos no CadÚnico.

